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Thursday, December 31, 2009

O Último Dia...

Como diz a canção, "tudo tem um fim."
Hoje é o último dia de mais um ano. Mais ou Menos um ano. Depende da perspectiva de Copo que cada um tenha...

Hoje é também o meu último Post neste Blog.
Apaga-se assim a chama deste micro-espaco de uma rede quase tão vasta como o Universo.
Esta, foi apenas uma de entre outras estrelas, que teve o seu brilho na escuridão de muitos, mas também na clarividência de outros.

É chegado o momento de encerrar um capítulo e dar início a outro.
Um novo ano, uma nova esperança, novos projectos, novos desafios pessoais, profissionais, alegrias, tristezas, fragmentos de Vida que irão continuar noutro endereço, noutras paragens, qui ça, com o objectivo de fechar um ciclo e iniciar outro, diferente, simplesmente.

Um brinde a todos os que me leram ao longo dos tempos.
Um brinde ao novo ano que está mesmo a chegar.
Um brinde ao Universo sábio que, tem todas as respostas nas Constelações infinitas, e que determina o Princípio e o Fim de todas as Coisas... no momento certo.

Namastè.



- Posted using BlogPress from my iPhone

Monday, October 26, 2009

Gone for a Walk on the Desert...

A decepção que as pessoas nos causam levam-nos a tentar entender as possíveis causas. Não podemos responder por ninguém, mas podemos reflectir um pouco sobre o assunto.

Quantas vezes já esperámos que alguém tivesse uma atitude numa determinada situação e se decepcionou porque a pessoa nada fez ou ainda, se fez, foi algo que estava longe do que esperava? Todos nós sabemos que criar expectativas é o melhor caminho para a decepção, mas qual de nós não espera ser reconhecido, valorizado, não só por aquilo que faz mas, principalmente, por aquilo que é? Sim, nós mesmos devemos nos aprovar, reconhecer e aceitar, mas há relação sem troca?...
O ser humano precisa de quatro condições básicas para viver: 



 - atenção
 - admiração/reconhecimento
 - afecto/amor
 - Aceitação


Ao recebermos isso daqueles que nos são queridos e, especialmente, da pessoa amada, muitas de nossas necessidades emocionais são satisfeitas. Mas se não recebemos, a tendência é nos sentirmos sem valor algum e, assim, tudo fica vazio, sem sentido de existir.
Claro que não podemos nem devemos colocar nosso valor - enquanto pessoa - nas mãos de alguém, mas quem não espera um abraço num momento de dor? Uma mão estendida, quando perdido? Uma palavra amiga quando nos sentimos fracos? 



Qualquer necessidade que temos, sobretudo nossas necessidades emocionais, quando não supridas, geram insatisfação, decepção, e alguns conflitos internos que nem sempre percebemos. E quando isso ocorre é inevitável que nos sintamos desamparados e totalmente perdidos.

O que mais queremos é que a pessoa que amamos esteja ao nosso lado, incondicionalmente, que chegue o mais perto possível daquilo que esperamos e sentimos em nosso coração, e quase sempre, suas atitudes, ou a falta delas, se fazem tão distantes de nós e daquilo que necessitamos, e neste momento constatamos uma cruel realidade: estamos sós! 


Muitos de nós pedimos e esperamos tão pouco, que até esse pouco algumas pessoas são incapazes de nos dar: um abraço, uma atenção, uma palavra, carinho, compreensão, apoio, exactamente num determinado momento que mais precisamos.
Algumas pessoas dizem amar e sequer percebem o pedido de socorro daqueles que gritam por amor e atenção. E esse grito pode se transformar em diversas formas de amenizar uma dor... seja comendo, bebendo, dormindo, trabalhando excessivamente, enfim, tentando fugir do que tanto dói. Tudo para preencher um vazio que nada parece conseguir ocupar.

Na verdade, quem não consegue se doar, ouvir o outro, é porque não consegue ouvir nem seu próprio sussurro numa noite silenciosa. Ignora o outro na mesma proporção que ignora a si mesmo. 

Choramos, e em lágrimas acabamos por adoecer. Sentimos a dor em nossa alma e mesmo quando olhamos ao lado e vemos que há alguém, ainda nos sentimos completamente sozinhos, nos sentimos mais desvalorizados, menosprezados... Nos sentimos sós no amor que expressamos, na dor que sentimos. Sós na atenção esperada e no desprezo recebido. Sofremos, sim, quando esperamos atenção que nunca recebemos, em palavras que nunca se transformam em atitudes que se concretizam. 
Passam minutos, horas, dias e meses que se transformam em anos e continuamos a permitir que nosso sofrimento se estenda. 


Sofremos pela nossa própria falta de atitude ao aceitarmos que tal situação se mantenha. Sofremos quando não temos coragem de dizer "basta"! 

Sofremos quando não nos sentimos amados, não recebemos atenção, não nos sentimos importantes, quando nossas necessidades e nossos sentimentos não são respeitados. Mas, com certeza, sofremos muito mais quando nos sentimos incapazes de dar tudo isso a nós mesmos, independente da situação externa.

É necessário mergulhar em nós mesmos... ir bem fundo... Recordar as inúmeras situações difíceis que já se conseguiram superar. Essa mesma força ainda está aqui dentro. Acreditar é preciso!

Encontrar a nossa força, a coragem, a determinação, muita esperança e fazer algo por nós, apenas e simplesmente por nós mesmos! 

No meio de tanta dor é possível sempre aprender e crescer! Considere sua realidade e não as ilusões que criou em função de suas necessidades. O mais importante é recordar sempre que a atenção e o amor por nós mesmos só dependem de nós!


Dedico este texto a uma amiga muito querida que nos deixou... Hoje, sem música...



Wednesday, October 14, 2009

Piensa en Mi

Don't Give Up

In this proud land we grew up strong
We were wanted all along
I was taught to fight, taught to win
I never thought I could fail

No fight left or so it seems
I am a man whose dreams have all deserted
Ive changed my face, Ive changed my name
But no one wants you when you lose

Dont give up
cos you have friends
Dont give up
Youre not beaten yet
Dont give up
I know you can make it good

Though I saw it all around
Never thought I could be affected
Thought that wed be the last to go
It is so strange the way things turn

Drove the night toward my home
The place that I was born, on the lakeside
As daylight broke, I saw the earth
The trees had burned down to the ground

Dont give up
You still have us
Dont give up
We dont need much of anything
Dont give up
cause somewhere theres a place
Where we belong

Rest your head
You worry too much
Its going to be alright
When times get rough
You can fall back on us
Dont give up
Please dont give up

got to walk out of here
I cant take anymore
Going to stand on that bridge
Keep my eyes down below
Whatever may come
And whatever may go
That rivers flowing
That rivers flowing

Moved on to another town
Tried hard to settle down
For every job, so many men
So many men no-one needs

Dont give up
cause you have friends
Dont give up
Youre not the only one
Dont give up
No reason to be ashamed
Dont give up
You still have us
Dont give up now
Were proud of who you are
Dont give up
You know its never been easy
Dont give up
cause I believe theres the a place
Theres a place where we belong

Saturday, September 05, 2009

Goodnight, My Angel...

Buda, Aquele Que Despertou...

Goodnight, my angel
Time to close your eyes
And save these questions for another day
I think I know what you've been asking me
I think you know what I've been trying to say
I promised I would never leave you
And you should always know
Wherever you may go
No matter where you are
I never will be far away

Goodnight, my angel
Now it's time to sleep
And still so many things I want to say
Remember all the songs you sang for me
When we went sailing on an emerald bay
And like a boat out on the ocean
I'm rocking you to sleep
The water's dark and deep
Inside this ancient heart
You'll always be a part of me

Goodnight, my angel
Now it's time to dream
And dream how wonderful your life will be
Someday your child may cry
And if you sing this lullabye
Then in your heart
There will always be a part of me

Someday we'll all be gone
But lullabyes go on and on...
They never die
That's how you
And I
Will be

yvn6hq5ije

Tuesday, August 18, 2009

Be Not the Slave of Your Own Past

"Be Not the slave of your own past.
Plunge into the sublime seas, dive deep and swim far, so you shall come back with self-respect, with new power and with an advanced experience that shall explain and overlook the old..."

Ralph Waldo Emerson




Sunday, August 09, 2009

The Stranger...

Well we all have a face
That we hide away forever
And we take them out and
Show ourselves
When everyone has gone
Some are satin some are steel
Some are silk and some are leather
They're the faces of the stranger
But we love to try them on

Well we all fall in love
But we disregard the danger
Though we share so many secrets
There are some we never tell
Why were you so surprised
That you never saw the stranger
Did you ever let your lover see
The stranger in yourself?

Don't be afraid to try again
Everyone goes south
Every now and then
You've done it, why can't
Someone else?
You should know by now
You've been there yourself
Once I used to believe I was such a great romancer
Then I came home to a woman
That I could not recognize When I pressed her for a reason
She refused to even answer
It was then I felt the stranger
Kick me right between the eyes

Well we all fall in love
But we disregard the danger
Though we share so many secrets
There are some we never tell
Why were you so surprised
That you never saw the stranger
Did you ever let your lover see
The stranger in yourself?

Don't be afraid to try again
Everyone goes south
Every now and then
You've done it why can't
Someone else?
You should know by now
You've been there yourself
You may never understand
How the stranger is inspired
But he isn't always evil
And he is not always wrong
Though you drown in good intentions
You will never quench the fire
You'll give in to your desire
When the stranger comes along.


Monday, July 13, 2009

Agradecer às Estrelas o eterno Caetano...

Dicen que por las noches
No máis se le iba en puro llorar
Dicen que no comia
No mas se le iba en puro tomar
Juran que el mismo cielo
Se extremecia al oir su llanto
Como sufria por ella
Que hasta en su muerte la fue llamando

Ay, ay, ay, ay, ay
Cantaba
Ay, ay, ay, ay, ay
Gemia
Ay, ay, ay, ay, ay
Cantaba
De pasion mortal Moria

Que una paloma triste
Muy de maá±ana le va a cantar
A la casita sola
Con las puertitas de par en par
Juran que esa paloma
No es otra cosa mas que su alma
Que todavia la espera
A que regrese la desdichada
Cucurrucucu
Paloma
Cucurrucucu
No llores
Las piedras jamáis
Paloma
Que van a saber
De amores


Wednesday, June 24, 2009

O Silêncio Ensurdecedor do Vazio

Deixou-se levar pelos pensamentos profundos, sorrindo, contra a corrente... Encontrou o sono tranquilo e sob o corpo desnudado, repousou o coração dorido.
A alma embargada pelas lágrimas ainda murmurou:
- Eu não pertenço aqui...

Num turbilhão de c
ores garridas, rodopiava à beira do abismo, olhando para o reflexo de outra... familiarmente desconhecida. Gritava a preto e branco o Vazio...
E num acto agitado levantou-se, caminhou até à janela estreita, e gritou em desespero, com todas as forças do corpo
apoiadas no velho parapeito da janela, que quase a mergulhavam no ar:
- Até a beleza das flores se torna insuportáaaaaaaaaaaaaaaaaaavel!!

Fez-se silêncio em todo o bairro.
Também o velho sino da Sé rendeu silêncio ao bater das seis e meia da tarde.
Quase imóvel, baixou a face desvaziada de qualquer expressão...
- Agora só resto eu... Vou procurar a Vida.


Tuesday, June 16, 2009

Porque Vale a Pena?

Porque vale a pena?
Há momentos em que me intorrogo se valerá a pena deixar-me levar por caminhos que conduzem a tanta incerteza, dor e sensação de vazio. Caminhos já antes percorridos, com outras paisagens, terrenos diferentes e climas distintos... mas todos eles áridos e penosos.

Na verdade, o instinto do Coração quando aponta uma direcção diz-me que não vai falhar, que é por ali. E eu confio, porque é muito rara esta certeza. As emoções são mais fortes e... quase sem dar por isso, levam-me a Alma num rodopio como folhas de outono num remoinho ventoso... quase sem dar por isso, estou num caminho igual a outros que anteriormente me conduziram a Desertos longos e hostis...


Vale mesmo a pena considerar que, em algum momento, o instinto me vai conduzir a uma Viagem diferente de todas as outras?...
Vagueio pelos albuns das Viagens anteriores, repletos de fotografias que desvanecidas pelo traço da dor enxugada em lágrimas e penso que penso demais. Penso que nestas coisas não se pode racionalizar. Eu não as concebo assim. Acontecem! Raramente, mas acontecem! E deixo de pensar tanto...
A tendência da abordagem Emocional é seguir o instinto, seguir uma nova Viagem que se mostra diferente de todas as outras, na qual me concedo uma nova oportunidade de ser Feliz, em cada dia que ainda espero Viver... Afinal, eu mereço ser Feliz. Disso, não tenho a menor dúvida!


Hoje, no meio de uma turbulenta jornada, senti por momentos uma Solidão aterradora e ao mesmo tempo um Amor incondicional pela Vida, pelo meu percurso, este mesmo que me transformou na pessoa que hoje Sou, com tudo o que isso possa ter de bom e de menos bom!
É uma dualidade de emoções estranha, esta... Lágrimas que se soltam sob a vista de Rio, pingam o parapeito da janela, e ao mesmo tempo me abandonam numa Serenidade e Harmonia nunca antes sentidas...

Este é um dos raros momentos de Vida que sabe a Novo, a Pleno e Eterno... Soluço em Paz, em total harmonia, onde Dor e Amor se fundem num só e permitem sentir algo tão precioso e inexplicável... Apenas sinto um Amor incondicional pela total consistência do meu Ser, construida pelas demasiadas desilusões percorridas ao longo do trilho...
Sinto-me num longo vôo nas asas de um Anjo, comungando do Silêncio dos Inocentes...
Dei o meu melhor, como em tudo aquilo em que acredito. Acima de tudo, entreguei-me como sou, sem capa, com medo, sem certezas, com integridade, sem ambições, com todo o Amor, sem nada a Ganhar, com Muito a perder, sem vaidade ou carências, com coragem e compaixão, sem imposições, com total compreensão...

Será que Vale a Pena?...
Sim... Sempre.



"Some people stay far away from the door
If there's a chance of it opening up
They hear a voice in the hall outside
And hope that it just passes by

Some people live with the fear of a touch
And the anger of having been a fool
They will not listen to anyone
So nobody tells them a lie

I know you're only protecting yourself
I know you're thinking of somebody else
Someone who hurt you
But I'm not above
Making up for the love
You've been denying you could ever feel
I'm not above doing anything
To restore your faith if I can
Some people see through the eyes of the old
Before they ever get a look at the young
I'm only willing to hear you cry
Because I am an innocent man
I am an innocent man
Oh yes I am

Some people say they will never believe
Another promise they hear in the dark
Because they only remember too well
They heard somebody tell them before

Some people sleep all alone every night
Instead of taking a lover to bed
Some people find that it's easier to hate
Than to wait anymore

I know you don't want to hear what I say
I know you're gonna keep turning away
But I've been there and if I can survive
I can keep you alive
I'm not above going through it again
I'm not above being cool for a while
If you're cruel to me I'll understand

Some people run from a possible fight
Some people figure they can never win
And although this is a fight I can lose
The accused is an innocent man
I am an innocent man
Oh yes I am
An innocent man

You know you only hurt yourself out of spite
I guess you'd rather be a martyr tonight
That's your decision
But I'm not below
Anybody I know
If there's a chance of resurrecting a love
I'm not above going back to the start
To find out where the heartache began

Some people hope for a miracle cure
Some people just accept the world as it is
But I'm not willing to lay down and die
Because I am an innocent man

I am an innocent man
Oh yes I am
An innocent man"

Sunday, May 31, 2009

Caminhos Cruzados

"Quando um coração que está cansado de sofrer,
Encontra um coração também cansado de sofrer,

É tempo de se pensar
Que o amor pode, de repente, chegar.


Quando existe alguém, que tem saudade de alguém
E esse outro alguém não entender,
Deixe esse novo amor chegar,
Mesmo que depois Seja imprescindível chorar.

Que tola fui eu

Que, em vão, tentei raciocinar

Nas coisas do amor,

Que ninguém pode explicar.

Bem, nós dois vamos tentar.

Só um novo amor pode a saudade apagar."


Tom Jobim e Newton Mendonça

Saturday, April 18, 2009

Quando Recomecei a Encontrar uma Pequena Luz...

This is what I've decided to do with my life, from now on.
Thank you to the amazing person that share his beliefs with me...

"What I think is, it`s never too late... or, in my case, too early, to be whoever you want to be...
there`s no time limit, start anytime you want... change or stay the same...
there aren`t any rules... we can make the best or worst of it...
I hope you make the best... I hope you see things that startle you. Feel things you never felt before.

I hope you meet people who have a differente point of view.
I hope you challenge yourself.
I hope you stumble, and pick yourself up.
I hope you live the life you wanted to... and if you haven`t, I hope you start all over again..."


From, Benjamin Button film.


Sunday, April 12, 2009

A recaída

Eu sabia que não devia ter fumado aquela cigarrilha. Foi no dia 7 de Março no casamento da minha irmã. A culpa foi do álcool que acabou por pensar por mim.

A verdade é que sou um adicto da nicotina por mais que me custe aceitar. O tabaco é uma droga e para mim funciona como uma droga. Há que assumir e dizer as coisas com frontalidade. Basta-me dar uma passa e estou novamente agarrado. O processo até começar a fumar novamente com regularidade pode até durar meses a acontecer, mas uma vez experimentado está aberto ao cérebro o precedente para continuar.

Nos dias que se seguiram ao casamento não mais fumei. Umas semanas depois fui jantar a casa de uma amiga que me perguntou se eu ainda fumava. Estava-lhe a apetecer um cigarro e não tinha. Disse-lhe que não fumava há alguns anos mas que se houvesse uma cigarrilha marchava. Ela lembrou-se que tinha um charuto algures guardado de um casamento em que fora. Terminámos a noite a rodar o Monte Cristo por mais de uma hora enquanto recordávamos o nosso passado e partilhávamos as ideias para o nosso futuro.

Depois vieram mais alguns jantares em casa de outra amiga. Essa sabia que era fumadora e para não ficar atrás fui preparado. Levei uma caixa de cigarrilhas para mim. As que sobraram ainda duraram uma semana. Primeiro eram só para depois do jantar, depois já só eram para depois das refeições e uns dias mais tarde também já havia espaço para elas para depois da queca.

Depois veio o concerto dos Milion Dollar Lips. Tinha-me esquecido de comprar cigarrilhas e ainda por cima podia-se fumar lá dentro. Cravei alguns cigarros e no dia seguinte já tinha comprado um maço de Marlboro.

Fui confrontado diversas vezes pelo meu filho que me dizia: “tás viciado outra vez pai!” e eu limitava-me a dizer que não, que estava tudo controlado. Há alguma coisa mais triste que ver um filho a reprimir-nos e sabermos que ele têm razão?

Foi aí que parei e pensei na merda que estava a fazer e no que a minha vida se estava a tornar. Afinal de contas, como um toxicodependente começara de mansinho nas cigarrilhas e preparava-me agora para as doses diárias dos cigarros.

Perdi o sentido de humor. Cheiro mal. O cheiro nauseabundo entranha-se na minha roupa, nos meus cabelos e nos meus poros. Já não tenho a resistência da semana passada e começam-me a aparecer os primeiros sinais de catarro. Com tudo isto chegou também a frustração e o sentimento de culpa. Eis a miséria humana espelhada no meu Ser. Como eu me odeio!

Porém, quando tudo parece estar perdido aparece sempre alguém para nos dar a mão. É neste momento que acreditamos nas coincidências. Sem saber de nada ontem uma amiga minha convidou-me para ir com ela tirar um curso de mergulho.

Nem é tarde nem é cedo. Para purificar a alma e o corpo não deve haver nada melhor que submergir no fundo do mar com uma botija de oxigénio e dislumbrar cardumes de peixes que ingenuamente desconhecem os malefícios do tabaco. Aceitei.

Preciso de voltar à vida que tinha antes da Páscoa. Afinal de contas sou um tipo que corre 5 km todos os dias, fiz a mini-maratona em 46 minutos e jogo ténis todos os sábados. Já para não falar do ski, dos patins em linha, da bicicleta e de outras actividades que tenho vindo a praticar.

Com o fim da Páscoa tudo vai voltar ao normal e tal como Cristo vou ressuscitar para a vida após uma ausência de um mês.

No fim deste texto vou fumar o último cigarro e preparar-me para a ressaca que aí vêm.


Friday, April 10, 2009

Uma história mal contada

Todos nós sabemos que quem conta um conto acrescenta um ponto. Temos esse exemplo prático quando vamos à padaria e desabafamos com a padeira em como nos dói a cabeça e depois, após um mês de férias nas Caraíbas, ficamos surpreendidos quando regressamos ao bairro e verificamos que muitos dos vizinhos nos julgavam mortos com um qualquer tumor cerebral.

Se há histórias mal contadas a do cristianismo é uma. Nunca me convenceu por uma razão muito simples: a do longo tempo que nos separa desse acontecimento.

Numa altura em que não havia o recurso ao registo digital, as façanhas eram escritas, traduzidas, rescritas ou verbalizadas de geração em geração.

Com os cybertextos e as e-textualidades de hoje em dia essa história seria seguramente diferente. Não haveria espaço para técnicas como a do “cadáver esquisito” onde cada um vai acrescentando palavras ou imagens sobre uma primeira proposta da história e através do seu Tempo e da sua Cultura, vai fazendo e seguirá a fazer a sua participação na obra colectiva.

Numa altura como esta da Páscoa em que se comemora a ressurreição de Cristo e a vitória sobre a morte, importa para mim não dissertar sobre essa história mal contada mas ver o lado romântico da coisa.

Acreditar que Jesus esteve reunido com os seus apóstolos no Getsemani na noite anterior à sua morte, e que terá entrado em agonia, ao ponto do seu suor se tornar em gotas de sangue que escorreram pela terra é demasiado figurativo e simplista para a minha mente romântica.

Pois então o que falta para tornar esta história mais romântica e comovente ainda? Falta música, dramatização e profundidade nas palavras de Cristo que só 1973 anos depois foram finalmente conseguidas pelas mãos de Andrew Lloyd Webber e Tim Rice na magnífica interpretação de “Gethseman” por Ted Neeley (1943).

Nesta Páscoa sugiro que se deixem de ovos de chocolate e amêndoas e rumem até ao vídeo clube, não para alugarem a Paixão de Cristo do Mel Gibson mas a Ópera Rock Jesus Chrisr Superstar.

Trinta de cinco anos depois do lançamento do filme eis que surge novamente Ted Neeley, mais velho e mais poderoso. Desta feita em teatros, numa das mais soberbas interpretações de Cristo que eu me lembre.

Se quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto, retirando, por vezes, verdade ao conto, neste caso pode-se dizer que quem interpreta uma música acrescenta-lhe o que lhe vai na alma. A mesma música a mesma letra mas com o poder de mais anos em cima. Quase os mesmos com que Cristo morreu.

Com Cristos assim quase que apetece ir à missa.



Ted Neeley - Gethsemane - Jesus Christ Superstar (2008)




Ted Neeley - Gethsemane - Jesus Christ Superstar (1973)

Sunday, April 05, 2009

Somewhere...

"I walked across an empty land
I knew the pathway like the back of my hand
I felt the earth beneath my feet
Sat by the river and it made me complete
Oh simple thing where have you gone
I'm getting old and I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin

I came across a fallen tree
I felt the branches of it looking at me?
Is this the place we used to love?
Is this the place that I've been dreaming of?

Oh simple thing where have you gone
I'm getting old and I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin

And if you have a minute why don't we go
Talk about it somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know?

Oh simple thing where have you gone
I'm getting old and I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin

And if you have a minute why don't we go
Talk about it somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don't we go
So why don't we go

This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know?
"

Thursday, April 02, 2009

My Bubble...

Sometimes I feel I'm losing my track as if suddendly all the ground beneath my feet got lost in space... And I'm standing inside a bubble going up and down trying to figure out what's going on with my ground and how will I get out from this stage that is holding my life for ages... trying to figure out why things aren't just a little bit more easy once in a while?...

Why is everything always so difficult along my way?... I'm tired of so many stones...
I need to fly... Please, let go off my wings and let me fly away from here... Let me reach my Sunscreen and taste a little bit of happiness and love... Then, I can die and come back one day, again... Less hurt then today...

Sunday, March 22, 2009

A Crise, Segundo Einstein

Há pelo menos 6 meses que me apetecia escrever sobre o tema. Não sobre a perspectiva de Einstein sobre a Crise, mas mais exactamente sobre esta mesma "Crise".
Fui perdendo a vontade à medida que o tema se ia tornando banal.
Não se fala de outra coisa, e serve de desculpa para muitas outras.


Hoje recebi um email que continha o texto com que vos deixo abaixo. O subject era "A crise segundo Einstein". Depois de o ter seleccionado juntamente com muitos outros para fazer "Delete" imediato, travei, não sei bem porquê. De repente, fiquei curiosa para saber o que pensaria Einstein das "crises". Ou se seria até uma metáfora!
Retirei o "tick" do email, e abri a mensagem.

Finalmente, estava aqui tudo o que eu gostaria de ter escrito sobre a "Crise", seja ela qual fôr.
Crises Sociais, Economicas, Pessoais, Políticas, Existênciais... Mundial, Pessoal, não importa a dimensão.

Crise, é tudo isto que aqui está... Mais uma vez, thank you so much, dear Professor. ;)

"Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo.
A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos.

A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura.
É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias.
Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar "superado".

Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções.

A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis.
Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um.

Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la."


Einstein


Monday, March 09, 2009

O pequeno vício

Doía-me o rabo. Sobretudo naquela parte que rodeia o ânus e se estende quase até ao inicio das virilhas. Mas isso foi só no dia seguinte porque durante aquelas longas duas horas só senti um intenso prazer. Não era propriamente um amador. Já tinha feito várias vezes, sobretudo ao fim de semana ou ao fim da tarde que é quando gosto mais.

O problema foi ter estado parado algum tempo. Devia fazer regularmente pelo menos 3 vezes por semana. Isso deixaria-me em forma e o meu corpo acabaria por não se queixar.

Mas apesar de tudo não estou arrependido. Tento sempre me superar. Adoro começar devagar e ir aumentando o ritmo até atingir o ponto alto. Depois quando não aguento mais descomprimo e abrando o ritmo.

Mas são sobretudo os movimentos cíclicos para cima e para baixo que me fazem mais feliz. Tenho tempo de fechar os olhos por instantes e respirar fundo uma lufada de ar fresco. Depois cerro os punhos e contínuo até aguentar.

Nunca há uma vez igual. Cada vez é sempre única porque também escolho locais diferentes para fazê-lo.

Hoje vou na rua e vejo outras pessoas como eu. Pessoas que nunca tinham experimentado e que agora não querem outra coisa.

Tal como eu são pessoas felizes que assumiram a sua escolha. Aprenderam a gostar e por mais que doa no inicio sabem que depois passará.

Hoje estão tão viciadas como eu.
Doía-me o rabo. Maldita bicicleta!

Videoclip


Wednesday, March 04, 2009

Queres casar comigo?

Felizmente que a maioria dos casamentos dos meus amigos já ocorreram. O pessoal nascido na década de 70 já está despachado, mas agora começam aparecer o dos putos nascidos nos anos 80. Sendo cada vez mais escassos, a verdade é que há sempre uma alma que ainda resolve casar.

Haverá evento mais ridículo e tedioso do que o casamento?
Fui convidado para ir a um e não tenho forma de dizer que não.

Se é verdade que momentos houve em que se faziam festas de arromba e as cerimónias eram carregadas de um forte simbolismo, o casamento hoje não passa de um capricho de mau gosto.
Justificavam-se noutras épocas quando os filhos eram prometidos pelos pais, ou quando eram necessários para legitimar uma relação e se poder sair de casa dos pais.

Hoje em dia nada disso acontece. O sexo oral começa a ser feito desde muito cedo dentro do carro, as férias no estrangeiro entre namorados já são recorrentes, para ter filhos já só basta fazê-los e a união de facto é um instituto jurídico que regulamenta a convivência entre duas pessoas.

É um facto que os casamentos também estão em crise e têm vindo a diminuir, mas como se explica que ainda haja quem case?
Só vejo duas respostas possíveis: casa-se por desvario (acto inconsciente) e casa-se para angariar fundos (acto consciente).

Em tempos de crise financeira a realização de um casamento é quase um insulto. É uma provocação aos próprios pais porque pagam a boda e aos convidados porque têm que contribuir para mais um peditório.

Depois de tantos casamentos que assisti não vi nenhum que me tivesse marcado. Foram todos iguais. O mesmo tipo de igreja, a mesma homilia, as mesmas flores, as mesmas quintas, os mesmos fotógrafos, os mesmos menus, o mesmo chuveiro de gambas, a mesma mesa de queijos e sempre o mesmo apita o comboio.

Um convite para um casamento é sempre sinónimo de despesas de última hora. A prenda para os noivos, o fato e os sapatos novos, a roupa dos miúdos, o cabeleireiro da mulher, etc. Tudo isto somado pode ultrapassar os € 350.00

Por isso, acho que o casal de namorados antes de entrarem em devaneios do “eu” devia ser mais altruísta. Antes de enviarem os convites, o casal deveria sondar os coitados dos familiares, os desgraçados dos amigos e os infelizes dos conhecidos para perceber se há ou não entusiasmo na forma como recebem a notícia.

Depois é vê-los num corrupio para organizarem a festa. O desdobrar de esforços dos familiares. A contratação dos serviços, as insónias, o stress, as preocupações.
Depois recebemos o convite. Aquele cartãozinho, geralmente de mau gosto, que nos dá um prazo para confirmar se vamos.

Quando olho para o convite consigo ver nas entrelinhas frases maléficas proferidas pelos noivos: “Começa a preparar a guita para a prenda que estamos a precisar de dinheiro” ou então “ha ha ha foste apanhado! Pensavas que te escapavas? Já recebeste o convite agora tens que contribuir. Quer vás, quer não vás”.

E quando ao fim de um, dois ou quatro anos recebemos a notícia que aquele casamento já era? Dá vontade de quê?

É aqui que o parlamento deveria entrar. Mais importante que avançar com os casamentos entre homossexuais era avançar com uma lei que protegesse os convidados e os pais dos noivos em caso de divórcio. Assim, todos os noivos deveriam ser responsabilizados pelos seus falhanços conjugais até um período de 5 anos.

Os divórcios deveriam ser considerado um luxo, uma extravagância caprichosa do espírito caso ocorressem nos primeiros cinco anos. Por conseguinte, os casados ficariam obrigados a indemnizar todos os presentes de acordo com a tabela dos “transtornos causados”.

Como essa lei não existe, eu, se calhar, aproveitava este post para pedir desculpa a todos por não ter conseguido mas do que uns míseros 4 anos.
Não poderia estar mais arrependido e lamento ter vos feito gastar dinheiro e de vos ter roubado tempo naquele solarengo sábado de Outubro de 1996.

Queria também pedir desculpas públicas aos meus pais que pagaram a boda enquanto eu com o dinheiro das prendas fui laurear a pevide para a lua-de-mel.

A todos as minhas sinceras desculpas.



Monday, February 16, 2009

Did You Really Miss Me...?

Now that shes back in the atmosphere
With drops of jupiter in her hair, hey, hey
She acts like summer and walks like rain
Reminds me that theres time to change, hey, hey
Since the return from her stay on the moon
She listens like spring and she talks like june, hey, hey

Tell me did you sail across the sun
Did you make it to the milky way to see the lights all faded
And that heaven is overrated

Tell me, did you fall for a shooting star
One without a permanent scar
And did you miss me while you were looking at yourself out there

Now that shes back from that soul vacation
Tracing her way through the constellation, hey, hey
She checks out mozart while she does tae-bo
Reminds me that theres time to grow, hey, hey

Now that shes back in the atmosphere
Im afraid that she might think of me as plain ol jane
Told a story about a man who is too afraid to fly so he never did land

Tell me did the wind sweep you off your feet
Did you finally get the chance to dance along the light of day
And head back to the milky way
And tell me, did venus blow your mind
Was it everything you wanted to find
And did you miss me while you were looking for yourself out there

Can you imagine no love, pride, deep-fried chicken
Your best friend always sticking up for you even when I know youre wrong
Can you imagine no first dance, freeze dried romance five-hour phone
Conversation
The best soy latte that you ever had . . . and me

Tell me did the wind sweep you off your feet
Did you finally get the chance to dance along the light of day
And head back toward the milky way


Friday, February 13, 2009

Filho és, pai serás.

Ora deixa cá ver… a reflexão de hoje remete-nos para… 1… 9… 8 6.
Sim é isso! Foi na altura do Duarte & Companhia. Os meus pais já estavam divorciados e por isso o meu pai ia-me buscar aos fins-de-semana de quinze em quinze dias a casa da minha mãe, no seu Opel Kadett. Eu tinha, portanto 13 anos.

Nessa altura já respirava música. As aparelhagens não tinham CDs, mas já havia quem tivesse dessas.
Como tal, a rádio era um bem essencial e a capacidade de gravar músicas para cassetes era uma funcionalidade obrigatória nas aparelhagens de qualquer jovem. Era isso e ter um Spectrum 48K.

A rádio Cidade, pela mão dos brasileiros, dava cartas e inovava. Lembro-me que tinham um programa todas as Sextas-feiras chamado “Cidade Live Concert”. Devia começar à meia-noite e prolongava-se pela madrugada. O programa tinha a particularidade de passar um álbum ao vivo sem interrupções pelo meio. Essas noites eram verdadeiras vigílias. Era necessário desvelo para virar a cassete o mais depressa possível quando chegava ao fim para continuar a gravar do outro lado. Mesmo assim já sabia que uma música ficaria sempre sacrificada.

A importância dessa rádio era tal que não só anunciavam a existência desses álbuns, como os disponibilizavam para gravarmos sem publicidade pelo meio. A maioria desses álbuns nem sequer existia à venda em Portugal. E se existissem nós também não tínhamos dinheiro para os comprar.

Lembro-me perfeitamente de três concertos que gravei: John Lennon – Live in New York city (1986), Simone – Canecão ao Vivo 1979 e Bruce Spingteen & the E Street Band – Live 1975 – 1985. Este último correspondia a uma caixa muito cobiçada que continha 5 vinis lá dentro e custava um dinheirão. Todas as Sextas-feiras passavam um álbum até fazer o total dos cinco discos.

O meu pai nunca foi de procurar novos sons. Em casa e no carro ouvia sempre a música da sua geração e sabia quase todas de cor. Quando eu entrava no Opel Kadett do meu pai o percurso era feito ao som da Rádio Nostalgia. Na altura passava música dos anos 50 e 60 e para mim não era um problema. Comecei por me interessar e às tantas já sabia muito mais que qualquer outro miúdo de 13 anos.
Quando começava uma música na rádio, em jeito de concurso perguntava-me logo se eu sabia quem é que cantava ou qual o nome da música. Tinha que identificar logo nos primeiros acordes, senão dava ele a resposta.
O meu pai usava uns Ray Ban modelo Aviator e costumava cantar por cima das músicas enquanto conduzia. Devia ter perto dos quarenta anos.

Ora deixa cá ver… hoje estamos em 2009 e sou o Alexandre. O filho do Pai e o neto do Avô.
Não dá nada de jeito na televisão. O CSI ainda se vê bem.
Os meus pais já estão divorciados e por isso estou metade da semana com a minha mãe e a outra metade com o meu pai. O meu pai tem um Renault Clio e eu vou fazer 9 anos.

Respiro música, jogos, vídeos e tudo o que se mexa num ecrã. A internet é a base de tudo pois tudo o que referenciei antes pode se encontrado lá. Não preciso de ficar acordado. Se entrar no dia seguinte continua tudo lá na mesma. Não me lembro o que tive primeiro: se foi Leitor de Mp3, PSP, Play Station 2 ou PC. O importante é que tenho isso tudo.

No carro ouvimos várias rádios, mas destaque para a M80. Música dos anos 70, 80 e 90. O meu pai sabe tudo de cor. E volta e meia pergunta-me se eu sei quem está a cantar. O meu pai até é de procurar novos sons, mas coitado: as bandas surgem de uma forma tão rápida que quando se vai inteirar já a banda não existe.
O meu pai usa uns óculos tipo aviador e costuma cantar por cima das músicas enquanto bate no volante e no manípulo das mudanças. Deve estar a passar dos 35 anos.

Às vezes olha-me nos olhos e diz-me: “Filho és, pai serás.”

My Geneneration

Antes: The Who


Agora: Oasis


Depois: The Zimmers


Wednesday, February 11, 2009

Uma novela do outro mundo

Já percebi porque perdi o interesse pelas telenovelas. Ao contrário do que possam pensar, não foi pela fraca qualidade dos actores nem pelos enredos medíocres, mas sim por causa dos cenários e dos adereços.

Estou farto de telenovelas passadas em grandes cidades que mostram apartamentos muito bem decorados e gente muito elegante com roupas muito caras. Por outro lado, também já não posso com aquelas que são passadas no sertão ou numa herdade do Alentejo, com paisagens de perder de vista e pores-do-sol fotográficos em que os actores fingem ter sotaque e vestem roupas campestres.

Ultimamente inventaram umas que são passadas (vejam só ao ponto que isto chegou) no estrangeiro. Os actores aparecem descalços vestidos de hindus e com as caras pintadas. Como espectador exijo uma reviravolta na parte cénica.

Sugiro então uma novela do outro mundo. Os mesmos actores, as mesmas personagens, as mesmas intrigas, os mesmos romances e os mesmos desfechos mas gravados no espaço. Quer dizer não é bem no espaço. Seria gravada na terra mas a fingir que era passada dentro de uma estação espacial. Ou seja, a acção era passada no futuro (talvez no ano 2631) e já não havia planeta Terra. Havia uma gigantesca estação espacial que albergava toda a humanidade.

E isto por quê? Por causa da questão dos adereços. O pessoal está farto de ver os actores com os pés no chão. Acho que era muito melhor inovar e meter os actores a flutuar e a dar cambalhotas no ar juntamente com o resto dos adereços. Com a tecnologia que há hoje é possível. Basta erguer essa gente com uns cabos amarrados à cintura que depois o computador encarrega-se de tirar de lá o cabo.

Não sei se perceberam a subtileza da coisa. O objectivo não é fazer uma serie de ficção cientifica e andar tudo aos tiros com pistolas laser. Era só mesmo mudar os cenários e a movimentação dos actores. Ah, e as roupas claro!

Mantinham-se os mesmos estatutos e desigualdades sociais (porque isso há-de sempre haver), mantínhamos os mesmos conflitos de interesses (dentro de uma estação espacial do tamanho da terra com certeza que dá pano para mangas) e preservávamos os diálogos porque, se formos ver bem, nem são maus. Claro que teríamos que fazer uns ajustes mas o teor seria o mesmo.

A novela podia-se chamar: “Podia acabar o mundo (que nós vamos para o espaço) ” e o par de actores podia ser o Paulo Pires e a Diana Chaves.

Vamos ver um exemplo:

Entra o Paulo Pires a flutuar de barriga para cima dá uma cambalhota para traz e fica em pé a flutuar de frente para a Diana Chaves e diz:

- Amor viste os meus colantes azuis-escuros?
- Já te disse que não quero conversas contigo. O que tu fizeste comigo não se faz.
- Mas amor… Já te expliquei que a Rita é um robô. Está programada para servir à mesa.
- Não me interessa. Não quero saber. Deixaste-me lá fora 10 minutos a flutuar à tua espera.

… e com duas braçadas de bruços flutua lentamente em direcção à porta a chorar.
Paulo Pires não a deixa sair e puxa-lhe o ombro para trás. Logo esse pequeno puxão transforma-se num grande empurrão devido à ausência de gravidade.

- Tu agrediste-me!
- Não amor! Não te esqueças que estamos no espaço. Não há gravidade!
- Ah pois. Tens razão. Desculpa. Estou confusa. - E começa a chorar.

Perceberam como se faz senhores produtores de novelas? Vamos lá a pensar nisto e meter mãos à obra.

Saturday, February 07, 2009

Obama Superstar

“O sofrimento religioso é, a um único e mesmo tempo, a expressão do sofrimento real e um protesto contra o sofrimento real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração e a alma de condições desalmadas. É o ópio do povo.”
Karl Marx, "Uma Contribuição à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel" (1844)

É impressão minha ou está tudo doido com a eleição de Obama? Para quê tanta histeria colectiva?

Eu não sou contra o Obama. Sou contra a Obama-mania.

A TV e a Internet mostram a família Obama como se de uma família real se tratasse. Foram bisbilhotar o passado e a família. Entrevistaram o seu barbeiro, os antigos colegas da escola e as pessoas na rua. Na tomada de posse vimos os vestidos, os piropos à mulher, os bailes e as poses informais e na realidade ainda não fez nada.

Concordo que os seus discursos sejam brilhantes e motivadores. Simpatizo com ele e se demonstrar ser um grande politico e tiver sucesso até sou capaz de comprar uma estatueta dele e por em cima da televisão, mas, para já, deveríamos julgar Obama pelo que ele faz e não pelo que queremos que ele faça.

A maioria das pessoas nem sabe quais são as suas propostas governativas. Aqui em Portugal então nem sabem a diferença entre Democratas e Republicanos. Apenas sabem que o Bush é republicano e que por isso é mau e de boca em boca e de café em café vai se espalhando a convicção.

Obama tem grandes qualidades e isso é inegável, mas é óbvio que para se criar o mito Obama foi necessário ele ser negro. Mas o mais curioso é que isso é o que menos determina as suas capacidades governativas. Não será a cor da pele que vai fazer dele mais ou menos competente e por isso irrita-me profundamente a ideia de que Obama personifica a salvação.

Este tipo de solução baseada numa mudança e renovação radical geralmente funciona em pessoas que se encontram perdidas no mundo e desmotivadas com a vida. Foi assim no Brasil com Lula (o operário do nordeste defensor dos pobres), com Morales na Bolivia (o índio agricultor defensor das minorias) e Chaves, Fidel, Eva Perón e por aí fora.

Esta história da eleição de Barack Obama faz me lembrar a história da nossa senhora Fátima. Eu não acredito em Fátima. Pelo menos que ela tenha aparecido em cima de uma arvore aos pastorinhos e que tenha dito uns segredos. Mas a verdade é que se criou um mito e que isso alimentou uma crença que até hoje é seguida.

Mas se só três pessoas viram a santa como se justifica que tanta gente acredite? Simplesmente porque a santa não é julgada pelo que fez mas pelo que as pessoas querem que ela faça. Tal e qual como Barack Obama.

Obama também ganhou as eleições porque soube tirar partido das redes sociais da internet. Obama abriu um precedente e as campanhas eleitorais nunca mais vão ser as mesmas. Ao atingir as massas de forma eficaz, Obama mostrou que o marketing social é uma realidade e por isso questiono-me até onde é isto vai parar.

Quando inicio este post citando Marx é porque vejo nas suas palavras a explicação para isto tudo. Mais do que condenar a religião, Marx na realidade está a criticar toda uma sociedade condenada à lassidão.

A religião e os mitos criados pelas massas “funcionam no sentido de pacificar os oprimidos; e a opressão é definitivamente um erro moral. A religião reflecte o que falta na sociedade; é uma idealização das aspirações do povo que não podem ser satisfeitas de imediato”.

O ópio do povo alivia a dor, mas ao mesmo tempo, torna os homens indolentes, nublando a sua percepção da realidade e tirando-lhes a vontade de mudar.

Vamos com calma. Comedidos e com cautela. Obama pode ter boas intenções mas está a ser fabricado um produto à imagem e semelhança dos que o fabricam: os americanos.

Barack Obama é, para já, apenas um homem que ganhou as eleições.

O vídeo que se segue foi visto no You Tube mais de 16 milhões de vezes. Puro fanatismo ou curiosidade dos tempos modernos?

Monday, February 02, 2009

O regresso do rock dançante

Soberbo. Nem foi preciso ouvir muito. O novo álbum dos Franz Ferdinand já me conquistou.

“Tonight” não é igual aos outros álbuns. Não é melhor nem é pior. É diferente.

O álbum tem o andamento próprio do Disco dos anos 70 apesar de as composições serem rock. O resultado é genial, ficando algures entre um rock que é dançável ou uma dança que é rockavel. Assim, a banda pisca o olho às discotecas e traz uma nova atitude ao rock.

Musicalmente as linhas rítmicas são diferentes. O baixo é funkeado e a bateria por vezes Disco. As guitarras continuam a suar como de costume embora menos frenéticas o que, juntamente com as vozes, são fundamentais para não descaracterizarem a banda. O uso de sintetizadores em alguns temas não é por acaso e demonstra bem onde o grupo quer chegar.

“Tonight” é um álbum dançável. O tempo ronda as 105 batidas por minuto aproximando-se assim das pistas de dança, ao contrário do álbum anterior que fluía energicamente a 150 batidas por minuto.

Herdeiros do punk rock dos anos 80 os Franz Ferdinand aproximam-se agora mais do britpop, fazendo-nos lembrar (em parte devido aos coros e falsetes de voz) a bandas com os Blur.
As influências de algum glam rock continuam. A lírica e a atitude da banda são um bom exemplo disso, conferindo ao álbum um cariz descontraído, licencioso e impudico.

A actuação da banda no Super Bock Super Rock na edição de 2006 foi sublime. Talvez o melhor concerto que vi nos últimos tempos. A digressão do “Tonight” arranca agora na Europa mas não está prevista a passagem da banda pela nossa aldeia. Talvez num desses festivais de verão…

“Tonight” é aquele álbum que apetece ouvir nu numa sala com mais 30 pessoas nuas sem saber como tudo vai terminar.

C’mon let’s get high!

Friday, January 30, 2009

Escrever enquanto todos dormem

Tinha uma alcunha comprida. Chamávamos-lhe “Johnny the mack in the big cave” quando tínhamos os nossos 15 anos. Se nos questionarmos porquê, ninguém sabe a resposta. Poderá ter sido uma personagem de banda desenhada mas não temos a certeza. Acho que chamávamos sobretudo por três motivos: todos tínhamos que ter alcunhas; Johnny era uma palavra inglesa e dava estilo quando prenunciada; mas sobretudo por ele se chamar João Nascimento.

João do Nascimento, como é conhecido agora, foi talvez o único dos meus amigos que se destacou no campo cultural e literário. Jornalista num jornal diário da capital editou o seu primeiro livro de poesia Duas Pegadas de Água na Chuva em 2001 na Quasi Edições. Em 2003 publicou na Editorial Notícias o livro Do Agreste ao Planalto, uma biografia do Presidente do Brasil, Lula da Silva e no passado dia 22 de Janeiro lançou a sua primeira obra de ficção - Escrever Enquanto Todos Dormem (triologia) - na Portugália Editora.

Fui até à nova livraria Buchholz no chiado felicitá-lo e encontrei um Johnny igual a ele mesmo. Calmo sereno e espirituoso como sempre. Enquanto o livro era apresentado o meu pensamento regressava a 1985 e à nossa escola secundária. As imagens dos fins-de-semana em Caneças, as passagens de ano, os ensaios de música no Estúdio Som, e as idas de cacilheiro à praia de São João pairaram por instantes na minha memória.

Apesar de não ter lido ainda o livro já se justifica este post no blog. O João do Nascimento é um motivo de orgulho para mim e faz-me acreditar que nem tudo ficou perdido daquela fornalha de jovens que um dia saíram da mesma escola secundária.
Entre os que foram para a polícia, os que se tornaram bancários ou profissionais de seguros ou os que se encaixaram na função pública, o Johnny teve a capacidade e a sorte de ir mais além e eu fico muito feliz por isso.

Em relação à obra, a minha opinião virá, como de costume, em forma de post. Será a minha próxima leitura assim que as férias do mestrado me proporcionarem outras leituras.

Ler Johnny será como voltar a lembrar os velhos tempos.

Thursday, January 29, 2009

A lista da morte

Há coisa de duas semanas emprestaram-me um filme. O The Bucket List de 2007 dirigido por Rob Reiner com Jack Nicholson e Morgan Freeman nos principais papéis.

O filme conta a história de dois doentes em fase terminal que se conhecem no hospital. Um é rico (Jack Nicholson) e o outro não (Morgan Freeman). Ao descobrirem que lhes resta poucos meses de vida resolvem fazer uma lista de desejos que gostariam de realizar antes de morrer. O dinheiro não é problema e nos meses seguintes viajam pelo mundo realizando cada um dos seus desejos.

O tema até é bom, mas a leviandade com que é abordado acaba por estragar tudo. O filme é uma comédia dramática pois retrata um drama com a ligeireza característica do género e com isso consegue mostrar como se desperdiça dois dos melhores talentos da representação de hoje, num argumento fácil e carregado de clichés.

A previsibilidade da trama e o dilema moral entre o espiritual e o material há muito que é recorrente em Hollywood e quando abordado desta maneira, não atinge outro objectivo senão o de entreter e fazer rir. Se o objectivo era colocar as pessoas a pensar sobre a forma como andam a viver, acho que ficaram um pouco aquém.

Se compararmos a Lista de Bucket com o magnífico Into the Wild (Sean Penn, 2007) verificamos que o primeiro rendeu $175,000,000 sendo 53% das receitas provenientes dos EUA, ao passo que o segundo rendeu apenas $55,000,000 sendo a Europa e resto do mundo responsáveis por 67% dessa receita.

Ambos os filmes falam um pouco da mesma temática embora com abordagens diferentes. Mesmo sabendo que a Lista de Bucket junta no elenco dois grandes actores, o que desperta a curiosidade e a apetência do espectador, estes resultados levam me a duas simples conclusões: (1) Os americanos preferem a comédia ao drama; (2) Apesar de menos visto que o filme de Rob Reiner, o Into de Wild foi mais visto pelo resto do mundo.

Com isto vemos traçado o perfil do americano comum que prefere abordar os dramas de forma lasciva e descontraída sem ter muito que pensar.
Ao contrário do americano, eu pensei muito e não sei se hei-de classificar o filme como mau, péssimo ou medíocre.

Mas para zombar da morte nada melhor que os Monty Pythons no The Meaning of Life de 1983 . Aqui fica um apanhado dos melhores momentos ao som de um tema que também fala da morte "Welcome to the Black Parade" dos norte americanos My Chemical Romance's.


Sunday, January 25, 2009

Mafalda Veiga, quem és tu?

Anda muita gente a tentar-nos enganar. Os políticos já se sabe: Enganam-nos com as promessas e com os números. As televisões tentam nos mostrar um mundo que não é de todo verdadeiro e as rádios querem nos fazer acreditar que as músicas que passam são as melhores do planeta. Ainda temos os padres que nos querem fazer crer em coisas que não existem e depois vem por aí a baixo. Começa no mecânico e passa pelo merceeiro e apanha o canalizador e o pedreiro, etc.

Mas de quem eu não estava nada à espera é que os tipos do marketing também nos quisessem enganar. Esses malfeitores!

Não é que esses bandidos querem nos fazer ver que a Mafalda Veiga já não é a Mafalda Veiga.
Eu passo a explicar: A Mafalda tem um álbum novo. Chama-se “Chão” e é igual aos outros. Até aqui tudo bem. Nem toda a gente consegue inovar. Acontece que os tipos do marketing ao desenharem a estratégia de comunicação da artista resolveram espalhar pela cidade um cartaz embusteiro e sedutor a anunciar a data dos concertos.

Nesta magnífica produção fotográfica vemos a Mafalda de camisola de alças e de ombros descobertos numa tentativa clara de mostrar que é tão aventureira e pronta para os desafios como a Lara Croft.
O cabelo selvagem esconde um rosto que nos sugere ser rebelde completando, assim, o traço psicológico.
Depois vem a acção: O corpo ligeiramente inclinado para trás, a mão esquerda que agarra pelo meio da escala o braço de uma guitarra cor de rock, e, finalmente, a mão direita que desfocada sugere-nos um momento de grande sensibilidade: um solo de guitarra. Mas não é um solo qualquer. Pelo ligeiro adiantado da perna esquerda é um solo em grande estilo. É daqueles que um qualquer pedal de efeitos deve estar a ser utilizado em simultâneo, tornando a performance ainda mais difícil.

O que os senhores do marketing fizeram foi uma velhacaria. Quiseram-nos fazer crer que a Mafalda é uma rockeira e sua em palco. A nossa Mafalda não é uma PJ Harvey, uma Sheryl Crown ou mesmo uma Alanis Morisette. A nossa Mafalda é uma menina de bem. Caso não saibam cantou os “pássaros do sul” num registo calmo e insonso. O cartaz devia reproduzir uma Mafalda deitada ao lado da sua guitarra de madeira, descascando uma laranja numa enorme seara de trigo, deslumbrando um céu que teima entardecer sobre uma pequena aldeia de Portugal.

A Mafalda não escreve sobre conflitos, sexo, drogas ou violência. A Mafalda fala sobre a natureza e a formosura do amor. A Mafalda não faz barulho. Respeita os vizinhos e não põe a música alta.

Esse cartaz é um embuste. É traiçoeiro, enganador, patife e devasso.

É a mesma coisa que fazerem um cartaz com os cinco elementos dos Xutos e Pontapés vestidos com umas místicas túnicas brancas de linho sentados de cócoras em frente ao grande lago do Taj Mahal, sugerindo que nesse novo álbum, instrumentos orientais teriam sido utilizados na gravação e que as letras agora teriam um maior teor espiritual.

Há artistas que nunca mudam.



Thursday, January 22, 2009

Who's fat?

Nunca tive uma namorada que não quisesse emagrecer. Será que sou eu que só escolho gordas ou elas é que acham que nunca estão suficiente magras?

É engraçado vê-las a desdobrarem-se em esforços. Umas tomavam chás frios em garrafas de litro e meio, outras optavam pelas ampolas da ervanária. Havia também aquelas que no almoço não comiam mais que uma sopa mas que à noite vingavam-se nos chocolates ou nos gelados. Depois havia também quem se achasse só gorda na barriga e optasse pela acupunctura localizada. Ah… ia-me esquecendo das outras que tomavam CLA sem fazer exercício físico.

Enfim, autoflagelavam-se à minha frente. Doia-me a alma de ver aquelas pobres criaturas - que de gordas não tinham nada - em tremenda angústia e tristeza. Por mais calorias que perdessem debaixo dos lençóis achavam-se sempre gordas.

Quando se aproximava o Verão ou um evento importante era quando sofriam mais. E espantem-se: muitas vezes era mais pelo que as pessoas iam pensar.

Na verdade nunca vi nenhuma a fazer desporto. Pelo menos de forma séria. O desporto para elas era sempre num ginásio caríssimo, sob o pretexto de ser livre-trânsito, mas que na realidade nunca durava mais do que três meses. Ou porque começava a chover, ou porque estava frio, ou porque não tinham companhia, ou porque entretanto apareciam outras coisas para fazer.

Vendo bem eu acho que não escolho gordas. Eu escolho é pouco inteligentes…


Weird Al Yankovic - Fat - MyVideo

Tuesday, January 20, 2009

We Have Chosen Hope Over Fear

"My fellow citizens:

I stand here today humbled by the task before us, grateful for the trust you have bestowed, mindful of the sacrifices borne by our ancestors. I thank President Bush for his service to our nation, as well as the generosity and cooperation he has shown throughout this transition.

Forty-four Americans have now taken the presidential oath. The words have been spoken during rising tides of prosperity and the still waters of peace. Yet, every so often the oath is taken amidst gathering clouds and raging storms. At these moments, America has carried on not simply because of the skill or vision of those in high office, but because We the People have remained faithful to the ideals of our forbearers, and true to our founding documents.

So it has been. So it must be with this generation of Americans.

That we are in the midst of crisis is now well understood. Our nation is at war, against a far-reaching network of violence and hatred. Our economy is badly weakened, a consequence of greed and irresponsibility on the part of some, but also our collective failure to make hard choices and prepare the nation for a new age. Homes have been lost; jobs shed; businesses shuttered. Our health care is too costly; our schools fail too many; and each day brings further evidence that the ways we use energy strengthen our adversaries and threaten our planet.

These are the indicators of crisis, subject to data and statistics. Less measurable but no less profound is a sapping of confidence across our land - a nagging fear that America's decline is inevitable, and that the next generation must lower its sights.

Today I say to you that the challenges we face are real. They are serious and they are many. They will not be met easily or in a short span of time. But know this, America - they will be met.

On this day, we gather because we have chosen hope over fear, unity of purpose over conflict and discord.

On this day, we come to proclaim an end to the petty grievances and false promises, the recriminations and worn out dogmas, that for far too long have strangled our politics.

We remain a young nation, but in the words of Scripture, the time has come to set aside childish things. The time has come to reaffirm our enduring spirit; to choose our better history; to carry forward that precious gift, that noble idea, passed on from generation to generation: the God-given promise that all are equal, all are free, and all deserve a chance to pursue their full measure of happiness.

In reaffirming the greatness of our nation, we understand that greatness is never a given. It must be earned. Our journey has never been one of short-cuts or settling for less. It has not been the path for the faint-hearted - for those who prefer leisure over work, or seek only the pleasures of riches and fame. Rather, it has been the risk-takers, the doers, the makers of things - some celebrated but more often men and women obscure in their labor, who have carried us up the long, rugged path towards prosperity and freedom.

For us, they packed up their few worldly possessions and traveled across oceans in search of a new life.

For us, they toiled in sweatshops and settled the West; endured the lash of the whip and plowed the hard earth.

For us, they fought and died, in places like Concord and Gettysburg; Normandy and Khe Sahn.

Time and again these men and women struggled and sacrificed and worked till their hands were raw so that we might live a better life. They saw America as bigger than the sum of our individual ambitions; greater than all the differences of birth or wealth or faction.

This is the journey we continue today. We remain the most prosperous, powerful nation on Earth. Our workers are no less productive than when this crisis began. Our minds are no less inventive, our goods and services no less needed than they were last week or last month or last year. Our capacity remains undiminished. But our time of standing pat, of protecting narrow interests and putting off unpleasant decisions - that time has surely passed. Starting today, we must pick ourselves up, dust ourselves off, and begin again the work of remaking America.

For everywhere we look, there is work to be done. The state of the economy calls for action, bold and swift, and we will act - not only to create new jobs, but to lay a new foundation for growth. We will build the roads and bridges, the electric grids and digital lines that feed our commerce and bind us together. We will restore science to its rightful place, and wield technology's wonders to raise health care's quality and lower its cost. We will harness the sun and the winds and the soil to fuel our cars and run our factories. And we will transform our schools and colleges and universities to meet the demands of a new age. All this we can do. And all this we will do.

Now, there are some who question the scale of our ambitions - who suggest that our system cannot tolerate too many big plans. Their memories are short. For they have forgotten what this country has already done; what free men and women can achieve when imagination is joined to common purpose, and necessity to courage.

What the cynics fail to understand is that the ground has shifted beneath them - that the stale political arguments that have consumed us for so long no longer apply. The question we ask today is not whether our government is too big or too small, but whether it works - whether it helps families find jobs at a decent wage, care they can afford, a retirement that is dignified. Where the answer is yes, we intend to move forward. Where the answer is no, programs will end. And those of us who manage the public's dollars will be held to account - to spend wisely, reform bad habits, and do our business in the light of day - because only then can we restore the vital trust between a people and their government.

Nor is the question before us whether the market is a force for good or ill. Its power to generate wealth and expand freedom is unmatched, but this crisis has reminded us that without a watchful eye, the market can spin out of control - and that a nation cannot prosper long when it favors only the prosperous. The success of our economy has always depended not just on the size of our Gross Domestic Product, but on the reach of our prosperity; on our ability to extend opportunity to every willing heart - not out of charity, but because it is the surest route to our common good.

As for our common defense, we reject as false the choice between our safety and our ideals. Our Founding Fathers, faced with perils we can scarcely imagine, drafted a charter to assure the rule of law and the rights of man, a charter expanded by the blood of generations. Those ideals still light the world, and we will not give them up for expedience's sake. And so to all other peoples and governments who are watching today, from the grandest capitals to the small village where my father was born: know that America is a friend of each nation and every man, woman, and child who seeks a future of peace and dignity, and that we are ready to lead once more.

Recall that earlier generations faced down fascism and communism not just with missiles and tanks, but with sturdy alliances and enduring convictions. They understood that our power alone cannot protect us, nor does it entitle us to do as we please. Instead, they knew that our power grows through its prudent use; our security emanates from the justness of our cause, the force of our example, the tempering qualities of humility and restraint.

We are the keepers of this legacy. Guided by these principles once more, we can meet those new threats that demand even greater effort - even greater cooperation and understanding between nations. We will begin to responsibly leave Iraq to its people, and forge a hard-earned peace in Afghanistan. With old friends and former foes, we will work tirelessly to lessen the nuclear threat, and roll back the specter of a warming planet. We will not apologize for our way of life, nor will we waver in its defense, and for those who seek to advance their aims by inducing terror and slaughtering innocents, we say to you now that our spirit is stronger and cannot be broken; you cannot outlast us, and we will defeat you.

For we know that our patchwork heritage is a strength, not a weakness. We are a nation of Christians and Muslims, Jews and Hindus - and non-believers. We are shaped by every language and culture, drawn from every end of this Earth; and because we have tasted the bitter swill of civil war and segregation, and emerged from that dark chapter stronger and more united, we cannot help but believe that the old hatreds shall someday pass; that the lines of tribe shall soon dissolve; that as the world grows smaller, our common humanity shall reveal itself; and that America must play its role in ushering in a new era of peace.

To the Muslim world, we seek a new way forward, based on mutual interest and mutual respect. To those leaders around the globe who seek to sow conflict, or blame their society's ills on the West - know that your people will judge you on what you can build, not what you destroy. To those who cling to power through corruption and deceit and the silencing of dissent, know that you are on the wrong side of history; but that we will extend a hand if you are willing to unclench your fist.

To the people of poor nations, we pledge to work alongside you to make your farms flourish and let clean waters flow; to nourish starved bodies and feed hungry minds. And to those nations like ours that enjoy relative plenty, we say we can no longer afford indifference to suffering outside our borders; nor can we consume the world's resources without regard to effect. For the world has changed, and we must change with it.

As we consider the road that unfolds before us, we remember with humble gratitude those brave Americans who, at this very hour, patrol far-off deserts and distant mountains. They have something to tell us today, just as the fallen heroes who lie in Arlington whisper through the ages. We honor them not only because they are guardians of our liberty, but because they embody the spirit of service; a willingness to find meaning in something greater than themselves. And yet, at this moment - a moment that will define a generation - it is precisely this spirit that must inhabit us all.

For as much as government can do and must do, it is ultimately the faith and determination of the American people upon which this nation relies. It is the kindness to take in a stranger when the levees break, the selflessness of workers who would rather cut their hours than see a friend lose their job which sees us through our darkest hours. It is the firefighter's courage to storm a stairway filled with smoke, but also a parent's willingness to nurture a child, that finally decides our fate.

Our challenges may be new. The instruments with which we meet them may be new. But those values upon which our success depends - hard work and honesty, courage and fair play, tolerance and curiosity, loyalty and patriotism - these things are old. These things are true. They have been the quiet force of progress throughout our history. What is demanded then is a return to these truths. What is required of us now is a new era of responsibility - a recognition, on the part of every American, that we have duties to ourselves, our nation, and the world, duties that we do not grudgingly accept but rather seize gladly, firm in the knowledge that there is nothing so satisfying to the spirit, so defining of our character, than giving our all to a difficult task.

This is the price and the promise of citizenship.

This is the source of our confidence - the knowledge that God calls on us to shape an uncertain destiny.

This is the meaning of our liberty and our creed - why men and women and children of every race and every faith can join in celebration across this magnificent mall, and why a man whose father less than sixty years ago might not have been served at a local restaurant can now stand before you to take a most sacred oath.

So let us mark this day with remembrance, of who we are and how far we have traveled. In the year of America's birth, in the coldest of months, a small band of patriots huddled by dying campfires on the shores of an icy river. The capital was abandoned. The enemy was advancing. The snow was stained with blood. At a moment when the outcome of our revolution was most in doubt, the father of our nation ordered these words be read to the people:

"Let it be told to the future world...that in the depth of winter, when nothing but hope and virtue could survive...that the city and the country, alarmed at one common danger, came forth to meet [it]."

America. In the face of our common dangers, in this winter of our hardship, let us remember these timeless words. With hope and virtue, let us brave once more the icy currents, and endure what storms may come. Let it be said by our children's children that when we were tested we refused to let this journey end, that we did not turn back nor did we falter; and with eyes fixed on the horizon and God's grace upon us, we carried forth that great gift of freedom and delivered it safely to future generations."

Barack Obama's Speech - Inauguration Day, 20 Jan 2009



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