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Thursday, October 27, 2011

Ventania de Outono

O dilema da página em branco... Não interessa. Obriguei-me a escrever todos os dias. Por pouco que seja, por pouco sentido que faça... escrevo! E aqui estou eu, com o dilema da "página" em branco. Isto não é uma página de um caderno ou de um bloco. Mas não deixa de ser uma página onde pretendo escrever algo maior. Algo que me transcenda, que fique para além de mim mesma e que possa servir de inspiração a alguém... ou não. Não importa. Uma vez li um livro de uma escritora com algum sucesso que dizia que, independentemente de ser bom ou mau, o escritor deve escrever quatro páginas por dia. Não estou a auto-intitular-me de escritora. Estou muito longe disso. Mas gosto de escrever. Não sei se é uma terapia dos que gostam de alguma solidão, ou uma necessidade de exprimir algo que não se consegue verbalizar. Muitas vezes, nem é possível verbalizar. A escrita é como uma espécie de grua que penetra no nosso ser mais profundo e iça todos os fantasmas, recalcamentos, todas as dores e as alegrias que vamos transportando pela vida. Por isso me obriguei a escrever todos os dias. A desculpa da falta de inspiração leva-nos a adiar páginas e páginas de coisas que muitas vezes na cadeira do café, na areia fina da praia ou na fila do supermercado nos tomam de assalto, como se algo dentro de nós quisesse dizer-nos alguma coisa que está esquecida e longe. Ou que ainda não se consegue perceber, mas que cria uma sensação estranha de querer agarrar uma folha em branco e começar a escrever algumas palavras que nos surgem naquele preciso momento e que temos a certeza que vão desencadear um jorrar de letras que certamente poderão traduzir o nosso dilema.
Bom, mas hoje, no meu segundo dia de "pena e papel", nem o dilema da página em branco levou a melhor.

A ventania lá fora captava a minha atenção. Estava outro dia de Inverno rigoroso puro. Saí ainda de madrugada para atravessar o trânsito da cidade sem grandes problemas. Este, é sem dúvida um dos preços altos a pagar por não viver dentro da cidade e ter de se deslocar a locais que nenhum dos transportes públicos visita. Lá fui. Noite escura, um vento agreste que balouçava o carro em andamento e me fazia reduzir a velocidade a que normalmente me desloco. De repente, uma chuva violentamente pesada começou a cair. Pingos tão grossos que pareciam que iam partir os vidros do carro a qualquer momento. Abrandei ainda mais, era tudo tão intenso que, para além de estar escuro como breu, não se conseguia ver nada com a intensidade de pingos grossos que se abatiam sobre a terra. A chuva formava uma cortina esbranquiçada, meia transparente que o carro ia atravessando, como se fosse entrar noutra dimensão. E talvez fosse... Eu pelo menos senti-me a viajar, literalmente, para outras dimensões do pensamento. A chuva tem em mim um efeito tipo Cocoon. Faz-me penetrar nos meus pensamentos mais profundos. Leva-me a uma dimensão do sub-consciente. Talvez porque simplesmente gosto de olhar a chuva. De ver os pingos grossos caírem no chão, lá fora, gosto dos salpicos nas janelas e com vento então, mais embalada fico. É como se entrasse num transe que me deixa em plena sintonia com o tempo que faz lá fora e me liberta a mente para os pensamentos que estão mais escondidos. Soltam-se com a ventania de um dia de Outono e caiem a pique na minha esfera de atenção como os pingos mais grossos da chuva que se faz ouvir lá fora.

Wednesday, October 26, 2011

Um dia...

Saí para tomar um café. Como desculpa tinha uma boleia prometida até à cidade mais próxima desta zona onde me reinstalei há pouco tempo. Fica perto de praias, mas a casa situa-se entre bosques no topo de uma arrábida onde outrora - há muitos milhares de anos - a força das águas do Oceano Atlântico descarregava a sua fúria com ondas fortes, turbulentas, daquelas que agitam muito as águas.

Saí de manhã cedo. Levei a senhora que ia para a cidade e pelo caminho olhava o céu cinzento escuro que parecia escurecer a cada minuto que eu via passar no relógio digital do carro.
Caíram algumas gotas, o que por sinal foi benéfico para o pára-brisas do meu carro. Estava sujíssimo. Ando há meses para o levar para uma lavagem a sério. Daquelas que para além da lavagem exterior, deixam tudo limpo e bem-cheiroso por dentro.
Já na cidade, acabei por deixar a senhora que mora perto de mim no dentista e fiquei à espera num café igual a tantos outros. Na entrada, a montra com os bolos sedutores a atormentarem os que lutam contra as calorias mas que não sobrevivem sem um café. Pedi um. Cheio, como sempre.
Sentei-me e fiquei a contemplar o tempo lá fora, o que passa, quem passa e o clima também.

As árvores dançavam uma dança louca, perturbadas pelo vento forte que tresloucado uivava e levantava todos os plásticos e papeis que encontrasse por perto. No mesmo ritmo frenético e surumbático, passam pessoas de um lado para o outro, na vida delas, certamente, a caminho de afazeres. E eu? Questionei, na esperança de ouvir uma resposta no uivo do vento ou talvez numa folha de papel atirada pelo vento na minha direcção, para me dar uma pista. Não entendo nada. Não entendo este passar de tempo, não entendo porque razão apesar do tempo passar eu sinto que está tudo na mesma. Cada dia é um dia, mas um dia igual ao outro, igual ao de ontem que já passou, um dia que sei como vai ser, decido como vai ser mas não decido nada, porque não há porque decidir.

Nesta altura já eu parecia falar com algo superior às minhas forças que começavam a sucumbir por entre lágrimas que enchiam ainda mais a chávena do meu café.
Já saiu do dentista. Está na hora do regresso. Não me custa nada fazer isto. Afinal, o dia estava tão feio que seria péssimo para ela ter de se deslocar sozinha e em transportes demorados até chegar ao dentista.

O silêncio voltou a instalar-se no regresso, salvo pelo rádio que soltava umas gargalhadas animadas dos locutores do programa da manhã. São todos assim. Animados! Riem, gritam, fazem tudo para nos tirar do marasmo dos dias que passam. Deve ser bom, fazer algo de bom pela vida dos outros milhares que estão do outro lado do fio. E ainda ganhar a vida com isso. Ganhar a vida... ora qui está uma boa expressão. Não ganhamos a vida quando nascemos? Bem, sim, claro. Dão-nos a vida, mas temos de lutar por ela. A vida não é um dado adquirido nem uma garantia de sobrevivência ou de longevidade. Lutar pela vida é de certa forma ganhar a vida ou ainda fazer pela vida.
Os meus pensamentos voavam de ramo em ramo, sem saber muito bem onde pousar. Foi aí que decidi que iria voltar a fazer Yoga em casa e também passaria a escrever todos os dias. Mesmo que não gostasse do resultado final. Talvez assim consiga levar os meus pensamentos mais longe. Consiga levá-los a acções, a coisas práticas, em vez de me torturar com demasiada borboletas saltitantes que vão pousando sem nexo, sem objectivo, apenas o de,.,.. voar, voar, voar, durante a sua breve vida. Mas a minha é longa, e não me posso dar ao luxo de não saber o que fazer com ela. Pensando bem, isto nem sequer é um luxo. É mais um martírio. Uma tortura latente.

Chegámos novamente ao campo. Sem dúvida que o tempo estava bem pior. Mais carregado e com o vento a soprar mais forte, o temporal avistava-se. Conseguia ouvir as ondas fortes e pesadas que se abatiam nos areais das praias das proximidades. Hoje era o dia perfeito. Hoje era o dia. Sentei-me e escrevi.

Wednesday, October 05, 2011

Café, Café e mais Café

O senhor Cintra já duvidava que eu esperasse alguém. O meu encontro marcado para as quatro da tarde já tinha expirado a validade. Estava mais frio junto à mesa onde me encontrava do que lá fora e acabei por pedir um café pingado em chávena escaldada, depois da primeira meia hora de espera.
Na pastelaria do senhor Cintra, igual a do senhor João, igual a do senhor António, igual a qualquer outra em lisboa, o LCD de 27 polegadas ao fundo do balcão sintonizava um talk show para preencher as tardes de quem não vai para além do quarto canal.
Optei por sintonizar a janela mesmo ao meu lado na expectativa que o meu contacto chegasse a qualquer momento. Lá fora, as pessoas passavam apressadas, a falar ao telemóvel, ou em passo apressado a olhar para o infinito, como se circulassem com pressa mas sem destino.

Perto das cinco da tarde, enquanto escrevia uma notas no meu Moleskine clássico, senti alguém a aproximar-se da minha mesa. “É a Alexandra?” perguntava o rapaz com a face rubra, fôlego desequilibrado e com os braços esticados parecendo não saber onde colocar as mãos sem ser nos bolsos. Disse que sim e em jeito de pergunta-resposta disparei: “Kbyte, certo?”
Enquanto pedia desculpa pelo pequeno atraso, Kbyte – nickname do mundo dos bites e bytes que se estende ao seu mundo de carne e de osso - rapidamente se sentou e pediu um galão, meia torrada e um café no final. “Desculpe lá, acordei há pouco, é o meu pequeno-almoço”.

Como quem faz um download ilegal, Kbyte falou comigo sem pressas e com o entusiasmo de quem tem a oportunidade de dar voz às intenções alegadamente lícitas que reúnem de forma anónima e anárquica, hackers sem fronteiras, livres de circular e de fazer circular o que consideram "património público". Viajei pelo monitor facial de Kbyte que ao longo da nossa conversa se debatia com olhar cintilante pela verdadeira justiça que estes Robin dos Bosques virtuais defendiam. No fundo, eles são os que lutam contra o Poder instituído.

Com o anoitecer, o Cintra interrompeu a conversa para pedir o pagamento. Queria fechar a caixa. Há um bom par de horas que nos olhava de lado e silenciosamente dizia - em tom de desagrado - que eram horas de sair, enquanto varria as últimas migalhas e guardanapos amachucados no chão, e arrumava as cadeiras de pernas para o ar em cima das cerca de cinco mesas solitárias que restavam ao longo do corredor, fazendo o maior barulho que podia para nos desligar da corrente. 

Paguei e saí com o Kbyte que estava atrasado para um encontro com colegas da Faculdade. "o que vale é que estou perto", dizia ele com ar tranquilo e energético. O Técnico era um pouco mais acima. Pediu-me pela terceira vez para usar apenas o seu nickname na minha peça. Como ele tinha muitos, não estava muito preocupado. Tranquilizei-o e enquanto me despedia já o meu telemóvel tocava. Um número que não reconheci. Encaminhei-me para a boca do metro mais próxima e atendi a chamada.

Do lado de lá, uma voz masculina, apressada e sem rodeios, apresentou-se em tom de brincadeira. Era o Henry, um amigo de longa data que conheci na faculdade. Foi meu professor na cadeira de Inovação e Criatividade. As aulas dele eram fantásticas. Na altura, com os seus quarenta e alguns anos, demonstrava ter uma cultura vastíssima, não só pelo conhecimento adquirido em milhares de livros que lera ao longo da sua vida, mas acima de tudo pela riqueza das experiências de ter vivido fora de Portugal durante muitos e longos anos. Para além de muitos anos em Berlim, Henry vivera uns saudosos doze anos no Rio de Janeiro, cidade onde ainda hoje preserva alguns amigos. 

Costumo ver Henry frequentemente. Encontramo-nos para tomar café com muita frequência, com o simples pretexto de matar saudades e conversar sobre os dias que correm. Geralmente sou eu quem mais fala. O Henry tem uma capacidade rara de ouvir as pessoas. Ouve com os olhos, como se mergulhasse na minha alma e soubesse perfeitamente tudo o que por lá navega. São muitos anos de amizade, uma amizade interrompida por alguns periodos de tempo, mas sempre que nos reencontramos, parece que não passou tempo nenhum desde o íultimo café. Henry telefonou-me porque queria confirmar o nosso encontro da manhã seguinte e ao mesmo tempo dizer-me que tinha mudado de número de telemóvel. Claro! Por isso não reconheci o número quando me ligou. Estava explicado.
(Continua)


Wednesday, September 14, 2011

BED SupperClub

Quando éramos miúdos contavam-nos histórias na hora de ir para a cama. 
Em Bangkok encontrámos a “cama” que todas as noites tem uma história para encantar e despertar os cinco sentidos. 

Numa construção futurista, em forma tubular elíptica, estão 800 metros quadrados que misturam iguarias únicas servidas em camas, um bar arrojado, alguns dos melhores DJ’s do mundo e performances interactivas em que nunca se sabe o que pode acontecer... 

Calçámos os Louboutins, e com um vestidinho T-BAGS de cetim champanhe, fomos conhecer um dos spots mais exclusivos do mundo: a Cama, ou melhor, o Bed Supperclub. Um Sonho!

Love.
Take Care, 
Birdie

Tuesday, September 13, 2011

SQUARE, uma casa virada do avesso...

Já imaginaram como será viver numa espécie de… toca? Mas não uma toca qualquer. 
Pode até parecer uma casinha de anões, escavada numa daquelas montanhas Suíças, cheia de vaquinhas e meia dúzia de casas que compõem uma pacata vila. 

Pois, e já estão a pensar que deve ser muito escura e cheia de túneis entre as divisões, certo? Errado! Vamos entrar num espaço de 160 metros quadrados, construído dentro da encosta das montanhas da vila Vals, conhecida pelas famosas Termas, e descobrimos que… luz natural não falta! Mas há muito mais para ver e saber sobre a Villa Vals. 

Toca a entrar! ;)

Love, 
Take Care.
Birdie

Friday, September 02, 2011

Feeling the Music

Some songs can be magical. Most of the times they're so simple in the sound and in the lyrics but they can have a strong effect on us.

They can give us a lot of energy when we most need it, some can make us laugh while others we listen till the exhaustion when we need to cry. Some songs are great to give a call to creativity and inspiration. And if we simply want to think about something or meditate about wishes and our life, there are also amazing sounds. And of course... the love songs, which I believe vary from person to person.

What can be romantic to me, might not sound anything special to another person. It depends on our personal taste, of our emotions and also if the song has a special meaning.

Well, I'm not writing a post today, so I just want to share a great song (to me) with you. Hope you enjoy it so much as I am. You'll decide the effect it has on you. ;)

Take care.
Love,
Birdie



Sunday, August 21, 2011

Mudança

Uma mudança ou transformação pressupõe uma alteração de um estado, modelo ou situação anterior, para um estado, modelo ou situação futuros, por razões inesperadas e incontroláveis, ou por razões planeadas e premeditadas.

Mudar envolve, necessariamente, capacidade de compreensão, bem como a adopção de
práticas que concretizem o desejo de transformação. Isto é, para que a mudança aconteça, as pessoas precisam estar sensibilizadas por ela e agir na direcção de alterar o rumo e/ou situação em que se encontram.

Perceber a dinâmica das mudanças é uma necessidade, é uma questão de sobrevivência e uma maneira de visualizar melhor o futuro, já que os novos tempos exigem uma nova postura de pensamento. 

Vivemos um momento de transição. Vivemos ainda num mundo que está a acabar, desmoronando-se aos poucos. Mas há um outro mundo que está a iniciar-se. 

É difícil lidar com a mudança. Na maioria das vezes, as pessoas, naturalmente, costumam agir de forma defensiva, com temor ou rejeição.

As mudanças sociais, políticas, económicas, tecnológicas, culturais, ecológicas, etc., que acontecem ao longo da vida fazem com que a vida não seja um caminho linear, mas sim que as pessoas a percorram livres e desimpedidas.

Tudo isto para dizer que, também eu num momento de grande mudança - talvez uma das maiores na minha vida - estou a adaptar-me, a viver intensamente as pequenas transições que me vão colocando neste caminho que pretendo percorrer. Estou sensibilizada e quero muito esta mudança. Não tenho medo. Não tenho saudades. Não guardo rancores. Não levo fúrias ou contrariedades. Não levo medo, nem desespero. Não acumulo arrependimentos nem casos mal resolvidos. 
Sigo livre, desimpedida, desprendida, pronta para viver intensamente o que a vida me for apresentando, sabendo no entanto o que quero e o que não quero.  

Estou feliz com a mudança. Sinto-me viva, cheia de esperança com o que aí vem e com vontade de tudo fazer para percorrer este caminho que todos os dias me traz algo de novo. Está a ser uma descoberta. Descoberta de vida, mas acima de tudo, descoberta sobre mim mesma. Descubro quem realmente sou. Descubro a força que afinal explode dentro de mim. Revivo a alegria com que contagio quem está comigo. E redescubro o prazer de viver intensamente a vida de acordo com os meus valores, vontades e disponibilidade. 

Não receio. Não temo. Parto livre, aberta a todas as experiências e preparada para as tempestades, mas sempre com a bonança no horizonte do meu olhar.
Por isso, também este Blog mudou. Mudou de cores, mudou de espírito, e vai ser o meu ponto de partida para a partilha das experiências que for vivenciando. 

Love.
Take care, 
Birdie

Sunday, July 24, 2011

Não Tive Tempo

Não tive tempo para lembrar, mas lembrei.
Não tive tempo para chorar, mas chorei. 
Não tive tempo de disfarçar, mas disfarcei.
Não tive tempo de te amar, mas amei.
Amo.


For you I was a flame
Love is a losing game
Five story fire as you came
Love is a losing game


Why do I wish I never played
Oh, what a mess we made
And now the final frame
Love is a losing game


Played out by the band
Love is a losing hand
More than I could stand
Love is a losing hand


Self professed, profound
Till the chips were down
Know you?re a gambling man
Love is a losing hand


Though I?m rather blind
Love is a fate resigned
Memories mar my mind
Love is a fate resigned


Over futile odds
And laughed at by the gods
And now the final frame
Love is a losing game


Amy Whinehouse



- Posted using BlogPress from my iPhone

Wednesday, July 13, 2011

A Persistência do Bambú

Ao longo da minha vida, tive o privilégio de conhecer pessoas que me marcaram. Não são muitas, mas as suficientes. E outras estarão para vir, por certo, se o Universo assim o entender. 

Estas marcas que perpetuam e despertam a alma, nascem por um de dois caminhos: pela positiva ou pela negativa. Mas mesmo estas últimas, deixaram um lastro de energia positiva que me permitiram um reforço da espinha dorsal, relançaram-me para novas perspectivas e me fizeram subir mais uns degraus na tal "experiência de vida", que  - dizem - nos vai tornando em seres mais maduros, tolerantes e com maior capacidade de escutar o outro.

Mas há seres-humanos verdadeiramente brilhantes e ao mesmo tempo... capazes de partilhar a sua luz mais vibrante com os demais, com a maior naturalidade. 
Há muito tempo que não encontrava ninguém como ele. Inesperado, contundente, vivido e experiente, com muitas marcas, mas esvaziado de feridas, sem nada a provar, correndo muitos riscos, mas sem medo. Um homem que arrisca a vida para denunciar a maldade, a mentira, a injustiça e a impunidade dos que se têm em conta de Homens ser.

Ao longo de três dias intensos de partilha, de confronto, de sensibilização - como ele gosta de dizer - mas também com muito daquele humor que nos faz pensar, o Rui partilhou uma das coisas - aparentemente simples - que não se ensina na escola, não se aprende (facilmente) nos livros e na esmagadora maioria dos casos, nem a família nos transmite, porque não sabe, não o sabe fazer... ou não tem tempo.

A vida não é simples. Mas torna-se mais fácil se houver humildade, vontade, esforço e trabalho sério, valores fortes, coluna, honestidade e solidariedade, muito amor e amizade desinteressada, frontalidade e laços fortes. 
Apesar do Poder, apesar da incapacidade que julgamos ter - e temos - relativamente à falta de Justiça e ao abuso do Poder, apesar da falta de rigor e seriedade, apesar da evolução profissional e das relações se fazer mais na horizontal do que na vertical, apesar, apesar, apesar, apesar.... temos sempre a capacidade de nos manter erguidos, como o Bambú, que  mesmo em dias de vento e fortes tempestades, balanceia, dobra, mas não parte... não verga.

Obrigada, Rui, por me mostrares que ainda é possível lutar contra-correntes sem ter de esquecer ou ignorar os meus valores. 
Obrigada por me fazeres acreditar que tudo é possível, se souber contornar a situação com muito empenho, sabedoria, inteligência e, acima de tudo, muito trabalho.
Obrigada por me teres permitido redescobrir a garra, a força e a energia da grandiosidade daqueles, que, com mais trabalho e empenho, sabem viver integrados sem perder a essência daquilo a que se chama Humanidade.

Love, 
Take care, 
Birdie


Saturday, July 09, 2011

É preciso...

Há momentos em que levamos murros no estômago... Esta expressão foi utilizada pelo nosso PM, quando se referia à morte antecipada de Maria José Nogueira Pinto. No dia seguinte, outro murro gigantesco, como acentuou o Cónego João Aguiar Campos. Fomos apanhado se surpresa pela morte injusta e fora de tempo de Diogo Vasconcelos...



Uma semana dura, hostíl, para com Portugal, com as agências de rating a elaborar relatórios pomposos nos quais nos chama "Lixo". Mas os dois momentos citados acima, são os verdadeiros murros no estômago.
Alertam-nos para o que é essencial na Vida e para a necessidade de abandonar o acessório. Alertam-nos para a nossa insignificância, como parte integrante deste universo infinito. Alertam-nos para o facto de acreditar que o que importa, não são os rankings das agências de rating, mas a capacidade e a atitude que vamos ter para enfrentar os momentos difíceis que se vivem.

Caio no ridículo dos clichés, mas não me importo. É o momento de alterarmos a nossa consciência, a forma como agimos e estamos na Sociedade. É preciso mais tolerância e menos arrogância. É preciso mais energia, e menos letargia. É preciso mais vontade, e menos preguiça. É preciso reaprender a viver, e deixar de lado os excessos e as fachadas. É necessário mais honestidade, e menos cinismo. É preciso mais responsabilidade, e menos "desenrasque". É preciso mais moral, e menos impunidade. É preciso mais dedicação, e menos desresponsabilização... É preciso muita coisa, mas acima de tudo, é preciso muitos murros no estômago para ganhar forças e acreditar que vamos ultrapassar momentos menos bons, aproveitando para melhorar o que de melhor o lado humano tem, na nossa sociedade.

Love.
Take Care, 
Birdie

Thursday, June 23, 2011

Amor Tatuado...

Acordei sobressaltada. Não ouvi o som do iPhone que me acorda todos os dias. Pela luz lá fora, o Sol já ia alto e ainda em sobressalto puxei o telemóvel para mim e vi as horas. Quase dez da manhã... Sentia-me claramente de ressaca... Ressaca da semana, do mês, dos anos, das nebulosas do meu espaço interior, mas também do dia anterior.

Levantei-me empurrada por mil pensamentos. Lembrei-me que a minha amiga estava quase a partir e envie-lhe um SMS a despedir-me novamente, depois de a ter deixado em casa ontem, já tarde. Depois, não sabia bem por onde começar. Continuava sem fome. Desde há uns dias atrás que a fui perdendo. 

Caminhei até à cozinha, liguei a micro TV, enchi uma caneca com chá gelado e fiquei a olhar lá para fora, com o ruído das notícias da economia e da bolsa ao fundo. Olhava mas não via nada. Sentia o peso de várias vidas a mim ligadas e do enorme vazio, misturado por uma pequenina perspectiva de mudança. Senti-me impotente perante tanta coisa que, por momentos, perdi a força que me caracteriza e que me leva a lutar sempre até ao fim, onde encontro sempre uma solução. Senti-me como uma Amazona arrastada pelas lutas intensas dos últimos 8 anos, já sem forças para continuar. Talvez fosse o momento de parar e... deixar-me estar, simplesmente. Aceitar que é altura de deixar as coisas acontecer sem lutar contra elas. Senti que era este o caminho e não tive medo. Senti-me apenas só na tomada de decisão. 

Terminei o chá, tomei um duche longo e deixei que os pensamentos escorressem com a água e me levassem as lágrimas guardadas durante os anos de luta. Deixei as armas e saí de casa para ver o mar... 

Ouvi a tua voz. Ainda estava muito presente, desde ontem. Perguntavas se estava tudo bem, num tom que adivinhava que algo não ia bem comigo. E eu disfarcei mal. Mas não foste mais longe e eu também não. Refugiei-me na trincheira da chamada telefónica porque tenho de lutar contra o que sinto.
Porque tem de ser assim?... Porque não acontece como a tantos outros em que tudo acaba bem?... Fui eu quem estragou tudo? Ou mais uma vez me senti impotente face à tua obsessão por alguém que te magoa e te faz mal? Ou será que não faz?... Será que fui só eu quem sentiu genuinamente o pouco que vivemos?
Sim, pode até ser precipitado, mas não é o relógio ou o passar de folhas do calendário que determinam o que sentimos por alguém. Creio que ambos sabemos que foi desde o início, no momento em que não era suposto ser. Porque nem sequer tentaste?... 
Queria ter tido a oportunidade de te olhar nos olhos e partilhar o que sentia. Talvez por isso eu não te tenha abandonado... Permaneces em mim como se tivesse sido ontem e ficarás... como uma tatuagem que queremos guardar eternamente.

Deixei o mar e desisti... Fui sentindo que a possibilidade de deixar de lutar era mesmo o caminho a percorrer. 
Voltei para casa e mergulhei na mudança que aí vem, com todos os riscos que aceito correr. É chegado o momento de agir em vez de lutar. É chegado o momento de aceitar que a felicidade são momentos que atravessam a vida, desde que os deixemos entrar naturalmente. E se pelo caminho existir outro sorriso que se queira juntar ao meu, melhor ainda.
Só naquele momento senti que tinha despertado, esta manhã...

Wednesday, June 15, 2011

A Vida em Notícia

Hoje escolhi não ligar a Televisão... Preferi o silêncio da noite. E da Lua, que apesar de Cheia se escondeu.
Hoje não quis saber das notícias do mundo que está mesmo aqui tão perto, nem do que mora longe e nos parece distante demais para nos importarmos. Talvez seja mais fácil para exportar a dor.

Hoje a notícia sou eu. Em grande plano, nas grelhas das estatísticas e dos números que parecem nunca estar de acordo com a realidade. Hoje, é a minha realidade que é notícia, que pouco interessa aos demais, só a mim. 
Quis vê-la de muito perto, porque às vezes não damos pelo que vivemos nos dias que passam tão depressa. Quis olhar para ela, vezes sem conta... e tentar entender os porquês da Vida. Eu continuo na fase dos porquês... Por inocência ou pela capacidade que tive de não deixar morrer a miúda que sempre fui. 

Hoje doeu outra vez. Mais um murro. Mas vi na notícia que estou mais forte. Fiquei serena e cheia de esperança no futuro. Não houve lágrimas para derramar. Esbocei um sorriso para as cameras e para os holofotes, apesar de triste. 

Hoje, foi apenas mais um dia. 
Lá fora, as luzes acenderam à mesma hora, as lojas fecharam e cada um foi seguindo o caminho de todos os dias. Tudo estava igual no local da cena. Foi apenas mais um dia. Foi apenas mais um take. Sem duplos para as partes mais duras. 

Amanhã, será um novo dia. Igual a tantos outros. Afinal, tudo isto é simples...

Monday, June 13, 2011

A Brand New Start

Caros amigos, 

se chegaram aqui, foi porque receberam um email meu ou clicaram no link de uns poucos anúncios que coloquei na Web para saberem mais.

Na vida há momentos de mudança. Assim, estou a alugar o meu apartamento, um T2 na Expo Sul - Junto à Marina - com vista total de Rio.


Características do Apartamento


É um T2 com 130m2 num 6º andar virado a poente, com vista total de Rio em todas as divisões e ainda 2 lugares de garagem. O apartamento está como novo e mobilado
Tem 1 suite com jacuzzi, 1 quarto com WC completo em frente, 1 sala com casa de jantar, hall, WC social, e a cozinha totalmente equipada e já com loiças e utensílios incluídos.
É uma casa cheia de  luz natural, com Sol pela manhã e à tarde, sombra.

Para mais informações, já sabem: enviem-me um email.
Beijos e abraços!
Birdie


Sunday, May 08, 2011

Vivemos o Prazer ou o Vício… da Partilha? | Notícias do Parque

slowYas1
SLOW WAY – Stresse e a Cidade, por: Alexandra Sampaio Pássaro
ecobird.jornalista@gmail.com

É absolutamente óbvio que os novos meios de comunicação e o universo da Internet mudaram tremendamente a nossa forma de estar e a forma como vivemos intensivamente cada segundo dos nossos dias. Mas para além de uma série de vantagens e benefícios, será que nos trouxe efectivamente mais qualidade de vida?

Há bem pouco tempo combinei encontrar-me com uma das minhas melhores amigas, ao final do dia, no coração da cidade alfacinha: o Chiado. Há vários sítios onde gosto de estar nesta zona de Lisboa. Variam de acordo com as estações do ano, mas acima de tudo, em função da minha disposição. Naquele dia de final de Março, com muita chuva e frio, pensei na Bénard. A Mónica também adora este espaço emblemático, por isso o consenso foi fácil.
Cheguei mais cedo do que o previsto. Entrei e ocupei a última mesa vaga, para duas pessoas. A Bénard estava cheia!

Depois de me acomodar, comecei a olhar em volta. Observei que ao balcão, cerca de 70% das pessoas se dividia entre um café ou um sumo, um croissant e uma conversa ao telemóvel. Outros, já entravam com o telemóvel junto ao ouvido ou com phones, parecendo que falavam sózinhos. Faziam um gesto para pedir uma bica e apontavam para o que queriam comer na montra dos folhados ou dos bolos. Os restantes – alguns acompanhados – conversavam entre si enquanto enviavam ou recebiam SMS’s, ao passo que os solitários mostravam um semblante sério, centrados no que comiam ou talvez num lugar ou numa questão muito distante dali. Mas sempre de olho no engenho móvel, não fosse chegar uma mensagem que pudessem perder de vista, entre uma trinca no croissant e um gole de meia de leite. O mesmo acontecia com alguns dos que ocupavam as mesas. Entre conversas, SMS’s e telefonemas, o “multitasKing” era mesmo Rei!

Foi então que comecei a pensar… de facto, eu que sou da geração que nasceu nos anos 70, tenho passado por momentos incríveis, do ponto de visto de alteração de hábitos de vida (entre muitos outros, claro, ao nível da Ciência e Saúde, da Educação, Tecnologia, entre muitas outras áreas). Tenho a sorte de, ao longo dos meus 38 anos ter tido a oportunidade maravilhosa de presenciar uma evolução veloz – e muita vezes atroz – na forma como vivemos em comunidade – ou não – e também na forma como “consumimos” o nosso tempo. Tornámo-nos, de forma inequívoca, numa sociedade de consumo, quase que de forma vampiresca. Sugamos o tempo como se não existisse o amanhã. Mas será que realmente o “vivemos” ou simplesmente nos limitamos a “consumi-lo”, como fazemos com a Tecnologia que nos rodeia em casa, no escritório, e sem a qual já não podemos passar?
Senão, vejamos… Em vez de cartas escritas à mão (ou mesmo em computador), passámos a enviar emails. São enviados e recebidos num piscar de olhos. E quase no mesmo instante em que o acabámos de escrever atinge a caixa de correio electrónico do destinatário. É maravilhoso, certo? Claro que sim! Torna tudo mais rápido: o trabalho; a partilha das fotos das últimas férias, com os amigos e familiares; o envio de documentos, postais de aniversário e datas especiais; entre muitas outras opções. O reverso da medalha é que passámos a receber cada vez mais emails que solicitam a nossa atenção permanente e que nos obrigam a respostas imediatas, pois supostamente… esse é o seu objectivo: agilizar e elevar a produtividade global, com custos insignificantes para as máquinas mas… com uma maior sobrecarga no trabalho que nos espera, muito para além do processamento do email. Somos constantemente interrompidos, dispersamo-nos, e perde-se o tempo de qualidade para produzir o que é efectivamente relevante, mergulhando-nos na urgência dos prazos cada vez mais apertados.
Em vez de ver televisão aguardando que a programação siga o seu curso natural, passámos também a consultar frequentemente o Youtube (e outros sites do género), para ver “o instante” que perdemos em directo na TV. Também gravamos programas para ver mais tarde, enquanto usamos o nosso “tempo precioso” para fazer outras coisas durante essas horas. Tornámo-nos directores da nossa própria grelha televisiva e celebramos a libertação do sofá, ao poder ver os conteúdos que desejamos, no telemóvel, no portátil ou nos tablets, iPads e afins, em qualquer lugar. Estamos em movimento – na praia, no escritório, na montanha – mas sempre ligados ao mundo, ao que nos interessa ver e ouvir e com quem mais queremos “estar”. Mais revolucionário ainda: passámos a ter a possibilidade de partilhar com o mundo os nossos próprios conteúdos! Tudo o que nos apetece dizer ou mostrar que fazemos. Finalmente, a facilidade de poder partilhar a nossa vida de forma tão fácil e acessível… Vivemos a era da janela indiscreta com vista para a vida alheia. Dos amigos e dos desconhecidos que passaram a amigos porque são amigos de um amigo do amigo…
Tornámo-nos em activos consumidores de informação, independentemente do lugar onde possamos estar. Independentemente da fonte de informação. Isto é maravilhoso, não é? Claro que sim! Afinal, não é tão bom estar a escrever um relatório aborrecido ou um texto para o próximo livro numa esplanada belissíma, algures em frente ao mar, e ao mesmo tempo “estar” com os amigos? Óbvio. Fazemos tudo, sem perder um segundo e com todas as opções do pacote incluídas: trabalho, esplanada com mar e amigos! Ah, e claro… se a esplanada tiver acesso wireless ou se possuir uma pen de acesso à Internet móvel, ainda pode acompanhar a timeline no Twitter e no Facebook, ao mesmo tempo que partilha a fotografia do mar que tem à sua frente. Depois, resta ficar ansiosamente à espera de comentários, pulando freneticamente entre o trabalho, as redes, os amigos, os SMS’s e os telefonemas. E quando olha para as horas, repara que voaram e que ainda não concluiu o que queria fazer naquele suposto momento de trabalho, conciliado com a “tranquilidade e comunhão” com a natureza.
Passámos de olhares passivos a vozes activas que desejam “likes” e comentários como se desejam elogios, uma promoção profissional, e relevância social. É o que se faz ao partilhar a fotografia do sushi que se come no restaurante A ou B, a música que está a passar no lugar mais “in” da Noite e onde todos querem estar, ou ainda a indignação, por se ter sentido “maltratado” numa loja, de preferência, de marca conhecida para atrair maior atenção.
Basicamente, passámos a partilhar praticamente tudo, com todos. Desde a informação mais relevante ao facto mais nonsense e insignificante para qualquer um que está do outro lado.

De facto, há muitos anos atrás, quando ia ao Chiado com minha mãe e lanchávamos numa daquelas pastelarias da zona, a imagem que guardo é muito diferente. Por um lado, como já o disse, sinto-me uma privilegiada por presenciar uma evolução tão rápida na forma como a Humanidade vive. É uma época muito especial, a possibilidade de quase sem custos comunicarmos com alguém que está do outro lado do mundo, a rapidez com que nos deslocamos para os vários locais onde programamos estar, a facilidade com que se enviam documentos e se movimentam as contas bancárias, e muitas, muitas outras coisas excepcionais que conseguimos fazer tão facilmente, a um custo reduzido e de forma extremamente rápida! Por outro lado, comparo a qualidade de vida – e não me refiro a status ou situação financeira de cada um – a forma genuína com que disfrutávamos do espaço e dos que nos acompanhavam. Estávamos com quem realmente se encontrava fisicamente connosco, naquele mesmo lugar. Prestávamos mais atenção ao que nos rodeava e as conversas eram intensas e sem dispersões. Estávamos de bem com o relógio, que não parecia correr como nos dias que… correm.
É precisamente esta a equação que tento resolver, no sentido de encaixar o melhor destes dois mundos tão diferentes, mas ao mesmo tempo, não tão distantes assim.

O meu pensamento voltou à mesa onde estava quando um dos empregados sempre impecavelmente vestidos de branco me perguntava o que ia desejar. Por segundos, pensei na minha equação, mas achei melhor não pedir algo que teria de ser eu mesma a encontrar através da minha experiência pessoal. Optei por um café pingado e um pastel de nata com canela. Logo depois, o meu telemóvel alertou-me para um SMS que acabava de chegar. Era a Mónica a avisar-me que estava atrasada dez minutos. Respondi, dizendo-lhe para não se preocupar.
Voltei à minha questão inicial… Será que temos mais qualidade de vida com a variedade de formas de comunicação existentes? Estaremos mais sós ou mais acompanhados? Serão as relações mais constantes e em maior número ou mais distantes e marcadas por uma projecção da imagem que se deseja passar, que não dá a conhecer quem somos genuinamente? Partilhamos quem somos ou como queremos que nos vejam?

Numa altura em que a minha relação com as redes sociais e este tipo de partilha se tornou enfadonha e bem mais distante do que há uns anos atrás… confesso que não resisti a actualizar o meu perfil no Facebook e no Twitter com uma foto do espaço maravilhoso onde me encontrava a lanchar. E logo a seguir, o pastel de nata polvilhado de canela, claro!
Rapidamente, a tomada de consciência dos meus actos levaram-me a reflectir no seguinte: porque razão partilhamos com o “mundo” o facto de estarmos a lanchar em tal sítio, o que comemos, bebemos, o que vemos à nossa volta, e até o que sentimos em dados momentos?! E porque razão dou comigo curiosa acerca do que os outros estão a fazer com a sua vida?! Por vezes, pessoas que nem conheço, ou que conheço mal e não fazem parte do meu universo de relações mais próximo e familiar. É simplesmente uma forma de “matar o tempo” ou pura insanidade mental? Intriga-me se não será uma necessidade de “voyerismo” nas nossas vidas ou o não querer reconhecer que, mesmo quando estamos atarefados no trabalho, ou em puro lazer e com companhia, afinal talvez nos sentimos sós. Ou será mesmo o vírus de uma geração social/relacional, que atira o nosso ego para o palco principal onde queremos ser protagnistas a tempo inteiro, esperando pelos aplausos de um público praticamente desconhecido, na ânsia de satisfazer um eventual vazio ou uma falta de sentido no prazer de simplesmente estar e Ser?

Terminei o meu café a pensar nisto, sem no entanto resistir a verificar se existiam comentários ao meu pastel de nata com canela…
A Mónica acabava de chegar, mesmo a tempo de eu ver que tinha 9 comentários e 20 likes… E so what?!, pensei eu…

Abraçámo-nos efusivamente e ficámos à conversa durante horas. Definitivamente, eu não me sentia só. Aquele momento de partilha mútua era meu e da Mónica e nada era mais importante do que isso.
O telemóvel ficou na mala, guardado para outros momentos. Momentos em possa sentir-me… só, ou… preenchidos com a estranha necessidade de gritar ao mundo que estou a lanchar na Bénard e que vou saborear um belo pastel de nata com canela… mantendo apenas para mim aquele momento magnífico e verdadeiramente partilhado com a minha amiga. Sem interrupções.

O Mundo pode esperar para ver apenas o que eu quero partilhar. Os momentos de qualidade da minha vida são vividos e partilhados apenas com aqueles que os vivem comigo, num dado instante. E estes sim… em tempo real. Não virtual :)
Talvez seja esta uma das possíveis respostas à minha questão inicial…
A qualidade do nosso tempo é da nossa inteira responsabilidade. Não devemos culpabilizar a Tecnologia. A escolha entre nos tornármos dependentes desta, é exclusivamente nossa.

Saturday, January 22, 2011

Sharing a... Cup of White Coffee!

Our lives have changed tremendously with the Internet business boom. Instead of letters we send emails; instead watching the news on the TV we look through the YouTube; instead of reading the latest gossiping in the magazines we write it in a blog and share it at the social networks.

From passive eyes we became active voices that desire "Likes", "Comments", sharing our latest photos from the dinner in the fancy restaurant, the hot party in a trendy Club or from the weekend at the Countryside.
Basically, people share almost everything, from the smallest to the huge happening.

By the time that my relationship with social networks became deeply boring and distant... I found a new way of saying a lot without saying anything at all.

In the past few weeks I've became quite familiar with foursquare, or I should say... addicted! It's a kind of a social network where we have friends and share the places we are in a certain moment. We can add photos, tips and we also gather some points and special badges according to our performance. Then, our friends know where we are and doing what everytime we decide to share it. We can become Mayors of the places if we go often for several followed days.


After 52 friends, 14 Mayorships, 12 badges, 16 tips and 194 check-in's in two months, I am feeling completely addicted. Everytime I'm going somewhere I add the place at foursquare, watch where my friends are, read their tips and look at the photos. How thrilled I am everytime I share a new place, somewhere where I've never been before.


This is a bit weird and redundant. Why do I share with the world if I have lunch at Versailles and why am I so curious about where others are? Is this a question of having some time off or pure insanity? Is it an intriguing need of some voyerism in our lives or the recognition that even when we are busy, doing things and not alone we still feel... lonely?.... Or... is this the social generation virus that locks up our ego in a stage waiting for the public's applauses?

I finished my white coffee at Benard thinking about this. Still, I was updating my timeline at foursquare again with a photo of my cup of coffee to show I was really there! Mónica arrived five minutes later.

We've been talking for hours and time went by too quickly.
Definitely, I was not feeling alone. I left foursquare spending sometime alone in my bag waiting for... lonely moments or... moments filled with the strange need of shouting to strangers that the white coffee at Benard's it's great keeping to myself how great and fun my chat with Mónica was!

Monday, January 03, 2011

Seven Billion Humans!

About every second 5 people are born. 2 people die...
We live longer and... will our Planet be enough for all humans? Well, it won't be a question of space. Instead... Watch this video 'cause it's impressive!

Take Care.
Love,
Birdie


Sunday, January 02, 2011

A Brand New... Time!

Wow! We are officially in 2011!
When I was a kid I used to watch the serial on TV called Space 1999. Now, I am in 2011! This tells me that I've lived already a lot! :) Or, better saying, many years.
By that time I had my head full of dreams and hopes but I was not woried about the future. These dreams were short or middle time things to aim. As a normal kid, I was living each day and minute as if nothing else mattered. Well, and it seems that this is the right and clever way to live, at least is what the personal development books say. Incredible happy and "busy", days used to take a long time to go by and years seemed to be longer than now.
What happen to my notion of time? Is this a problem of... getting older? I mean... more experient??...

Well... the fact is that, nowadays, my time goes too quickly for the things I usually do and years go by at a huge pace looking like the more quickly they go the less things I do!
There must be something wrong with my internal clock!
Today I was wondering about this while I was having my morning coffee at Nautic's and looking at the news on the paper. Suddendly, there was a voice coming from the television that stroke me and invaded the quietness of a sunday morning break as well as the relationship I have with my coffee: Cadilhe's just launched he's new book about Travelling. It's called The World is Easy.
I watched the full report about the book and then I went back to my coffee and... to myself!
These last days I have been thinking so much about my life and so many things had happened around me that I keep thinking about moving into another country and give a real change into my life.
One of my best friends - Inês - went to Barcelona in the last day of the year, she's going to live there. Another friend of mine - Alexandra - is thinking about going to Madrid during this year.
Facing the fact that I have no kinds, no stable professional life and no personal commitments, apart friends, why staying? Would departure to a different place bring a "sense of more" to my Time?...
Well, right now I don't know. But the question is that I keep thinking about this possibility and this means something. What I really know is that I do not travel for quite a long time and Cadilhe just brought back this wish of me. On the other hand, I also know (and feel) that my life is redundant and in a limbo. It clearly needs to change! And the only person that can do this it's... me, myself and I.

It's a brand new year, it's time to bring resolutions to life and make real changes and this is the year!
I want to moove away from limbo and feel my well spend time again, feeling alive and doing things that keep me happy and laughing as the kid I used to be.

There's a brand New Year to do it! It's about time to fulfill my time with a different kind of life. Just have to figure out... how.


Take Care.
Love,
Birdie


Saturday, January 01, 2011

Having Fun or Buying Fun?

Faltam apenas algumas horas para o final de mais um ano... Acho que nunca estive tão ansiosa por ver um ano pelas costas como em 2010.
Não sou fã das festas de passagem de ano. Sinto uma euforia um pouco histérica à minha volta, que fervilha pelas lojas em busca do acessório perfeito para esta noite, em particular. Interrogo-me o porquê desta euforia com data marcada. Afinal de contas, o que nos separa de outro ano é apenas... mais um dia. Porque razão se faz tanto alarido por causa de... um novo dia que, por insistência da passagem certeira do tempo, simplesmente nos acorda também para um novo ano?

Desde bem pequena que me lembro de como esta época é especial. Nascemos e tornamo-nos adultos habituados a este entusiasmo e continuamos pela vida fora a "correr" para encontrar um programa, um destino, e claro está, a "imagem" perfeita a condizer com a festa e o ambiente. 
Não acredito em celebrações com hora marcada e, se não me apetecer festejar, não festejo, apenas porque todas as outras pessoas estão a celebrar a passagem de um ano para o outro naquele dia. E porque não celebrar a passagem de cada dia, quando chega a meia-noite? Ou assinalar a passagem de cada mês? Nunca vi uma celebração a nível mundial para celebrar a chegada da Primavera, por exemplo!

Associado a estes eventos de final de ano, vem sempre o negócio. São muitos os restaurantes, os hotéis, as companhias aéreas que aproveitam esta época mais "festiva", "happy and gay", para refinar ementas, ofertas, e... preços, claro. Preços que variam entre os 200 e os 1200 euros. Claro, há quem gaste mais, e... muito menos.

Mas no final de tudo isto... entre a busca pela euforia vivida na multidão em uníssono com o Mundo e o stress emergente que esta urgência despoleta, pergunto-me se de facto as pessoas realmente celebram o que quer que seja e se divertem verdadeiramente ou... simplesmente pagam por um divertimento globalmente marcado no calendário, socialmente obrigatório, evitando assim o risco de se ser olhado de lado, caso não tenham um alibi divertido para a noite de todos os fins e de todos os inícios?... E se possível com fotos que comprovem a dita e que possam distribuir pelas galerias das redes sociais.
Será que a diversão se procura por ser mais uma forma de nos encaixarmos socialmente ou porque queremos (e temos vontade naquele dia) celebrar a ocasião? 
Nas opiniões que se recolhiam nas ruas de Nova Iorque eram várias as respostas a esta pergunta, sendo que a esmagadora maioria afirmavam que procuravam passar o tempo, nesse dia e sendo NY uma cidade gigantesca, certamente haveria sempre alguma coisa para distrair, ver ou fazer ao longo do último dia e noite do ano. Apenas uma minoria dizia querer, assumidamente, celebrar a "sobrevivência" à crisel global de 2010, justificando assim a sua aparente alegria.

De facto, "tristezas não pagam dívidas" e, nunca como agora, este ditado voltou à boca da população. A urgência pelo divertimento é um volte-face à esmagadora maioria dos dias em que as pessoas vivem vidas apáticas, um pouco cinzentas e monótonas, esquecidas de como tirar partido dos pequenos momentos. Acho que Humanidade necessita cada vez mais de grandes eventos para poder "distrair-se" e "passar o tempo" para, numa última investida, colorirem a sua vida, mesmo que por breves instantes.

Neste novo ano, com o cenário de uma crise agravada, talvez fosse importante trazer cores a todos os nossos dias porque... é importante reaprender e descobrir os pequenos prazeres nas conversas do dia, nas pessoas de quem se gosta, nos livros, numa música, em fotografias passadas, num bom vinho e num prato especial, na viagem para o trabalho, entre muitas outras coisas... Aprender ou reaprender a viver com menos, mas para usufruir mais.

Boas entradas em 2011.
Take care.

Love, 
Birdie

Stress and the City, no YouTube

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