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Friday, February 13, 2009

Filho és, pai serás.

Ora deixa cá ver… a reflexão de hoje remete-nos para… 1… 9… 8 6.
Sim é isso! Foi na altura do Duarte & Companhia. Os meus pais já estavam divorciados e por isso o meu pai ia-me buscar aos fins-de-semana de quinze em quinze dias a casa da minha mãe, no seu Opel Kadett. Eu tinha, portanto 13 anos.

Nessa altura já respirava música. As aparelhagens não tinham CDs, mas já havia quem tivesse dessas.
Como tal, a rádio era um bem essencial e a capacidade de gravar músicas para cassetes era uma funcionalidade obrigatória nas aparelhagens de qualquer jovem. Era isso e ter um Spectrum 48K.

A rádio Cidade, pela mão dos brasileiros, dava cartas e inovava. Lembro-me que tinham um programa todas as Sextas-feiras chamado “Cidade Live Concert”. Devia começar à meia-noite e prolongava-se pela madrugada. O programa tinha a particularidade de passar um álbum ao vivo sem interrupções pelo meio. Essas noites eram verdadeiras vigílias. Era necessário desvelo para virar a cassete o mais depressa possível quando chegava ao fim para continuar a gravar do outro lado. Mesmo assim já sabia que uma música ficaria sempre sacrificada.

A importância dessa rádio era tal que não só anunciavam a existência desses álbuns, como os disponibilizavam para gravarmos sem publicidade pelo meio. A maioria desses álbuns nem sequer existia à venda em Portugal. E se existissem nós também não tínhamos dinheiro para os comprar.

Lembro-me perfeitamente de três concertos que gravei: John Lennon – Live in New York city (1986), Simone – Canecão ao Vivo 1979 e Bruce Spingteen & the E Street Band – Live 1975 – 1985. Este último correspondia a uma caixa muito cobiçada que continha 5 vinis lá dentro e custava um dinheirão. Todas as Sextas-feiras passavam um álbum até fazer o total dos cinco discos.

O meu pai nunca foi de procurar novos sons. Em casa e no carro ouvia sempre a música da sua geração e sabia quase todas de cor. Quando eu entrava no Opel Kadett do meu pai o percurso era feito ao som da Rádio Nostalgia. Na altura passava música dos anos 50 e 60 e para mim não era um problema. Comecei por me interessar e às tantas já sabia muito mais que qualquer outro miúdo de 13 anos.
Quando começava uma música na rádio, em jeito de concurso perguntava-me logo se eu sabia quem é que cantava ou qual o nome da música. Tinha que identificar logo nos primeiros acordes, senão dava ele a resposta.
O meu pai usava uns Ray Ban modelo Aviator e costumava cantar por cima das músicas enquanto conduzia. Devia ter perto dos quarenta anos.

Ora deixa cá ver… hoje estamos em 2009 e sou o Alexandre. O filho do Pai e o neto do Avô.
Não dá nada de jeito na televisão. O CSI ainda se vê bem.
Os meus pais já estão divorciados e por isso estou metade da semana com a minha mãe e a outra metade com o meu pai. O meu pai tem um Renault Clio e eu vou fazer 9 anos.

Respiro música, jogos, vídeos e tudo o que se mexa num ecrã. A internet é a base de tudo pois tudo o que referenciei antes pode se encontrado lá. Não preciso de ficar acordado. Se entrar no dia seguinte continua tudo lá na mesma. Não me lembro o que tive primeiro: se foi Leitor de Mp3, PSP, Play Station 2 ou PC. O importante é que tenho isso tudo.

No carro ouvimos várias rádios, mas destaque para a M80. Música dos anos 70, 80 e 90. O meu pai sabe tudo de cor. E volta e meia pergunta-me se eu sei quem está a cantar. O meu pai até é de procurar novos sons, mas coitado: as bandas surgem de uma forma tão rápida que quando se vai inteirar já a banda não existe.
O meu pai usa uns óculos tipo aviador e costuma cantar por cima das músicas enquanto bate no volante e no manípulo das mudanças. Deve estar a passar dos 35 anos.

Às vezes olha-me nos olhos e diz-me: “Filho és, pai serás.”

My Geneneration

Antes: The Who


Agora: Oasis


Depois: The Zimmers


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