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Friday, October 26, 2007

Noites Longas na Cidade...

Chego a casa de madrugada...
Contrariamente ao normal, não quero dormir...
Apetece-me relembrar a intensidade da noite na sombra reconfortante de um café acabado de fazer.
Ligo a chaleira eléctrica. No silêncio da casa ouço apenas os sons estridentes da minha agitação interior. Os que me mostram imagens contínuas de momentos, pessoas e espaços, vividos ao longo da noite.

Vou para a sala e abro a janela larga virada ao rio. Respiro fundo... uma e outra vez. Fecho os olhos para sentir o momento sem outras distracções...
Lá fora, a Lua cheia ilumina a sala com uma luz fria mas hipnótica e bela... É linda. "És linda"... sussurro, com voz rouca, cansada e gasta pelas horas...
Observo a avenida larga. É tarde... ou cedo, depende. Vejo ainda alguns carros em movimento.
Ao longe... ao longe, o brilho das luzes da outra margem e da ponte que, numa dança ritmada em jeito de "rave silenciosa" da madrugada, me agitam as emoções.

A chaleira chama-me, com o seu apito seco e esfumaçado pelo vapor.
Caminho calmamente e dirijo-me à cozinha, como se a noite fosse eterna...
Sentia-me menos inquieta e excitada pelas novidades, pela mudança em curso, por tudo e todos por onde os meus caminhos me têm conduzido...

O café... Está quase pronto. A água ferve já dentro da cafeteira onde o pó escuro e de cheiro intenso antes repousava e agora se envolve, esfuziantemente, com a torrente escaldante de água.
O café... Como um simples café é capaz de raptar-me o Coração e manter-me prisioneira das viagens da Alma.

Abro o armário para tirar a minha chávena amarela-torrado... De uma forma tão real, passa por mim o filme em que te revejo. O momento em que costumava perguntar-te qual a côr da chávena que querias, entre as mais de 10 chávenas coloridas que guardo, carinhosamente, e que acumulam histórias de família.

Estás aqui
, comigo... Em mim, onde sempre estarás. Sinto a tua presença, de tão intensa que é a lembrança.
Guardo cada gesto, cada olhar dos teus olhos de eterno menino... o teu toque... o teu carinho... as palavras e até a tua voz... Guardo-te. Em mim...
Respiro-te... Misturas-te com o aroma intenso do café, sem o qual não vivo... De olhos fechados, sinto cada momento da viagem, onde o aroma que invade a casa é a fita do filme que o café realiza... vezes sem conta. Sem açúcar. Basta-me a tua doçura...

Volto à sala e sento-me na janela ampla de parapeito baixo e confortável.
O calor do café acarinha-me a face quando cuidadosamente o beijo na primeira prova... É quente, intenso, denso, e forte...
Acarinho a chávena amarela com as duas mãos entrelaçadas para a proteger... para te proteger.

Já não sei o que me embala na frieza da luz intensa da Lua...
"I Know You're Somewhere Out There"...

Saturday, October 20, 2007

A Máfia das Análises Médicas

Na correria da derradeira semana que me aproxima vertiginosamente de uma nova etapa da Vida (uuuffff), corro para o posto médico.
Agarro com cuidado o típico tubo de laboratório muito bem protegido para não deixar escapar o fluído branco-amarelado, usado como amostra nas análises médicas de rotina...

Pensei que seria uma das primeiras pessoas a chegar. Afinal, é Sábado e a Clínica Médica abre às 08:00, e... enfim, vá lá que tivesse uma ou duas pessoas à minha frente... Não! Longe disso...
O relógio marcava as 08:03 de um sábado de Outono, cuja manhã fresca fazia adivinhar um dia intensamente quente para a época. E fiquei também a ferver porque já havia SETE pessoas lá dentro! Inimaginável! Só podiam ter dormido ali!!!
Achei que poderiam ser "Figurantes", para dar credibilidade à Clínica... Ri-me por dentro, quando pensei nesta idiotice... Uma Técnica de Marketing curiosa...
Esfriei a cabeça ao rir da minha idiotice... o que é muito frequente, if you know what I mean. Aliás, nem sei como me estão a ler, ainda. Se calhar não estão!... Pois...
Bem, adiante.

Puxei por uma daquelas senhas amarelas que com um número nos indicam quando vai chegar a nossa vez.
Sentei-me, e ... esperei...
Eram-me todos indiferentes. Eu estava ainda ensonada e pensava apenas no momento indescritível que é, para mim, sentir a agulha penetrar na veia e sugar-me das entranhas um líquido espesso, vermelho muito escuro. Precioso líquido que me invade o corpo e me dá Vida...
No entanto, prefiro saber que ele está cá dentro, sem ter de olhar para ele...

No meio destes pensamentos meio idiotas - já vos disse que sou idiota, não disse? Depois não se queixem... - dei comigo a reparar no plasma - SIM, PLASMA! - do Centro Médico! Wow! Afinal, ainda dizem mal da Saúde! Eu estava ali, numa Clínica Médica pública, a olhar para um Plasma e, "plasme-se", estava sintonizado na SIC Notícias, imaginem!
Que maravilha! Não tinha de suportar aqueles desenhos animados dos Sábados de Manhã, quase tão idiotas como eu, ou os concurso de televisão que geralmente neste locais e nos cafés passam para entreter os "Enfants Terribles!"...

E falando em "Enfant Terribles"... Depois de gastar meia embalagem de Kleenex para recolher a baba que ia soltando ao contemplar aquele plasma, fitei com atenção as notícias do dia... E com isto, já nem se pensa em sangue. Pelo menos no nosso! Apenas se sente um pouco... na pele...
Bom mas depois de avidamente me degustar com as notícias, começou a publicidade, e... RIIIING! SETENTA E QUATRO! SETENTA E QUATRO! Ooops... era a minha vez!
Este é outro momento delicioso! Parece que estamos no Bingo! Aliás, eu quase disse "BINGO"! Mas contive-me.
Depois daquele impulso repentino de me levantar e mostrar que era EU - e mais ninguém, nos arredores - quem possuía aquela senha, abrandei o ímpeto e calmamente murmurei qualquer coisa como: "sou eu... " como se me chamasse setenta e quatro...

Tratei das papeladas todas, documentos para aqui, assinaturas para acolá, cartão de utente, enfim... Parecia o processo de compra de Habitação no balcão de um Banco... do BCP, por exemplo! Bem, aí já não sei... Poderia sempre subir no elevador e falar com o Tio. O Tio Jardim, quem mais??!
Terminado o "processo", voltei para o meu lugar à espera que me chamassem para o momento sublime das análises médicas!

Confesso que se instalou um formigueiro no estômago... Pensei que pudesse ser fome. Afinal, não tinha ainda tomado o pequeno-almoço, e com sou tipo "passarito" a comer, o jantar do dia anterior já estava muito longe, concerteza... Mas não... Não era fome, nem vontade de comer.
Comecei outra vez a imaginar a agulha a... ok! Já expliquei, não vou repetir o processo do "espeta ali", "suga o sangue" acolá... argh!!

Concentrei-me novamente na SIC Notícias.
Fiquei fascinada com as imagens que via e, em segundos, estava "presa" ao ecran.
O mar azul-turquesa, a areia com um tom dourado-escuro, as casinhas brancas nas encostas de rochedos castanho-escuro... LINDO! Era na Secília!
Entra, em contraponto, uma imagem com um pedaço enorme de carne crua, num talho! AAArghhhh! Caaaarrrneeee! Cruuuuuuaaaaa!!!! Por favor!Tenham dó! São só 08:30 da manhã de um Sábadooooo e eu vou tirar sangueeeeeeee e sou Ovo-Lacto-Vegetariana!!!!
Num ápice, muda o plano para o dono do talho. Um Italiano rechunchudo que falava da Famiglia... mais concretamente da família Corleone e do Padrinho. Factos reais, nada de filmes de Hollywood!
O que mais me chocou foi perceber pelas fotos que iam mostrando - felizmente, quase todas a preto e branco - que as provas existentes de "ajustes de contas" entre Famílias, naquela região e arredores, são bem piores do que aquelas que nos contam os filmes...

Entre sangue, bocados de carne crua, Mafia, a imagem de uma agulha a picar-me as veias... senti-me a esvair pela cadeira, com alguns suores frios e o estômago virado do avesso, como se estivesse a ver um filme de terror!
Foi quando achei que não ia aguentar e ia deitar qualquer coisa que já não existia cá para fora.
Ao longe, muito ao longe, ouvi o meu nome! Acho que me chamaram umas três vezes... Bolas! Respondi mais depressa à chamada do "setenta e quatro" do que ao meu nome! Isto não é normal...

Lá fui para o gabinete, onde a enfermeira muito sorridente me dizia os bons-dias e perguntava em qual dos braços eu preferia ser "picadinha" para "recolher a amostra"... Aquela história do "picadinha", ainda me deu mais a volta... ao estômago!!! Qualquer um servia, e enquanto lhe dizia que ia virar a cara, para não ver a agulha, pensei que esta história de fazer análises também tem a sua Máfia!

Vejamos: aqueles que às 08:03 da manhã já lá estão - SENTADOS E COM AR DE QUEM NÃO DORMIU, DE TROMBAS, A OLHAR-NOS COMO SE FOSSEM OS DONOS DO BLOCO, ESTÃO A PERCEBER??! - a história dos tubinhos cheios de sangue, minuciosamente catalogados, analisados - tal como antecede ao ajuste de contas entre famiglias - a carne - a do meu bracito, claro, e no final, ela olha-me com um sorriso "malicioso", e fala-me de "picadinha"?????! O que é isto???? Enfim, comparações, não faltam...

Pelo meio destas minhas evasões horroríficas, ouço a "Madrinha" de bata branca dizer-me para esperar e não me levantar.
Percebo que o pesadelo tinha terminado... Foi rápido! E nem senti nada, desta vez!
Até nisto, esta "Máfia" funciona bem!! Fantástico! Rápido, Indolor e Limpo!

Saí da Clínica e rumei à praia para tomar o pequeno-almoço... Olho em volta e vejo a pequena encosta pouco escarpada que envolve as praias da margem sul... Estas não se comparavam com as que vi no documentário mas... pelo menos, agora sentia-me bem melhor e... mais segura...
Ah! Maravilha... o meu sumo de laranja e o meu pão de cereais torrado... Hummmmm....
Mergulhei na nova Etapa que aí vem...
Sem Padrinhos... ;)
Ainda vou ter saudades disto...


Thursday, October 18, 2007

Uma Possível Resposta a uma Pergunta Difícil...

Em certos momentos, flutuam na nossa mente imagens e palavras que pertencem a histórias passadas.
Costumo achar que tenho um Realiza(dor) dentro da minha cabeça. Talvez todos tenham um...
Umas vezes passa pequenos filmes de comédia, outras vezes, nem por isso... É como uma Sala de Cinema exclusiva, onde revivemos filmes da nossa história pessoal, do nosso percurso de Vida, e nos quais fomos quase sempre personagens principais.

Fragmentos vários surgem em turbilhão, como num trailer de um filme intensamente vivido e que conta uma história cujos ingredientes são, invariavelmente, os sentimentos e o tempo
infinitamente únicos e bonitos, que partilhámos com alguém...

Como banda sonora, surgem temas clássicos como a Alegria, a Saudade, mas também a Dor.
Alegria e Saudade da intensidade dos momentos e daqueles com quem os partilhámos. Dor de perda... de incompreensão...
Por vezes, o Compositor acrescenta ao enredo temas acutilantes de mistério, intriga, e farsa, ou então sons mais nostálgicos, que acompanham filmes nos quais, como em alguns
puzzles, faltam peças. Nestes, a fita é cortada onde menos se espera, e a história é interrompida de uma forma bruta e original, não caíndo jamais em esquecimento...

A resposta à pergunta desta música lindíssima de Al Green é, por isso, muito pessoal e única... como os filmes que cada um vive e... escolhe reviver...
Depende do nosso estágio de desenvolvimento interior. Depende da maturidade e da capacidade de encontrar um sentido para cada história mais triste, a fim de seguir em frente sem muitas cicatrizes...

O Tempo, bem como algum trabalho de auto-conhecimento onde são bem-vindas umas pitadas de auto-estima e humor, são algumas das linhas com que, a frio, fechamos as feridas. A frio, porque é necessário Tempo para desinfectar e deixar ao ar, para conseguir repôr os níveis de inconsciência activa e consciência pro-activa...

Está escuro, lá fora... delicio-me nesta música muito especial ao mesmo tempo que pergunto baixinho... "How Can You Mend a Brocken Heart?"...


Tuesday, October 16, 2007

A Correria Frenética de um... E-mail!

Alguns de vocês já devem conhecer, mas... acho simplesmente FANTÁSTICO este... "circuito do e-mail"! Adoro-te GOOGLE! :))

Enjoy!

Monday, October 15, 2007

A Dor da Dor *

A noite estava abafada...
Preferi andar um pouco a pé, antes de ir para casa.

Vagueei no meio de tanta gente e ninguém, sem nada sentir.
Apenas me acompanhava uma dor na garganta seca. Não era a dor de garganta comum que geralmente anuncia uma gripe, nem tão pouco aquele arranhar, depois de tanto c
antar ou gritar de alegria ou de raiva. Eu permanecia em silêncio há vários dias. Apenas soltava umas frases feitas, palavras de circunstância, servidas por um sorriso cordial e amarelado como o Sol encoberto. "Palavras-chave" decoradas, que me permitiam continuar fechada na minha paz apática, sem que isso pudesse ser entendido pelos demais, em meu redor.

Aquela dor era diferente... conhecia-a bem, e sei o quanto é difcíl de curar... Mas não a esperava. Apanhou-me de surpresa, pensando eu que já tudo tinha passado. Sim, porque há sempre coisas que se devem deixar passar... Ao lado ou de preferência, bem ao longe!

Conhecem aquela sensação de pescoço apertado, totalmente asfixiante, à medida que se vai sentido menos espaço para o ar passar? O pescoço e a cabeça entorpecem e sinto-os muito pressionados. O rosto vai ao rubro, e a boca, na tentativa de expulsar qualquer coisa que parece estar ali a mais e algures, quer soltar-se em busca de ar! Mas não sai nada. Nem palavras, nem sons. O que parece exaltar-se são os olhos. O que não se solta pela boca e nos entope a respiração, invade os olhos, torna-os baços, vermelhos e rígidos, enchendo-os de grossas gotas de água salgada.
Foram os primeiros sintomas. Muito fortes e intensos.
Senti-me sufocar...

De repente... numa vertigem olhei na direcção do céu, para tentar respirar melhor, erguendo o meu pescoço, como quando nos sentimos a afundar no meio do mar.
No fundo talvez fosse isso mesmo... afinal, se andava náufraga de mim mesma, talvez me estivesse a afogar, naquele momento. Se calhar tinha perdido todas as forças, sem perceber... Quando a apatia nos invade, não se sente nada, porque o vazio é de tal forma gigantesco que apenas se ouve o eco do turbilhão do mundo exterior. Não resta mais nada.
Tossi, e consegui respirar de novo! Como quando algo nos puxa para voltar à tona de água.
Mas o aperto voltou novamente. A intensidade ia oscilando...

Reparei que o céu mostrava muitas nuvens em tom arrosado escuro, tipicamente vestidas para um início de noite de Outono, a adivinhar chuva.
Lentamente, as nuvens deslocavam-se e encaixavam-se umas nas outras formando um manto espesso que parecia também impedir o ar de circular, ao mesmo tempo que tornava o ambiente ainda mais quente...

Cheguei a casa.
Abri as janelas rasgadas que me enchem de vida quando respiro fundo e olho para o Rio que se mistura com o Mar, o pequeno jardim cuidado, a ponte ao longe com as luzes pequenias a reluzir, como que rindo do seu reflexo na água...
No meu quarto brilhava o Crescente. O quarto da Lua, que com a sua luz singela me ajudou a acender as duas velas aromáticas.

De repente... fui apanhada de surpresa por um clarão gigantesco que iluminou toda a cidade. Pelo menos todo o pedaço de cidade que consigo ver da sala, onde abria a última janela.
Não corria uma brisa... Sentia-me sem ar. Lá fora também não o havia...
Num ritmo oscilante, os relâmpagos repetiam-se. Em simultâneo, a minha sensação de asfixia permanete, acompanhava o mesmo ritmo
.

Gotas de água começaram a chorrar do céu...
Caíam pesada e incessantemente, de uma altura inatingível...
O Céu desabou naquele momento.
Do alto da minha janela rasgada... desabei... inexplicavelmente...
Sem pressa, soltava-se a dor que me magoava e me impedia de respirar...
Sem pressa, bebi da cumplicidade da chuva que, ao refrescar-me o rosto, se misturava com a minha torrente intempestiva...
Não sei quando parei... Deixei-me ficar...





Like anyone would be
I am flattered by your fascination with me
Like any hot-blooded woman

I have simply wanted an object to crave

But you, you're not allowed
You're uninvited
An unfortunate slight


Must be strangely exciting

To watch the stoic squirm

Must be somewhat heartening

To watch shepherd need shepherd

But you you're not allowed

You're uninvited

An unfortunate slight


Like any uncharted territory

I must seem greatly intriguing

You speak of my love like

You have experienced love like mine before


But this is not allowed

You're uninvited

An unfortunate slight

I don't think you unworthy
I need a moment to deliberate


*
Hoje, 15 de Outubro, dia Mundia da Dor

Saturday, October 13, 2007

A Última Vez

13 de Outubro...
Depois de sentir - ao contemplar a grandiosidade do momento - as emoções, o espaço e a beleza do significado que se sente em tudo o que foi feito para edificar o Santuário da Santíssima Trindade, em Fátima, só me resta ouvir... em silêncio...

Dedico a um amigo... Para o Alex.


Wednesday, October 10, 2007

Sede de Amor...

Nicolas Sarkozy afirmou recentemente que, "em Política estamos todos voltados para nós próprios. O que se vive é a obsessão de Si e o inevitável esquecimento dos Outros".
Acho que esta forma de estar não é um exclusivo da Política.

Tal como o Marketing, a Política também é um misto de Ciência e Arte, onde se procuram audiências, se ditam estratégias, se estimam resultados, apela-se às plateias e pedem-se muitas palmas...
Se pensarmos bem, esta atmosfera Egocêntrica que nos pressiona ao limite, transforma vivências em experiências "selvagens", diluí regras e condutas de ética, e é transversal a todas as áreas da nossa Sociedade.

Não é de estranhar que ontem, dia 10 de Outubro, o Suicídio tenha sido o foco central do Dia Internacional das Doenças do fôro Psicológico.
Os indicadores mundiais deixaram-me perplexa:

a cada 30 segundos há alguém que comete suicídio, em todo o Mundo...

Acredito que há muito falta de Amor e Respeito pelo próximo...
Não olhamos para o lado, e caiu em desuso o estender a mão em auxílio de alguém.
É mais fácil, e... não temos tempo...

Para um amigo, o KKruel, que de longe se tornou presente. Para todos os anónimos que, desinteressadamente, ajudam e pensam nos outros, sem pedir nada em troca. Para os que Amam, incondicionalmente, os que um dia lhes viraram as costas e fingiram não ver...
Fistful Of Love

Um Pequeno T2... (versão Stress and the City)

Como seria esta canção, se em vez do Ricardo Azevedo, pedissemos ao nosso actual PM para escrever a letra...?

Ouçam a música, e cantem com a letra escrita abaixo, por favor...
Afinadiiiiinhos!!
Vamos lá!
Um, dois, três!!




Eu sonhei que a Europa estava a acabar
E isso fez-me pensar
Em tudo o que eu
Poderia fazer
Engendrei
Um plano muito feliz
Vou fintar quaisquer perguntas
Para concretizar
Os meus planos.

Apenas estou a virar
O meu país de pernas para o ar
E não vou deixar ninguém questionar
O que eu ditar!

Um pequeno País onde não irá haver depois
Com vista para o Desemprego e Probreza,
Sem carro ou casa
Para Viver!

Apenas estou a virar
O meu país de pernas para o ar
E não vou deixar ninguém questionar
O que eu ditar!

Estou a virar
O meu país de pernas para o ar
E não vou deixar ninguém questionar
O que eu ditar!


Só me faltava agora o Desemprego
Para me vir importunar,
Só comigo...
Vou tentar...
"INDRO-MINAR"!

Apenas Estou a virar
O meu país de pernas para o ar
E não vou deixar ninguém questionar
O que eu ditar!
[refrão x 2]

Tuesday, October 09, 2007

Será Possível Escrever o Silêncio?...

Empurrei a velha porta de madeira pesada e empoeirada pelo tempo.
Mesmo depois de rodar a chave enferrujada consegui entrar ao fim de três empurrões persistentes, sendo que o último quase me fez aterrar no corredor de tábua corrida, gasta pela corrosão do vazio...
O ambiente era escuro, muito frio e... deprimente.
As teias de aranha e o que cobria os móveis, candeeiros e muitos outros objectos de uma casa, outrora habitada, tornavam aquele espaço num verdadeiro cenário de filme de casas assombradas.

Passaram quase dois anos... Parece que foi ontem.
Recebi a notícia por telefone, e mesmo sabendo que já estava muito doente, não queria que fosse verdade...
Mantive a frieza suficiente para fazer a viagem até Viseu sem derramar uma lágrima.
Mesmo depois de a ver, rodeada de flores, de amigos, de muitas pessoas que eu nem conhecia, entre as quais, figuras notáveis da região que me vinham "dar os sentimentos", mantive-me firme. Ainda hoje não sei descrever se em choque, se em apatia, que não durou por muito tempo. No dia do Funeral, não suportei o peso, e como o céu carregado de nuvens escuras, desabei...

O "Dar os sentimentos" é algo bizarro... como se fosse possível partilhar a dor que se sente quando se perde alguém com quem nos habituámos a estar desde que nascemos. Alguém com quem discutimos, com quem brincámos, com quem nos rimos, e a quem nos dava especial prazer irritar sabendo que responderia à letra.
Com a minha Tia era assim...
Havia sempre assunto. Defendia a região com unhas e dentes, idolatrava o Fernando Ruas, era membro activo de diversas associações, entre as quais, a Liga Portuguesa Contra o Cancro. Trabalhava no Hospital local, onde era Enfermeira. A Menina Angela, como lhe chamavam...

Agora... não a ouço. Recordo muito ao longe a sua voz forte e de timbre elevado, com forte sotaque da Beira. Aquela voz que me acordava todas as manhãs e da qual me queixava por não poder dormir até mais tarde... Mas no fundo, divertia-me com ela, e com a sua forma genuína de estar.
Agora, ouço... Silêncio.
O vazio do espaço, o frio da casa fechada, e o pó que não vê raios de Sol há meses fazem-me sentir tonta e enjoada. Tive de sair por uns instantes para respirar fundo e ganhar novo fôlego para regressar. Pensei nela, mais uma vez, e... entrei.

Passei o fim-de-semana alargado a recolher, seleccionar e a guardar em caixas um pouco de tudo: roupas, louças, objectos pessoais, fotografias, cartas, bilhetes, blocos de notas, pulseiras, brincos e colares... uma infinidade de coisas que me fizeram viajar no tempo... As chávenas onde me servia o leite com café ao pequeno-almoço, a velha torradeira onde aquecia a brôa da Tia Ermelinda...
Sabia que esta não seria uma tarefa fácil... E por isso, fôra tantas vezes adiada...
Por entre lágrimas que naturalmente escorriam quando me recordava de certos momentos, fiz algumas pausas para respirar fundo e continuar a tarefa que me irá tomar vários dias.

O fim-de-semana foi pautado pelo Silêncio...
Um silêncio gelado, que me povoou de um vazio enorme que se reflectiu num aperto tremendo no coração.
Passei os olhos com mais atenção pelas fotos que encontrei guardadas numa grande e pesada caixa. Vi o filme da Vida dela... os estudos no Porto e em Coimbra, as idas a Lisboa, as Viagens com as amigas, os casamentos, os baptizados, os aniversários, os amigos, os colegas do Hospital... retalhos de uma Vida que se apagou cedo demais.

Queria poder dizer-lhe que gosto muito de si.
Queria poder pregar-lhe mais partidas por telefone e irritá-la com os meus discursos que reduziam Viseu a um "lugarejo no fim do mundo", e enalteciam a "supremacia" Lisboeta!
Era esta a nossa troca de afectos. Entendiamo-nos tão bem...

Eu sei que a Tia adorava essas provocações, e sabia que não passavam disso. Provocações. Por gostar tanto de si, para lhe dar alegria e vontade de rir...
Queria que soubesse que penso em si e que os Natais nunca mais foram os mesmos, desde que deixou de vir a Lisboa, por estar doente.

Silêncio... Pelas recentes recordações com que Viseu me brinda - além das suas, existem outras - cuja origem tem diferentes contornos mas que me remetem, também, para o Silêncio infinito...
Silêncio... A Casa vazia e fria está triste e silenciosa.
Silêncio... O meu interior pesado e saudoso, vagueia entre o passado e o presente. Não consigo falar. Escrevo. Escrevo-te...

Silêncio... No meu coração cansado, gelado e em estilhaços, pelo atroz vazio em que me deixaste. Tal como me senti na casa da minha Tia (agora minha), também tu, dois anos mais tarde, te traduziste num vazio frio, ensurdecedor, que agonia e esgota as minhas lágrimas de tanta desilusão, e me vencem por cansaço de tanto me interrogar: "porquê?"...

Nobody Knows.


Sunday, October 07, 2007

A Bola que Mudou o Mundo

Com cerca do dobro de uma bola de futebol e pesando pouco mais de 80 Kg, o Sputnik não tinha nenhuma função específica a não ser transmitir um sinal de rádio que podia ser sintonizado por qualquer radioamador. Mas se por um lado o lançamento do primeiro satélite artificial representava uma nova dimensão da experiência humana, remetendo-nos para a possibilidade de sonharmos com uma exploração espacial, por outro lado alterou por completo o propósito e o objectivo da guerra-fria que se vivia na altura.
Com o lançamento do Sputnik, a União Soviética demonstrou a sua potência tecnológica. O inofensivo pontinho brilhante que passeava no céu passou a ser visto com preocupação pelos americanos. Hoje era uma esfera amanhã podia ser uma bomba nuclear.

O Sputnik mergulhara os Estados Unidos numa crise de confiança. Igual às que vimos antes com Pearl Harbor, que precipitou a sua entrada na segunda guerra mundial e mais recentemente com o 11 de Setembro que descambou na guerra no Afeganistão e na invasão do Iraque.
Desta vez, como resposta, a super potência Americana iria dar início ao programa Apollo que duraria 12 anos e terminaria com a chegada do homem à lua.
Foi assim à 50 anos atrás. A bola que mudou o mundo estava longe de saber que hoje colocamos tudo o que queremos no espaço. O mundo evoluiu, mas os Estados Unidos parecem continuar os mesmos, pelo menos no que respeita aos comportamentos imperialistas. Estarão sempre fechados em si próprios, confiantes nas suas políticas até aparecer uma outra bola qualquer no espaço que os agite e que os faça pensar. Só é pena os seus pensamentos geralmente terminarem em políticas desastrosas que sacrificam muitos.

50 anos de evolução tecnológica e extinta a guerra-fria a ameaça nuclear continua. Agora protagonizada pela Coreia do Norte ou pelo Irão. É caso para nos juntarmos ao Sting e dizermos “I hope the Iranians love their children too”.

Thursday, October 04, 2007

Os 50 Anos do Satélite SPUTNIK

"O Sputnik protagonizou um acontecimento sem precedentes na história da humanidade e, no nosso caso, deu um forte impulso ao programa espacial dos Estados Unidos, pois sem ele não haveria a Apolo" - Michael Griffin, administrador da NASA.

O seu objetcivo era determinar a densidade das camadas mais altas da atmosfera. Os dados transmitidos através de sinais de rádio (BIP-BIP-BIP), podiam ser ouvidos por radio-amadores em todo o Mundo.
Manteve-se activo por 21 dias, tendo caído na Terra a 4 de janeiro de 1958.

O lançamento do Sputnik, uma esfera de alumínio polido de 83 quilos que sobrevoava a Terra a uma altura de mil quilómetros e emitia sinais, mudou o Mundo, e contribuiu para grandes desenvolvimentos e descobertas, bem como, para dar asas ao que hoje se denomina de Aldeia Global.

Um mês depois do lançamento do Sputnik, a cadela Laika tornava-se no primeiro ser-vivo enviado ao espaço (3 de Novembro de 1957), no Sputnik 2.
O peso deste satélite era de 500 quilos, muito mais do que os americanos poderiam colocar em órbita naquela altura.
Um cone com uma base de 2 metros por4 metros de altura dividia-se em diversos compartimentos que continham: transmissores de rádio, um sistema de telemetria, um sistema de regeneração e controle da temperatura da cabine, além de instrumentos científicos, como espectrofotômetros para medição da radiação solar (emissões ultravioleta e raios-X) e raios cósmicos.

Noutro compartimento, pressurizado, viajava a Laika vigiada por uma câmara de televisão. A "cabine de passageiros" possuía espaço suficiente para que a Laika ficasse de pé ou deitada. Um sistema de regeneração de ar fornecia oxigénio, e a comida e a água eram fornecidos em forma gelatinosa. A Laika estava amarrada a arreios e tinha uma bolsa de recolha de dejectos. Havia diversos electrôdos presos ao seu corpo para recolher todos os sinais vitais.

A Laika era uma cadela abandonada que vagueava pelas ruas de Moscovo, e foi escolhida entre dez cães por ser calma e sociável.
De acordo com Dimitri Malashenkov, no Congresso Espacial Mundial, em Houston (Outubro de 2002), a Laika morreu devido a um choque provocado no espaço, e por um ataque de pânico, após a descolagem. O coração de Laika parou poucas horas depois do lançamento.

O Sputnik 2 não estava equipado para atravessar novamente a atmosfera, pelo que, já estava planeado sacrificar a Laika após os dez dias de vôo.
O satélite ainda permaneceu quase meio ano em órbita.
Em função das características da sua órbita, o satélite passava sempre à mesma hora nos mesmos lugares, sendo facilmente identificado no céu, a olho nu.

Quando o Sputnik 2 voltou à atmosfera terrestre foi um espectáculo inesquecível, presenciado por milhões de pessoas. Navegou como uma estrela cadente nos céus da Inglaterra, após o pôr-do-sol.
Nas primeiras horas da manhã do dia 14 de abril de 1958, caiu sobre o Caribe.
Muitas vezes mais brilhante que Vénus, deixou atrás de si uma grande quantidade de fragmentos brilhantes e um rastro luminoso... e finalmente extinguiu-se.

Dedico ao velhinho Sputnik (e aos que se seguiram) e à Laika, uma música dos também velhinhos Sigue Sigue Sputnik, que em 1985 lançavam este êxito do Punk Electrónico, com sons muuuito futuristas...

Tuesday, October 02, 2007

Os Primeiros Dias de Outono...

Os meus primeiros dias de Outono foram passados na Beira.
Coincidiu com o fim-de-semana em que choveu torrencialmente em muitas regiões do país.

Na viagem, a paisagem verdejante, o cheiro a pinheiros e eucaliptos, e o céu carregado de nuvens com dimensões generosas que se colavam rapidamente umas às outras, formavam uma camada espessa e opaca que impedia ver um único raio de Sol. Parecia que o céu tinha vestido um manto cinza escuro para se abrigar do frio que se fazia sentir, à medida que me ia aproximando do meu destino.

Senti uma certa nostalgia... o cheiro das primeiras chuvas fortes e da terra molhada, e o frio que me gelava as mãos e a cara, trouxeram uma nota de saudade dos dias assim. Frios e chuvosos, em que só apetece ficar junto a uma lareira, algures na Beira, ao sabor de um chá, de brôa de centeio ou da bôla caseira, e das compotas preparadas pela melhor mãe do Mundo: a minha!
não tenho frio...

Monday, October 01, 2007

E Para os Que Respiram Música...

Hoje celebra-se o Dia Mundial da Música.
Apesar de festejar este dia, TODOS os dias do Ano, hoje fiz questão de dedicar umas palavras aos sons que têm pautado cada segundo da minha existência, e que vão compondo a magnífica Banda Sonora desta fantástica Viagem que é a Vida: o descobrir, o aprofundar, e o absorver todas as emoções da Alma Humana.

Assim, ao Dó, ao Ré e ao Mi, ao Fá, ao Sol, ao Lá e ao Si, dedico carinhosamente uma das muitas músicas em que participam activamente (como em todas), e que toca, particularmente, todos os acordes do meu Ser...

Um Brinde à Música! Um Brinde à Vida!
Just... Breathe!


Stress and the City, no YouTube

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Countries & Cities Where I've Been.