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Friday, January 30, 2009

Escrever enquanto todos dormem

Tinha uma alcunha comprida. Chamávamos-lhe “Johnny the mack in the big cave” quando tínhamos os nossos 15 anos. Se nos questionarmos porquê, ninguém sabe a resposta. Poderá ter sido uma personagem de banda desenhada mas não temos a certeza. Acho que chamávamos sobretudo por três motivos: todos tínhamos que ter alcunhas; Johnny era uma palavra inglesa e dava estilo quando prenunciada; mas sobretudo por ele se chamar João Nascimento.

João do Nascimento, como é conhecido agora, foi talvez o único dos meus amigos que se destacou no campo cultural e literário. Jornalista num jornal diário da capital editou o seu primeiro livro de poesia Duas Pegadas de Água na Chuva em 2001 na Quasi Edições. Em 2003 publicou na Editorial Notícias o livro Do Agreste ao Planalto, uma biografia do Presidente do Brasil, Lula da Silva e no passado dia 22 de Janeiro lançou a sua primeira obra de ficção - Escrever Enquanto Todos Dormem (triologia) - na Portugália Editora.

Fui até à nova livraria Buchholz no chiado felicitá-lo e encontrei um Johnny igual a ele mesmo. Calmo sereno e espirituoso como sempre. Enquanto o livro era apresentado o meu pensamento regressava a 1985 e à nossa escola secundária. As imagens dos fins-de-semana em Caneças, as passagens de ano, os ensaios de música no Estúdio Som, e as idas de cacilheiro à praia de São João pairaram por instantes na minha memória.

Apesar de não ter lido ainda o livro já se justifica este post no blog. O João do Nascimento é um motivo de orgulho para mim e faz-me acreditar que nem tudo ficou perdido daquela fornalha de jovens que um dia saíram da mesma escola secundária.
Entre os que foram para a polícia, os que se tornaram bancários ou profissionais de seguros ou os que se encaixaram na função pública, o Johnny teve a capacidade e a sorte de ir mais além e eu fico muito feliz por isso.

Em relação à obra, a minha opinião virá, como de costume, em forma de post. Será a minha próxima leitura assim que as férias do mestrado me proporcionarem outras leituras.

Ler Johnny será como voltar a lembrar os velhos tempos.

Thursday, January 29, 2009

A lista da morte

Há coisa de duas semanas emprestaram-me um filme. O The Bucket List de 2007 dirigido por Rob Reiner com Jack Nicholson e Morgan Freeman nos principais papéis.

O filme conta a história de dois doentes em fase terminal que se conhecem no hospital. Um é rico (Jack Nicholson) e o outro não (Morgan Freeman). Ao descobrirem que lhes resta poucos meses de vida resolvem fazer uma lista de desejos que gostariam de realizar antes de morrer. O dinheiro não é problema e nos meses seguintes viajam pelo mundo realizando cada um dos seus desejos.

O tema até é bom, mas a leviandade com que é abordado acaba por estragar tudo. O filme é uma comédia dramática pois retrata um drama com a ligeireza característica do género e com isso consegue mostrar como se desperdiça dois dos melhores talentos da representação de hoje, num argumento fácil e carregado de clichés.

A previsibilidade da trama e o dilema moral entre o espiritual e o material há muito que é recorrente em Hollywood e quando abordado desta maneira, não atinge outro objectivo senão o de entreter e fazer rir. Se o objectivo era colocar as pessoas a pensar sobre a forma como andam a viver, acho que ficaram um pouco aquém.

Se compararmos a Lista de Bucket com o magnífico Into the Wild (Sean Penn, 2007) verificamos que o primeiro rendeu $175,000,000 sendo 53% das receitas provenientes dos EUA, ao passo que o segundo rendeu apenas $55,000,000 sendo a Europa e resto do mundo responsáveis por 67% dessa receita.

Ambos os filmes falam um pouco da mesma temática embora com abordagens diferentes. Mesmo sabendo que a Lista de Bucket junta no elenco dois grandes actores, o que desperta a curiosidade e a apetência do espectador, estes resultados levam me a duas simples conclusões: (1) Os americanos preferem a comédia ao drama; (2) Apesar de menos visto que o filme de Rob Reiner, o Into de Wild foi mais visto pelo resto do mundo.

Com isto vemos traçado o perfil do americano comum que prefere abordar os dramas de forma lasciva e descontraída sem ter muito que pensar.
Ao contrário do americano, eu pensei muito e não sei se hei-de classificar o filme como mau, péssimo ou medíocre.

Mas para zombar da morte nada melhor que os Monty Pythons no The Meaning of Life de 1983 . Aqui fica um apanhado dos melhores momentos ao som de um tema que também fala da morte "Welcome to the Black Parade" dos norte americanos My Chemical Romance's.


Sunday, January 25, 2009

Mafalda Veiga, quem és tu?

Anda muita gente a tentar-nos enganar. Os políticos já se sabe: Enganam-nos com as promessas e com os números. As televisões tentam nos mostrar um mundo que não é de todo verdadeiro e as rádios querem nos fazer acreditar que as músicas que passam são as melhores do planeta. Ainda temos os padres que nos querem fazer crer em coisas que não existem e depois vem por aí a baixo. Começa no mecânico e passa pelo merceeiro e apanha o canalizador e o pedreiro, etc.

Mas de quem eu não estava nada à espera é que os tipos do marketing também nos quisessem enganar. Esses malfeitores!

Não é que esses bandidos querem nos fazer ver que a Mafalda Veiga já não é a Mafalda Veiga.
Eu passo a explicar: A Mafalda tem um álbum novo. Chama-se “Chão” e é igual aos outros. Até aqui tudo bem. Nem toda a gente consegue inovar. Acontece que os tipos do marketing ao desenharem a estratégia de comunicação da artista resolveram espalhar pela cidade um cartaz embusteiro e sedutor a anunciar a data dos concertos.

Nesta magnífica produção fotográfica vemos a Mafalda de camisola de alças e de ombros descobertos numa tentativa clara de mostrar que é tão aventureira e pronta para os desafios como a Lara Croft.
O cabelo selvagem esconde um rosto que nos sugere ser rebelde completando, assim, o traço psicológico.
Depois vem a acção: O corpo ligeiramente inclinado para trás, a mão esquerda que agarra pelo meio da escala o braço de uma guitarra cor de rock, e, finalmente, a mão direita que desfocada sugere-nos um momento de grande sensibilidade: um solo de guitarra. Mas não é um solo qualquer. Pelo ligeiro adiantado da perna esquerda é um solo em grande estilo. É daqueles que um qualquer pedal de efeitos deve estar a ser utilizado em simultâneo, tornando a performance ainda mais difícil.

O que os senhores do marketing fizeram foi uma velhacaria. Quiseram-nos fazer crer que a Mafalda é uma rockeira e sua em palco. A nossa Mafalda não é uma PJ Harvey, uma Sheryl Crown ou mesmo uma Alanis Morisette. A nossa Mafalda é uma menina de bem. Caso não saibam cantou os “pássaros do sul” num registo calmo e insonso. O cartaz devia reproduzir uma Mafalda deitada ao lado da sua guitarra de madeira, descascando uma laranja numa enorme seara de trigo, deslumbrando um céu que teima entardecer sobre uma pequena aldeia de Portugal.

A Mafalda não escreve sobre conflitos, sexo, drogas ou violência. A Mafalda fala sobre a natureza e a formosura do amor. A Mafalda não faz barulho. Respeita os vizinhos e não põe a música alta.

Esse cartaz é um embuste. É traiçoeiro, enganador, patife e devasso.

É a mesma coisa que fazerem um cartaz com os cinco elementos dos Xutos e Pontapés vestidos com umas místicas túnicas brancas de linho sentados de cócoras em frente ao grande lago do Taj Mahal, sugerindo que nesse novo álbum, instrumentos orientais teriam sido utilizados na gravação e que as letras agora teriam um maior teor espiritual.

Há artistas que nunca mudam.



Thursday, January 22, 2009

Who's fat?

Nunca tive uma namorada que não quisesse emagrecer. Será que sou eu que só escolho gordas ou elas é que acham que nunca estão suficiente magras?

É engraçado vê-las a desdobrarem-se em esforços. Umas tomavam chás frios em garrafas de litro e meio, outras optavam pelas ampolas da ervanária. Havia também aquelas que no almoço não comiam mais que uma sopa mas que à noite vingavam-se nos chocolates ou nos gelados. Depois havia também quem se achasse só gorda na barriga e optasse pela acupunctura localizada. Ah… ia-me esquecendo das outras que tomavam CLA sem fazer exercício físico.

Enfim, autoflagelavam-se à minha frente. Doia-me a alma de ver aquelas pobres criaturas - que de gordas não tinham nada - em tremenda angústia e tristeza. Por mais calorias que perdessem debaixo dos lençóis achavam-se sempre gordas.

Quando se aproximava o Verão ou um evento importante era quando sofriam mais. E espantem-se: muitas vezes era mais pelo que as pessoas iam pensar.

Na verdade nunca vi nenhuma a fazer desporto. Pelo menos de forma séria. O desporto para elas era sempre num ginásio caríssimo, sob o pretexto de ser livre-trânsito, mas que na realidade nunca durava mais do que três meses. Ou porque começava a chover, ou porque estava frio, ou porque não tinham companhia, ou porque entretanto apareciam outras coisas para fazer.

Vendo bem eu acho que não escolho gordas. Eu escolho é pouco inteligentes…


Weird Al Yankovic - Fat - MyVideo

Tuesday, January 20, 2009

We Have Chosen Hope Over Fear

"My fellow citizens:

I stand here today humbled by the task before us, grateful for the trust you have bestowed, mindful of the sacrifices borne by our ancestors. I thank President Bush for his service to our nation, as well as the generosity and cooperation he has shown throughout this transition.

Forty-four Americans have now taken the presidential oath. The words have been spoken during rising tides of prosperity and the still waters of peace. Yet, every so often the oath is taken amidst gathering clouds and raging storms. At these moments, America has carried on not simply because of the skill or vision of those in high office, but because We the People have remained faithful to the ideals of our forbearers, and true to our founding documents.

So it has been. So it must be with this generation of Americans.

That we are in the midst of crisis is now well understood. Our nation is at war, against a far-reaching network of violence and hatred. Our economy is badly weakened, a consequence of greed and irresponsibility on the part of some, but also our collective failure to make hard choices and prepare the nation for a new age. Homes have been lost; jobs shed; businesses shuttered. Our health care is too costly; our schools fail too many; and each day brings further evidence that the ways we use energy strengthen our adversaries and threaten our planet.

These are the indicators of crisis, subject to data and statistics. Less measurable but no less profound is a sapping of confidence across our land - a nagging fear that America's decline is inevitable, and that the next generation must lower its sights.

Today I say to you that the challenges we face are real. They are serious and they are many. They will not be met easily or in a short span of time. But know this, America - they will be met.

On this day, we gather because we have chosen hope over fear, unity of purpose over conflict and discord.

On this day, we come to proclaim an end to the petty grievances and false promises, the recriminations and worn out dogmas, that for far too long have strangled our politics.

We remain a young nation, but in the words of Scripture, the time has come to set aside childish things. The time has come to reaffirm our enduring spirit; to choose our better history; to carry forward that precious gift, that noble idea, passed on from generation to generation: the God-given promise that all are equal, all are free, and all deserve a chance to pursue their full measure of happiness.

In reaffirming the greatness of our nation, we understand that greatness is never a given. It must be earned. Our journey has never been one of short-cuts or settling for less. It has not been the path for the faint-hearted - for those who prefer leisure over work, or seek only the pleasures of riches and fame. Rather, it has been the risk-takers, the doers, the makers of things - some celebrated but more often men and women obscure in their labor, who have carried us up the long, rugged path towards prosperity and freedom.

For us, they packed up their few worldly possessions and traveled across oceans in search of a new life.

For us, they toiled in sweatshops and settled the West; endured the lash of the whip and plowed the hard earth.

For us, they fought and died, in places like Concord and Gettysburg; Normandy and Khe Sahn.

Time and again these men and women struggled and sacrificed and worked till their hands were raw so that we might live a better life. They saw America as bigger than the sum of our individual ambitions; greater than all the differences of birth or wealth or faction.

This is the journey we continue today. We remain the most prosperous, powerful nation on Earth. Our workers are no less productive than when this crisis began. Our minds are no less inventive, our goods and services no less needed than they were last week or last month or last year. Our capacity remains undiminished. But our time of standing pat, of protecting narrow interests and putting off unpleasant decisions - that time has surely passed. Starting today, we must pick ourselves up, dust ourselves off, and begin again the work of remaking America.

For everywhere we look, there is work to be done. The state of the economy calls for action, bold and swift, and we will act - not only to create new jobs, but to lay a new foundation for growth. We will build the roads and bridges, the electric grids and digital lines that feed our commerce and bind us together. We will restore science to its rightful place, and wield technology's wonders to raise health care's quality and lower its cost. We will harness the sun and the winds and the soil to fuel our cars and run our factories. And we will transform our schools and colleges and universities to meet the demands of a new age. All this we can do. And all this we will do.

Now, there are some who question the scale of our ambitions - who suggest that our system cannot tolerate too many big plans. Their memories are short. For they have forgotten what this country has already done; what free men and women can achieve when imagination is joined to common purpose, and necessity to courage.

What the cynics fail to understand is that the ground has shifted beneath them - that the stale political arguments that have consumed us for so long no longer apply. The question we ask today is not whether our government is too big or too small, but whether it works - whether it helps families find jobs at a decent wage, care they can afford, a retirement that is dignified. Where the answer is yes, we intend to move forward. Where the answer is no, programs will end. And those of us who manage the public's dollars will be held to account - to spend wisely, reform bad habits, and do our business in the light of day - because only then can we restore the vital trust between a people and their government.

Nor is the question before us whether the market is a force for good or ill. Its power to generate wealth and expand freedom is unmatched, but this crisis has reminded us that without a watchful eye, the market can spin out of control - and that a nation cannot prosper long when it favors only the prosperous. The success of our economy has always depended not just on the size of our Gross Domestic Product, but on the reach of our prosperity; on our ability to extend opportunity to every willing heart - not out of charity, but because it is the surest route to our common good.

As for our common defense, we reject as false the choice between our safety and our ideals. Our Founding Fathers, faced with perils we can scarcely imagine, drafted a charter to assure the rule of law and the rights of man, a charter expanded by the blood of generations. Those ideals still light the world, and we will not give them up for expedience's sake. And so to all other peoples and governments who are watching today, from the grandest capitals to the small village where my father was born: know that America is a friend of each nation and every man, woman, and child who seeks a future of peace and dignity, and that we are ready to lead once more.

Recall that earlier generations faced down fascism and communism not just with missiles and tanks, but with sturdy alliances and enduring convictions. They understood that our power alone cannot protect us, nor does it entitle us to do as we please. Instead, they knew that our power grows through its prudent use; our security emanates from the justness of our cause, the force of our example, the tempering qualities of humility and restraint.

We are the keepers of this legacy. Guided by these principles once more, we can meet those new threats that demand even greater effort - even greater cooperation and understanding between nations. We will begin to responsibly leave Iraq to its people, and forge a hard-earned peace in Afghanistan. With old friends and former foes, we will work tirelessly to lessen the nuclear threat, and roll back the specter of a warming planet. We will not apologize for our way of life, nor will we waver in its defense, and for those who seek to advance their aims by inducing terror and slaughtering innocents, we say to you now that our spirit is stronger and cannot be broken; you cannot outlast us, and we will defeat you.

For we know that our patchwork heritage is a strength, not a weakness. We are a nation of Christians and Muslims, Jews and Hindus - and non-believers. We are shaped by every language and culture, drawn from every end of this Earth; and because we have tasted the bitter swill of civil war and segregation, and emerged from that dark chapter stronger and more united, we cannot help but believe that the old hatreds shall someday pass; that the lines of tribe shall soon dissolve; that as the world grows smaller, our common humanity shall reveal itself; and that America must play its role in ushering in a new era of peace.

To the Muslim world, we seek a new way forward, based on mutual interest and mutual respect. To those leaders around the globe who seek to sow conflict, or blame their society's ills on the West - know that your people will judge you on what you can build, not what you destroy. To those who cling to power through corruption and deceit and the silencing of dissent, know that you are on the wrong side of history; but that we will extend a hand if you are willing to unclench your fist.

To the people of poor nations, we pledge to work alongside you to make your farms flourish and let clean waters flow; to nourish starved bodies and feed hungry minds. And to those nations like ours that enjoy relative plenty, we say we can no longer afford indifference to suffering outside our borders; nor can we consume the world's resources without regard to effect. For the world has changed, and we must change with it.

As we consider the road that unfolds before us, we remember with humble gratitude those brave Americans who, at this very hour, patrol far-off deserts and distant mountains. They have something to tell us today, just as the fallen heroes who lie in Arlington whisper through the ages. We honor them not only because they are guardians of our liberty, but because they embody the spirit of service; a willingness to find meaning in something greater than themselves. And yet, at this moment - a moment that will define a generation - it is precisely this spirit that must inhabit us all.

For as much as government can do and must do, it is ultimately the faith and determination of the American people upon which this nation relies. It is the kindness to take in a stranger when the levees break, the selflessness of workers who would rather cut their hours than see a friend lose their job which sees us through our darkest hours. It is the firefighter's courage to storm a stairway filled with smoke, but also a parent's willingness to nurture a child, that finally decides our fate.

Our challenges may be new. The instruments with which we meet them may be new. But those values upon which our success depends - hard work and honesty, courage and fair play, tolerance and curiosity, loyalty and patriotism - these things are old. These things are true. They have been the quiet force of progress throughout our history. What is demanded then is a return to these truths. What is required of us now is a new era of responsibility - a recognition, on the part of every American, that we have duties to ourselves, our nation, and the world, duties that we do not grudgingly accept but rather seize gladly, firm in the knowledge that there is nothing so satisfying to the spirit, so defining of our character, than giving our all to a difficult task.

This is the price and the promise of citizenship.

This is the source of our confidence - the knowledge that God calls on us to shape an uncertain destiny.

This is the meaning of our liberty and our creed - why men and women and children of every race and every faith can join in celebration across this magnificent mall, and why a man whose father less than sixty years ago might not have been served at a local restaurant can now stand before you to take a most sacred oath.

So let us mark this day with remembrance, of who we are and how far we have traveled. In the year of America's birth, in the coldest of months, a small band of patriots huddled by dying campfires on the shores of an icy river. The capital was abandoned. The enemy was advancing. The snow was stained with blood. At a moment when the outcome of our revolution was most in doubt, the father of our nation ordered these words be read to the people:

"Let it be told to the future world...that in the depth of winter, when nothing but hope and virtue could survive...that the city and the country, alarmed at one common danger, came forth to meet [it]."

America. In the face of our common dangers, in this winter of our hardship, let us remember these timeless words. With hope and virtue, let us brave once more the icy currents, and endure what storms may come. Let it be said by our children's children that when we were tested we refused to let this journey end, that we did not turn back nor did we falter; and with eyes fixed on the horizon and God's grace upon us, we carried forth that great gift of freedom and delivered it safely to future generations."

Barack Obama's Speech - Inauguration Day, 20 Jan 2009



The World is Expecting You, Sir...

Thank you, Barack Obama, for a New Hope, for a New Light in our hearts, for the Courage to embrace the Storm.
God Bless Obama.


Monday, January 19, 2009

30 anos de Xutos

Os Xutos simbolizam o rock nacional e o movimento pós-punk em Portugal. Isso não há dúvidas. Não só através da sua música mas também da sua imagem. Fizeram parte da minha adolescência e contribuíram para toda a minha irreverência, incluindo a pequena dose que ainda tenho hoje.

Transversais, são hoje admirados por todas as classes sociais e pelo menos duas gerações de pessoas.

Mas nem sempre foi assim. É bom lembrar que até 1985 os Xutos não chegavam a todos. Eram só para alguns outsiders, que, como eu, sonhavam um dia ter o estilo de vida semelhante à dos Xutos.

Em 1987 com o lançamento do Circo de Feras - produzido pelo Carlos Maria Trindade - e um ano depois com álbum 88, os Xutos & Pontapés chegavam finalmente à ribalta e atingiam, a meu ver, o auge quer no ponto de vista técnico quer no ponto de vista da composição musical.

A partir dos Gritos Mudos no início da década de 90 começa, na minha opinião, o declínio da banda. Um declínio mais musical do que propriamente comercial. A verdade é que com o aparecimento de novas bandas os Xutos tiveram dificuldade em inovar e optaram por se manter fiéis aos seus ideais e ao seu som. São por isso uma banda igual a muitas outras por este mundo fora embora no Portugal dos pequeninos tenham estatuto de estrelas de rock.

Quando pensamos em Xutos pensamos logo em Zé Pedro. E é justamente este que, na minha opinião, é o elemento mais fraco no ponto de vista técnico. Por outro lado, o João Cabeleira que é o mais discreto da banda, vejo-o como o insubstituível. É, para mim, o responsável por toda a sonoridade rock que caracteriza o som dos Xutos. Já o Tim nunca teve na voz um instrumento perfeito mas conseguiu, melhor do que ninguém, transmitir a crueza necessária que o rock exige, ocultando por detrás do seu timbre, o vazio que a poesia das suas letras transmite.

Os Xutos não são por isso nenhuns tecnicistas virtuosos. São hoje um fenómeno de massas que, longe dos lemas de outros tempos - o “sex, drugs and rock’n’roll” - conseguiram iludir, de uma forma brilhante, toda a opinião pública e ocupar um lugar de destaque no panorama musical e que - justiça seja feita - é mais do que merecido.

Mesmo assim, apesar de todas estas fraquezas, os concertos do Xutos continuam a ser os meus preferidos. Pelo espectáculo em si, pela sonoridade e pela energia que transmitem, no próximo faço questão de levar o meu filho pela primeira vez.

Quanto à música nova já não é bem assim. Apenas a um mês do lançamento do novo álbum confesso que não estou em pulgas. O mais certo é vir mais do mesmo. Quem me dera que me conseguisse surpreender com novas músicas dos Xutos & Pontapés.

Parabéns aos Xutos pelos 30 anos!




Sex & Drugs & Rock & Roll (Ian Dury and the Blockheads - 1977)

Tuesday, January 13, 2009

Burger Man

Naquele dia estava particularmente desanimado. Era dia 3 de Janeiro e ainda estava meio atordoado da passagem de ano. Ainda por mais tinha estado toda a manhã a jogar ténis enquanto o Alexandre frequentava as aulas de natação. Doíam-me as pernas e ainda tinha que ir fazer o almoço. Não tinha nada em casa e o frigorifico só continha ar. Foi então que resolvi parar no McDonald's de Santos.

Ainda nem tinha saído do carro e já se juntara ao meu desalento o remorso dessa decisão. A inquietação da minha consciência por culpa ou crime prestes cometer acompanhou-me até à porta.

Tinha um duplo sentimento de culpa. Por um lado estávamos prestes a ingerir 700 calorias cada um e por outro tinha sido vencido pela indolência e pela preguiça. O exemplo da fraqueza e do que não se deve fazer estava dado ao meu filho. Mesmo assim entrei. Pedimos e comemos.

Mas foi ainda durante a refeição que me deslumbrei com o que vi entrar pela porta. Era ele: o Zeinal Bava! E pergunta o leitor “quem é esse estranho?” É só o Presidente Executivo da Portugal Telecom. O novo homem forte da PT.

É novo e descontraído o gajo! Tinha chegado com a mulher e com os filhos e iam fazer uma modesta refeição. Não é que ele não possa ir ao McDonald's, mas ele deve ter um salário que rondará seguramente os 150.000 euros mensais. Isso significa que ele podia até comprar uma vaca e guardá-la no congelador, ou até mesmo comprar um McDonald's só para a família. Mas não. Ele estava ali na mesma condição do que eu. Foi distribuir calorias pela família e possivelmente também fora vencido pela mandriice.

Não sei. Só sei que me senti bem. Não sei se estava num restaurante fino ou se a crise já tinha chegado aquela família.

Sentia-me bem. Estava a jogar noutra divisão. Cada dentada que dava no meu BigMac sentia o fosso entre ricos e pobres a diminuir.

Era o melhor pai do mundo. Tinha levado o meu filho ao Gambrinus. Viva o ano novo!




"Burger Man" (ZZTOP - Recycler - 1990)

Saturday, January 10, 2009

Miles Away...

For Anybody Who's Afraid to Fall in Love...

I just woke up from a fuzzy dream
And I never want to see

the things that I have seen

I looked in the mirror and I saw your face

You looked back through me,

you were miles away.


All my dreams, they fade away

Ill never be the same

If you could see me the way you see yourself

And pretend to be someone else


You'll always love me more

Miles away

I hear it in your voice when were

Miles away

You're not afraid to tell me

Miles away

I guess were at our best when were

Miles away


So far away


Stress and the City, no YouTube

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Countries & Cities Where I've Been.