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Monday, April 30, 2007

Para Onde Vai a Luz Quando se Apaga?...

Entrei apressada, fugindo da chuva intensa que caía sobre Lisboa...
A plataforma do Metro na Baixa-Chiado estava alagada de gente. Mergulhei na multidão, e segui o meu caminho até à plataforma da linha azul.

Olhava em volta, ainda um pouco adormecida...
O dia estava cinzento, muito escuro. A música que escolhi agitava o meu ritmo já naturalmente cosmopolita, mas sentia-me entorpecida. Dormi pouco, e talvez estivesse a acusar o cansaço do final de uma semana de trabalho...

Abrandei o ritmo do passo mal cheguei à plataforma.
Apesar dos meus headphones, conseguia ouvir a batida do som dos Da Weasel.
Caminhava vagarosamente ao longo da plataforma, ao mesmo tempo que engolia olhos adentro a promoção do CreamFields... Pensei mais uma vez que ainda não tinha comprado o bilhete... Mas pouco me preocupava, continuando num passo lento.
Parei por alguns intantes e quando desliguei do ecrã gigante que dispara promoções e informações a todo o instante, já nao conseguia ver a plataforma. Uma massa humana forrava o espaço que ainda há pouco estava vazio.

Estremeci com o aproximar das carruagens. Finalmente...
As portas abriram-se mesmo à minha frente. Fechei-me no meu espaço exíguo, sentindo uma pressão e invasão de espaço por parte de gente alheia e indiferente, numa combinação de cheiros e ritmos de respiração variada.

Numa fracção de segundos olhei pela última vez para o ecrã gigante.
Num flash intenso destacou-se o título de uma peça, que li como se de uma mensagem pessoal se tratasse... "Para Onde Vai a Luz Quando se Apaga?"
Numa fracção de segundos li isto e entrei na carruagem embrulhada no turbilhão de gente, mas mais ainda, esmagada pelo turbilhão mental que a pergunta me despoletou.

Acordei!
Sim, de facto, para onde vai a Luz quando se apaga? Para onde vai toda aquela energia e claridade, quando num simples toque se desliga o interruptor?...
Recordei... Pensei em ti.
Sim, penso em ti... Não imaginas? Claro que não... Estamos sempre longe. Mesmo quando estivemos tão perto, dia-após-dia, não reparei em ti. Aconteceu por acaso, tarde de mais...

Mal nos conhecemos. Tal como mal conheço as especificidades da energia e dos fios condutores que geram a Luz... Apenas vejo a lâmpada e o interruptor. Assim como só vejo o rádio e o botão do ON... Mas é suficiente, porque na realidade, num clique aconteceu! Um dia vi-te, e o teu olhar... iluminou-me. Agora, não consigo apagar da memória a tua Luz... mas estou na escuridão.
Para onde vai a Luz dos teus olhos que irradia a luminosidade do Sol, o brilho da Lua, e a Energia que me cega a Alma e me impede de pensar, quando raramente te encontro e me olhas nos olhos?...
Quem será a Alma afortunada que escolheste iluminar com o teu olhar meigo, simples e profundo?...
Não me interessa a resposta, pois não altera o BlackOut em que me deixaste...


Não sei para onde Vai a Luz Quando se Apaga... Não sei por onde anda a tua Luz. Desligaste-me, sem saber...
Nunca to disse... Achei que não valeria a pena... Devo ser um átomo no teu Universo...

Desliguei-me. Tento desligar-me...
Para onde vamos quando nos desligamos?

Estremeço com o abrir pesado e ruidoso das portas da carruagem.
Cheguei... É a minha estação de Destino.
O dia continua cinzento e escuro...

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Stress and the City, no YouTube

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