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Saturday, November 13, 2010

Home, Sweet Home.

Embora possa existir uma certa nostalgia, a verdade é que o regressar a casa depois de uma viagem é como tomar um bom duche quente e comer uma refeição caseira depois de um dia passado no frio das montanhas, por exemplo. É, no mínimo, retemperador.

Confesso que não tive muito tempo para sentir nostalgia. Vinha com os horários totalmente trocados e sei que quando cheguei vagueei pela casa, meio eléctrica, porque era de madrugada e não tinha sono. Andei de um lado para o outro a tirar coisas das malas, separar roupas para lavar, pequenas recordações da estadia, postais, livros, o tapete de yoga e meditação que a Tia me ofereceu, os chás que insiste que eu tome... Já tenho saudades dela.


De facto, esta viagem trouxe-me muitas coisas boas. Entre elas, a minha Tia, que se revelou uma luminosa surpresa.
Um pouco louca, mas simplesmehte adorável.
Tem perto de 65 anos, mas parece bem mais nova.

Foi para o Vietname ainda muito jovem. É irmã do meu pai, por isso, do lado sicíliano da famiglia. :)) Viajou para lá com a família com quem foi viver desde os 11 anos, estava o meu pai já em Lisboa. E nunca mais voltou. Por opção. 

Conheceu o meu Tio por lá. Ele já faleceu. Pertencia ao grupo de diplomatas americanos que estavam na Embaixada dos EUA, em Hanói. Estavam do lado oposto das trincheiras da guerra. Conheceram-se quando a minha Tia liderava um grupo de activistas a favor da Paz, chegando a estar presa por diversas vezes. Tem inúmeras histórias para contar sobre a Guerra...

Quando terminou o conflito, participou na reconstrução do Vietname e não assumiu nunca nenhum cargo oficial porque não quis envolver-se em Política, de forma activa. Preferiu o caminho das Artes, uma grande paixão que cultivou sempre, principalmente, no que respeita a pintura. A tia promoveu o desenvolvimento da arte - em particular das artes plásticas - no Vietname, fundamentalmente em Hanói. Com a ajuda do meu Tio - também ele um fascinado pelas artes plásticas e coleccionador de carros antigos - abriu uma série de galerias, promoveu inúmeras conferências, workshops e participou na criação de cursos universitários, estimulando sempre uma forte interacção entre artistas e movimentos artísticos ocidentais e orientais.


Nunca tiveram filhos, pelo que eu diria que a Arte é, sem dúvida, a minha prima. :))

Hoje, detém uma das principais e mais reputadas galerias de arte em Hanói, ainda promove muitos encontros entre artistas e é respnsável por grandes eventos culturais na Cidade. O Tio morreu há cerca de 2 anos...


Ela tem uma vida muito activa. Mas fiquei fascinada por ela porque, além de uma enorme capacidade de se dedidcar aos outros, tem também uma extraordinária capacidade de facilmente entrar na nossa cabeça e saber exactamente o que estamos a pensar, se estamos tristes, felizes, agitados, apáticos, etc. Além disto, adora receber em casa os amigos, mas também tem uma vida social fora de casa muito agitada, embora esteja a reduzir o número de eventos e festas onde vai, porque começa a ficar muito saturada desta agitação. É muito acarinhada por todos devido às suas posições sempre muito frontais, mas também muito dedicadas e genuínas nos laços que estabelece com o seu círculo de amigos mais íntimos. 
Esta Tia é um Mundo, um ser humano precioso, raro e tão clarividente na forma como gere a sua vida que me inspirou, de alguma forma, a mudar muitas coisas na minha vida.



Regresso a casa, diferente. Diria até que... muito diferente da pessoa que era antes de a conhecer e viver durante um mês com esta senhora. 
Será sempre um marco na minha vida. A partir de agora, vamos estar muito mais em contacto. Prometeu-me que este ano viria a passar o Natal connosco. Será a primeira vez, desde que partiu. Um acontecimento único e a família cá está a adorar a ideia. 
E prometeu-me que em breve me "rapta" para estar com ela em N.Y. durante o período da exposição que vai levar para lá em Abril do próximo ano! Se assim fôr... vai ser terrific!! ;)
No entanto, o melhor de tudo é esta ligação que se estabeleceu entre nós, e que não será facilmente quebrada. Nem pela distância... 
Acredito que a distância funciona apenas como desculpa nas relações que pura e simplesmente não teriam qualquer futuro, mesmo que essa mesma distância não fosse uma barreira. Por vezes estamos tão perto de amigos / familiares, que mal sabem quem somos, o que queremos e para onde vamos.


Take Care.
Love,
Birdie

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