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Friday, December 28, 2007

O Reencontro

Contemplava mais um avião que se fazia à pista, sob um Sol ainda ensonado e friorento que timidamente começava a despertar a manhã...

Sentei-me num dos bancos virados para a pista onde aguardava a chamada para o embarque.
Não queria ver outras caras... Ainda sentia o abraço apertado e intensamente longo com que a minha mãe se tinha despedido de mim há menos de dez minutos. Sei que chorou depois de eu ter passado as portas para a área de embarque.
O abraço forte e muito carinhoso do meu Pai, repetia-se na minha mente, tal como as suas últimas palavras embargadas ao dizer-me para telefonar a qualquer hora, se precisasse de alguma coisa.

Fechei os olhos para guardar na alma, o melhor possível, aqueles útilmos instantes antes da partida. Sucederam-se imagens que projectavam na perfeição instantes em família, com amigos, sózinha... um filme que navegava pelo espólio das emoções arquivadas que, como por magia, surgem para nos fazer crêr que não somos "casa vazia e abandonada"...

Deixava tudo para trás, em busca de um recomeço a partir do zero.

Se por um lado me invadia a angústia da distância a que ia ficar do "Meu Mundo", por outro lado, uma energia muito forte me iluminava com sensações de Descoberta, de uma nova Era... uma nova etapa que vai passar a fazer parte do "Meu Mundo".
Assim, descobria aos poucos de que não ia deixar o "Meu Mundo", mas que este é o resultado da interacção com tudo o que me rodeia, com a(s) realidade(s) que num dado momento constituiem os cenários e as personagens que vão construindo este Meu Mundo... E sendo assim, sou eu que projecto o "filme" de acordo com as tais realidades, e que não sou eu que dependo dele, mas o contrário.

Enquanto tiver a capacidade de me ligar a esse Mundo para introduzir novos "takes", com novas "personagens" e "acções", jamais me sentirei sozinha e distante de Tudo o que faz parte de mim. Para isso, serve o magnífico Arquivo de Emoções...


Uma voz feminina que ecoava pela longa sala de embarque, despertou-me.
Abri os olhos e senti que o Sol também já estava mais acordado e luminoso...
Era altura de partir!
- "The Game is a Foot!" - ouvia numa conversa de circunstância entre dois ingleses que se juntavam à fila.
Sorri e pensei que, de facto,... ouvira aquela frase no momento certo. Era verdade. The Game, is a Foot! It's time to ReStart!

Segui em frente, sem olhar para trás, sorri para a hospedeira que me pedia o "Boarding Ticket" e desejava um bom vôo, e agradeci.
Agradeci, por tudo... em silêncio. Agradeci ao Universo, pela Redescoberta do Meu Mundo, que levarei sempre comigo.

A Viagem recomeça aqui!

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Stress and the City, no YouTube

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