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Friday, September 28, 2007

Portugal, o Adolescente Imberbe...

Esta manhã, ao efectuar o percurso matinal junto ao Rio, no Parque das Nações, fui surpreendida por quilos e quilos de copos plásticos que competiam lado-a-lado com outros tantos quilos de garrafas plásticas. Pelo meio, algumas seringas usadas, e ainda umas poucas embalagens de preservativos.

Ao longo da zona de Bares e Restaurantes situados imediatamente a seguir ao Pavilhão Atlântico, bem juntinho ao Rio, eram várias as Caravanas de uma conhecida marca de cerveja que já há alguns dias se encontravam naquele espaço para celebrar o início de mais um ano Académico.
E se à noite, o ambiente é manifestamente feito de estudantes, muita música, e também de muitos excessos, de dia, o ambiente não acordou tão alegre como de costume...
Não sou contra este tipo de eventos, muito pelo
contrário. Também gosto de me divertir e é de salutar que o regresso à vida Académica desta cidade se celebre numa das zonas mais apelativas de Lisboa! E quanto aos excessos, enfim, não me cabe a mim julgar, nem tão pouco criticar. Não é esse o objectivo do meu testemunho.

O que quero que fique claro é a minha experiência, que no fundo, foi a de tantos outros cidadãos que àquela
hora se habituaram a passear naquele espaço. Jovens mães com carrinhos de bebé, muitos praticantes de jogging, fans de passeios de bicicleta, bem como turistas, e muitos outros a caminho das suas actividades profissionais.

Eram quase 11:30 da manhã
... O lixo amontoado era uma visão
decepcionante e, acima de tudo decadente! Será que a recolha do lixo que estava a decorrer àquela hora não poderia ter sido iniciada mais cedo?
S
ei, por experiência própria que há regras para a montagem e desmontagem das estruturas de eventos, que são para ser cumpridas à risca, para não colocar em causa o bom funcionamento e circulação nos espaços. Por isso, quer montagens como desmontagens, realizam-se de noite, ou de madrugada.
Será que o mesmo não se aplica à limpeza dos locais em questão?


É nestas "pequenas" coisas que se percebe que Portugal está ainda na sua fase de Puberdade.
Passados 33 anos da Revolução de Abril, Portugal está na fase das borbulhas e a querer mudar o tom de voz (e de discurso), tentando impôr-se numa Europa de Países adultos (uns mais que outros, claro).

Por gostar tanto de Portugal
- e porque tenho viajado, e tive a feliz oportunidade de viver fora durante dois anos - valorizo ainda mais, tudo o que faz parte deste País admirável, bonito, e culturalmente rico.
Mas também quero ajudar a melhorar o que acho que está mal. Quero ver um País ainda mais bonito, com mais auto-estima, mais adulto, mais autêntico.

Estes aspectos passam, mais uma vez, pela Educação. A educação de cada um, que começa em casa, e a educação e sensibilização nas Escolas para a importância da Cidadania e do Civismo.

Não basta oferecer computadores com ligação à Internet.
Não basta combater os atrasos e burocracias
da Administração Pública.
Não basta atrair Investimento
estrangeiro.

O choque Tecnológico é importante, sem dúvida, e já se sentem alguns dos seus benefícios.
Pessoalmente, defendo-o com unhas e dentes, pois os 10 anos de experiência profissional que acumulo estão ligados às Novas Tecnologias. Mas isso, por si só, não chega. A médio e longo prazo, não chega!


É também necessário um Choque Cultural/Educativo!

Quem utiliza a Tecnologia sabe
que esta de nada serve às Empresas, se não houver quadros especializados e qualificados. É importante investir nas pessoas, criar uma Cultura, uma maneira de estar mais positiva, mais empreendedora, uma cultura cívica! E isso passa por uma forte componente de Educação Cívica, a fim de combater uma sociedade com fraca auto-estima, que exige muito mas que dá muito pouco em troca dos seus Direitos.
Enquanto não se investir numa Reforma séria do sistema Educativo em que se introduzam matérias como Civismo e Cidadania, Portugal permanecerá eternamente Adolescente e isso fará toda a diferença na forma como nos afirmamos numa Europa a 27.

O lixo acumulado de hoje, àquela hora da manhã, não tem desculpa.
Fica-nos mal
. E já nem falo da imagem que passamos a quem vem de fora, visitar Lisboa. Falo por nós, cidadãos, que todos os dias vivemos nesta cidade. É neste sentido que nos falta auto-estima. Porque antes dos outros nos admirarem, temos de ser Nós a gostar de quem somos e do que construimos.

Custou-me muito passar por entre o lixo para prosseguir o meu caminho. Mas admito que me custou ainda mais observar a inércia por parte dos serviços de limpeza que, com indiferença, iam limpando calmamente o local decadente e impróprio de um País dito civilizado.

Deixo este apelo, em prol de uma melhoria de situações como esta, que são pouco dignificante para Lisboa e para o País.
Acredito que Portugal é capaz
de fazer muito melhor e bem feito! Porque gosto, admiro, e tenho orgulho do País onde nasci, uma nação que tem tantas coisas boas das quais se orgulhar!

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