STRESS AND THE CITY - Living in a big City
can be fantastic but also overwhelming.
Since I moved to London, I've been living some of the most challenging moments of my Life.
I'm bringing my experience of moving here alone, with nothing but the certainty of how much I wanted to stay and develop myself here.
My posts will touch thoughts, personal and professional experiences, failure and success, new and old friends and how much all this is shaping the person I'm becoming.
Quando éramos miúdos contavam-nos histórias na hora de ir para a cama.
Em Bangkok encontrámos a “cama” que todas as noites tem uma história para encantar e despertar os cinco sentidos.
Numa construção futurista, em forma tubular elíptica, estão 800 metros quadrados que misturam iguarias únicas servidas em camas, um bar arrojado, alguns dos melhores DJ’s do mundo e performances interactivas em que nunca se sabe o que pode acontecer...
Calçámos os Louboutins, e com um vestidinho T-BAGS de cetim champanhe, fomos conhecer um dos spots mais exclusivos do mundo: a Cama, ou melhor, o Bed Supperclub. Um Sonho!
Our lives have changed tremendously with the Internet business boom. Instead of letters we send emails; instead watching the news on the TV we look through the YouTube; instead of reading the latest gossiping in the magazines we write it in a blog and share it at the social networks. From passive eyes we became active voices that desire "Likes", "Comments", sharing our latest photos from the dinner in the fancy restaurant, the hot party in a trendy Club or from the weekend at the Countryside. Basically, people share almost everything, from the smallest to the huge happening. By the time that my relationship with social networks became deeply boring and distant... I found a new way of saying a lot without saying anything at all. In the past few weeks I've became quite familiar with foursquare, or I should say... addicted! It's a kind of a social network where we have friends and share the places we are in a certain moment. We can add photos, tips and we also gather some points and special badges according to our performance. Then, our friends know where we are and doing what everytime we decide to share it. We can become Mayors of the places if we go often for several followed days.
After 52 friends, 14 Mayorships, 12 badges, 16 tips and 194 check-in's in two months, I am feeling completely addicted. Everytime I'm going somewhere I add the place at foursquare, watch where my friends are, read their tips and look at the photos. How thrilled I am everytime I share a new place, somewhere where I've never been before.
This is a bit weird and redundant. Why do I share with the world if I have lunch at Versailles and why am I so curious about where others are? Is this a question of having some time off or pure insanity? Is it an intriguing need of some voyerism in our lives or the recognition that even when we are busy, doing things and not alone we still feel... lonely?.... Or... is this the social generation virus that locks up our ego in a stage waiting for the public's applauses?
I finished my white coffee at Benard thinking about this. Still, I was updating my timeline at foursquare again with a photo of my cup of coffee to show I was really there! Mónica arrived five minutes later.
We've been talking for hours and time went by too quickly. Definitely, I was not feeling alone. I left foursquare spending sometime alone in my bag waiting for... lonely moments or... moments filled with the strange need of shouting to strangers that the white coffee at Benard's it's great keeping to myself how great and fun my chat with Mónica was!
Depois da viagem alucinante entre a Negação e a Aceitação de que uma relação terminou, seguido do fim de uma travessia pelo Luto... podemos sentir-nos predispostos a entrar noutra relação ou nem sequer pensar nisso tão cedo, de forma mais ou menos consciente.
No meu caso, por exemplo, não procurei nada, ninguém. Continuei a trabalhar em mim, no meu auto-conhecimento e desenvolvimento pessoal - para também melhor entender os outros - e a focar-me mais na minha força anímica e energia para retomar a minha vida profissional, social, familiar, novos interesses, entre muitas outras coisas. Creio que na maior parte dos casos funciona assim... Mas há sempre os que estão pressionados - quer por eles mesmos, quer pela família e/amigos - para encontrar novamente alguém o quanto antes, com receio que "fique para Tio/a"!. Esta é uma das expressões mais idiotas que alguma vez ouvi, mas existe e continua a ser uma constante dos encontros familiares...
Creio que concordarão comigo: quando menos se espera, surge alguém que nos desperta o interesse, a curiosidade, que queremos conhecer melhor e que, quando menos se espera, alguém com quem estamos a combinar pequenos programas quase todos os dias. Muitas vezes surge um/a bom/a amigo/a, outras, algo mais, que pode ou não conduzir a uma relação sólida e que preencha cada um das partes.
Voltamos a uma nova relação em que a Paixão incita a que se queira conhecer melhor o outro e a retomar a esperança de que "aquele/a" pode ser "o tal"!
Sim, de facto pode. Mas pode ser mais um testezinho maroto do Dr. Cupido que, desta forma, está a testar o que supostamente aprendemos com a/s relação/ões anteriores. Por isso, seja cauteloso/a, não mergulhe de cabeça porque o mar pode ser mais raso do que aquilo que pensamos e vai doer muito novamente...
Deixe-se ir, claro, deixe fluir, mas com calma, ou como diria o nosso amigo Paulo Bento - com muita tranquilidade! :) O Mundo não acaba amanhã e se tiver que acontecer algo de bom, it will come.
Algumas dicas
- Não faça comparações. Quem ficou para trás, ficou! Por isso, a fase do luto é um processo de reciclagem emocional obrigatório, seja qual for o formato. Senão, vai entrar numa nova relação com o fantasma do outro/a;
- Carências e certezas do fim do Luto. É muitas vezes nas situações em que nos deparamos com outra pessoa que "mexe" um nadinha com o nosso ritmo cardíaco - depois de tanto tempo sem sequer querer saber que existia um mundo lá fora - que... somos confrontados com uma enorme carência afectiva e/ou que afinal... ainda pensamos imenso na outra pessoa que supostamente estava para trás. Então, neste último caso, o Luto não acabou... A outra pessoa ainda não lhe é indiferente - nem um bocadinho ou o suficiente para que não dê por si a cair, novamente, numa enorme nostalgia apática e letárgica. Neste caso, pare! Pense no que realmente é importante para si, para a sua vida, e se quer continuar a pensar em alguém que não está muito preocupado consigo, alguém que o/a manipulou(a), alguém que não sabe o que quer há demasiado tempo... no fundo que lhe fez/faz mal, de alguma forma. Por isso, é importante que no rescaldo do Luto - quando já conseguimos raciocinar melhor e tudo está mais nítido - se faça aquilo a que Nuno Amado chamou de "Autópsia da Relação". E o que é isto? É isto mesmo! Em detalhe, procurar numa relação já morta quais os orgãos, os sintomas, as perturbações que levaram ao seu fim. Estas são as 5 áreas em que o autor dividiu esta autópsia:
1. Breve Descrição do Parceiro Como é a sua maneira de ser, que tipo de pessoa é, que interesses tem, qualidades e defeitos?
2. Características do Parceiros que Motivaram a Atracção Personalidade, Inteligência? Beleza? Atracção física? Forma semelhante de ver o Mundo e a Vida? Sensibilidade, prazer em passar tempo juntos? O à-vontade nas conversas?
3. Início da Relação Como iniciou? Quem tomou a iniciativa? Como se deu a "dança" da sedução? Onde ocorreu o primeiro encontro? Quando aconteceu o primeiro beijo? Quanto tempo desde que se conheceram até estar oficialmente numa relação?
4. Evolução da Relação Como evolui esta? 4.1. História da Relação: momentos mais felizes e mais infelizes. Como evoluiu a intimidade, a paixão, o compromisso. Ocorreram episódios de traição? Quando e porque motivos? Aconteceu alguma separação temporária? Se sim, porquê e durou quanto tempo? 4.2. Principais Características da Relação: com que frequência se viam? De que falavam? Como era o contacto físico? Como era a vida social? Como era vivido o ciúme na relação? Como eram vividas as discussões? Até que ponto cada membro do casal estava satisfeito com os diferentes aspectos da relação? 4.3. Mudanças no Casal: a percepção das caractísticas do parceiro alterou-se com o tempo? Em que sentido? Que qualidades ou defeitos foram sendo revelados? Algum dos dois mudou como pessoas?
5. Fim da Relação Como terminou? Quem terminou? Como foi sentida essa ruptura por ambos? Que reacções teve cada um? Ficaram amigos? Ainda se falam? Houve vinganças? Arrependimentos: actualmente teria procedido de forma diferente em algum aspecto da relação? Ficaram "coisas" por dizer?
- A solidão involuntária...
seja qual fôr o motivo, é - contudo - um excelente momento para que um desenvolvimento interior mais profundo aconteça. Pode até ser um ponto de partida em que surgem novos hobbies - ou um maior empenho nos que já existem - , bem como criar e desenvolver novos interesses. Ao mesmo tempo, estará a processar novas emoções dentro de si que o farão reflectir no que é importante - e não tanto no acessório: o que deseja conquistar num próximo relacionamento.
- Com base nas suas experiências anteriores... ...no que aprendeu, nos seus pontos fracos, das relações que teve... tente perceber quem é mesmo a outra pessoa que acabou de conhecer e o que pretende para si. No início queremos todos mostrar o nosso melhor e é tudo maravilhoso. Mas é em situações de maior contacto e rotina que começamos a conhecer, de facto, o outro. Por isso, o Tempo é também um bom aliado. Pratique bastante a amizade e os afectos para que se possam conhecer bem, mutuamente;
- Não magoe, nem se deixe magoar. Se sentir que a relação está a ir longe demais e não tem certezas do que sente/quer, etc... Converse com a outra parte e decidam o que fazer em conjunto. Ou, se já tomou uma decisão, avance com o que sente que tem de fazer. Faça-se respeitar, mas respeite também o outro. É preferível ganhar um bom amigo/a, pelo medo de arriscar perder um/a mau/a companheiro/a, sem que reste mais nada.
- Escute a opinião dos seus amigos mais íntimos ...dos que o conhecem melhor e querem que seja mesmo feliz. Fale com eles sobre o que sente (ou não sente), se possível. Abra-se sobre a relação anterior e ouça a opinião deles, se ainda florescerem dúvidas. Se enveredar por uma nova relação - perfeitamente resolvido/a - dê a conhecer aos amigos mais íntimos a outra pessoa, passado algum tempo. Organize um jantar ou uma bebida de final de tarde para que exista contacto e o mínimo de conversação entre os seus amigos e o outro. Desta forma, talvez tenha um feedback mais exacto de outras pessoas que serão bem mais isentas do que você, mas que no limite, querem o melhor para si. :)
- A importância de um Companheiro/a, não de uma Companhia...
Tanto a mulher, como o homem, quando inteiros, podem escolher ter um companheiro de jornada autêntico, que não esteja envolvido numa linha cruzada de projeções recíprocas, reflectidas nas necessidades pessoais de cada um.
Se tiver mais sugestões, envie! :) É sempre bom ouvir outras opiniões, aprendemos sempre algo de novo com as experiências dos outros. E com este artigo, termino a semana dedicada ao Amor e aos relacionamentos... :) O Amor é a essência da Vida. Por isso, não deixe de viver sem ele, mas não se magoe nos espinhos da mais bela e perfumada Rosa. Amar sim, mas com respeito por si e pelo outro. Isso sim, é Amor. Seja uma amizade seja uma relação de companheirismo romântico. E tenha em mente que... tal como a Rosa, mesmo a melhor das relações tem espinhos. É importante comunicar - sempre! -, evitar mal-entendidos e equilíbrar as coisas quando os nervos se mostram à flôr da pele...
Quando acordei sentia-me estranha, sonolenta e com a cabeça longe...
Conheço-me o suficiente para não me preocupar muito com as distâncias que por vezes a minha cabeça percorre, mas hoje... talvez estivesse longe demais.
Não dei muita importância ao caso e despachei-me para sair de casa. Hoje, em particular, estava mesmo desejosa pelo meu abatanado pingado...
Caminhei lânguida e vagarosamente, envolvida por um vestido comprido, amarelo torrado cheio de flores, cujo tecido macio e leve me deixa respirar tranquilamente. Insisti nos óculos escuros, apesar de alguma nublina matinal e até algum ar mais fresco a lembrar os primeiros dias de Outono.
Gosto do Outono. Das árvores carregadas de folhas avermelhadas que acabam por cair com os primeiros ventos e gotas de chuva de alguns dias mais turvos. Acho tão bonito as cores deste arvoredo num dia pleno de sol, mas suficientemente frio para usar uma peça de roupa em malha que me aconchega o corpo e a alma.
Também gosto muito do Inverno. Dos dias frios e até dos mais chuvosos, quando me posso dar ao luxo de decidir se fico por casa ou se me atrevo a chapinhar nas poças de água com as botas de borracha. Delicio-me com as noites de temporal, aquelas em que o céu, assutadoramente escuro, é rasgado por raios de luz e energia de uma potência elevada ao que está para além do infinito. Deixo a casa às escuras e fico a ver as sombras que estes clarões fazem ao invadir a minha escuridão omissa de voyeur.
A Primavera deixa-me instável. Não, não é só pelas alergias que me transformam os olhos em duas bolsas lacrimejosas e o nariz pingão, parecendo que estou a enfrentar a maior catástrofe do mundo. Não, são apenas os efeitos das hormonas da Natureza no seu esplendor. Gosto das manhãs que chegam mais cedo e me deixam apreciar o nascer do Sol em directo da minha cama, muito a tempo de ouvir o despertar do telemóvel que acabo por desligar antecipadamente. Encho-me de uma nova energia e frescura ao atravessar o parque a pé, todas as manhãs, em que àquela hora só se ouvem os primeiros chilrear das aves que também ainda a despertar.
O Verão é talvez a fase mais aborrecida do ano... parece um paradoxo. Por um lado, há a grande movida das esplanadas, as noites longas a caminhar junto ao mar ou ao rio. Mas aborrece-me as filas e os lugares demasiado populados com demasiada gente. Sinto-me a mais, com menos espaço e procuro sítios mais tranquilos onde consiga conversar com alguém. Não é mau de todo, mas o calor que nas ultimas décadas se tem intensificado deixam-me em modo lesma e apetece fazer quase nada. Um aspecto positivo: os mergulhos no mar, na água salgada, enfrentando algumas ondas que nos pedem para nelas mergulhar e tocar nas areias mais profundas... O Mar é místico e muito especial para mim... Guardo-o, durante todas as estações do ano, nas mais variadas circuntâncias e algumas companhias, quando me apetece tê-las por perto.
Marinava neste turbilhão de pensamentos vagos mas um pouco analíticos, quando já no regresso a casa e ao passar numa esplanada bem perto do meu prédio alguém me pergunta se tenho lume. Uma voz masculina, jovem, bem colocada e educada. Parei, olhei para a mesa onde estavam três rapazes entre as mesmas idades... talvez não mais do que 22, 24 anos. Fiquei parada porque nesse dia, como já referi, os meus neurónios estavam todos ausentes e não havia substitutos. Depois de escassos segundos em silêncio em que apenas permanecia parada a olhar para a mesa e para o rapaz que me solicitava lume, é que consegui, de forma entorpecida e distante, dizer que não, não tinha lume nesse dia. Até expliquei que costumo trazer sempre um isqueiro comigo, mas nessa manhã tinha apenas levado um saco de pano com um livro e a carteira. Lamentei e voltei ao meu passo letárgico. Não tinham passado 3 ou 4 segundos e novamente aquela voz suave e humilde me pedia desculpa e perguntava se eu podia esperar um momento, ao mesmo tempo que o via levantar-se a caminhar na minha direcção. Ali estava ele, em frente a mim. Um daqueles miúdos que, na escola secundária ou na faculdade, eu teria dado tudo para que reparasse em mim. Bom, também não iria adiantar muito, porque a minha timidez levava-me a fugir a sete pés.
Os olhos eram num tom azul cinza e as pestanas longas. Era esguio e com look de beto de cascais que faz surf quando não está na esplanada nos intervalos das aulas, como era o caso. Acho que pelo menos um dos meus neurónios regressou à base, curioso com o que se passava ali. Pediu-me se podia ver os meus olhos. Eu não estava a acreditar... Um garoto a atirar-se a uma mulher com quase 40 anos? Ok, pode até não parecer, pelo meu ar descontraído no vestir e estar, mas... hello??!
Completamente despreocupada e curiosa pelo atrevimento gentil daquele miúdo tirei os óculos escuros e olhei-o bem nos olhos, dizendo-lhe apenas que hoje estavam um pouco turvos. Acho que foi ele quem corou. Rematou dizendo que eram muito bonitos. E apresentou-se, ao mesmo tempo que me estendia a mão: Miguel, disse ele. Correspondi ao gesto e estendi-lhe a minha mão dizendo o meu nome, quando em vez do esperado aperto de mão, a beijou delicada e educadamente. Ficou surpreso com o meu nome dizendo que era também o nome da mãe e que não se iria esquecer.
Acho que me apeteceu rir muito mas contive-me por ele, que ao mesmo tempo estava a ser um doce. Parecia um pequeno príncipe, meio tímido, meio atrevido, que lançava o seu charme como quem lança perfume. Retirei a minha mão da dele e despedi-me dizendo apenas que tinha sido um prazer. Ele também e continuando a acompanhar o meu passo lento me dizia/questionava... "talvez nos voltemos a ver por aqui, quem sabe, não?"... Simplesmente, sorri e continuei. Quem sabe...
Ao mesmo tempo que me questionava sobre o que tinha acabado de acontecer, embora deliciada pelo gesto do jovem conquistador, concluí que... a atenção e o charme não têm idade. Um homem pode chegar aos 30, aos 40, 50, aos 80 anos, pode ter percorrido toda uma vida sem nunca ter manifetsdao um gesto simples, bonito e elegante como o deste miúdo. Ou então, talvez tenha sido eu quem não tenha tido muita sorte pelo caminho das emoções. Ou ainda... talvez tenha fugido, quando tinha a idade do miúdo da esplanada...
A cabeça continuava longe, mas com os restantes neurónios já estavam a caminho.
Um casamento, uma viagem ao melhor estilo rewind, um furo e... um tiro de sorte quando atendi o telemóvel. Afinal ias cumprir o combinado e aparecer, apesar de, nessa noite, os Deuses estarem a brincar no tabuleiro de Xadrez da tua vida...
Pensei que tinhas desistido e depressa abandonei a ideia de sair de casa. Com o passar dos anos - e das diferentes companhias e profissões - a minha preguiça de ascendência monástica tornou-se cada vez mais inimiga da imprevisibilidade. Num desafio à mudança de curso na minha rota, fui mais forte e derrotei a moleza gratuita para saborear o sal e a pimenta da tua vinda e também pela tua persistência numa noite tão cheia de ameaças de xeque-mates, prontos a venceram os teus sentidos.
A senhora do GPS não percebia nada do assunto e ignorava o que estava nas estrelas dessa noite. Tentou também quebrar o pacto do Homem, mas não conseguiu... Tecnologias à parte, a persistência vence quase sempre todos os entraves colocados no caminho.
Ao mesmo tempo que tentava convencer-te que a ingrata do GPS te traía, pediste-me para levar o Bikini vestido, como quem dá mais uma dica sobre o percurso. Bloqueiei e baralhei ainda mais a tua orientação, já que tu também tinhas baralhado a minha. Perdi-me. Perdeste-te. Bikini, às 11:30 da noite??
Por um estranho motivo conseguiste encontrar-me. Por um estranho motivo, fui mesmo vestir o bikini e trocar a roupa que tinha vestida pela de praia.
Rumámos em direcção ao mar. Só queriamos uma esplanada divertida para encontrar o resto da matilha e beber um café gelado, um mojito, uma morangoska, uma caipi-black, ou - qui çà - um cosmopolitan com uma folha de hortelã. Qualquer coisa gelada...
Fomos para o local errado... ou certo, não sei bem. O silêncio era de facto de ouro. Ouvia-se o mar e apenas algumas vozes. Faltava o turbilhão da música e a confusão de vozes e risos por entre copos a tocarem-se em brindes a tudo e a nada.
Afinal estava fechado, e saíam os últimos convidados de um jantar privado. Wrong Spot!
Agarraste-me a mão e levaste-me pelo areal para ver se seria no bar ao lado. Talvez! Muita gente lá dentro, mas o acesso à praia vedado!
Talvez fosse ali! Havia espreguiçadeiras e chapéus de palha no areal deserto, onde apenas o mar, as estrelas e a lua testemunhavam o nosso desespero em encontrar o tal sítio para beber alguma coisa e nos fixarmos... a conversar.
Já descalços, experimentámos a temperatura das primeiras ondas, as pequenas, muito pequeninas, as que chegam limpinhas à beira mar e desmaiam no areal vencidas pelo cansaço de terem sido grandes. Estava morna! E num instante... num abrir e fechar de olhos, mergulhámos de cabeça, resilientes, porque seria bom demais para desperdiçar...
Lá dentro a música continuava, mas nós dançavámos com as ondas e ouviamos as baladas dos búzios, das conchas, enquanto bebiamos a água salgada mais fresca e doce da vida...
Soltaram-se balões iluminados pelo céu estrelado e ouviram-se risos, aplausos e música mais alta. A festa estava no terraço do Lounge de praia e finalmente podiamos tentar beber algo menos desconc'ertante, less... salty.
Ainda meio molhados, eu vesti as minhas calças indy verde-lima e o top de malha, que em nada combinava com a tua camisa de beto rebelde. A festa estendeu-se à praia e nós estendemos os nossos tentáculos à festa, de forma maliciosa e descontraída. Um casamento, afinal! Penetras, intrusos por completo, em mais uma festa privada, animada, em que ninguém parecia dar por nós ou inquietar-se com a nossa presença bizarra e... encharcada!
Não era a nossa tribo, mas sim um mix de espanhóis e portugueses que se uniam pelo amor dos noivos de países vizinhos.
Mesmo depois de me desafiares para dançar uma "espanholice" que passava em grande ritmo e me roubares algum sal dos lábios, não conseguimos uma bebida, mas a gentileza foi tremenda e saimos com garrafas de água gelada oferecidas pela gerência em busca de outro spot, onde não nos sentissemos intrusos, apenas... confortavelmente desconhecidos.
Outra praia. Chegámos, finalmente... Onde?... Para onde íamos?... Só a imprevisibilidade dos Deuses que comandavam o jogo de xadrez sabiam qual a jogada seguinte. Limitámo-nos a seguir os ritmos da música, o sabor do Black Vodka com gelo e a (con)fusão da multidão turva e embaciada, o suficiente para nos inspirar pelo resto da noite...
Não estava a perceber nada... mas não me apetecia perceber...