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Tuesday, November 30, 2010

Quando o Próprio Amor, Vacila...

Porque hoje me apetece relembrar esta música lindíssima da Maria Bethânia... aqui fica.

Eu sei que atrás deste universo de aparências,
das diferenças todas,
a esperança é preservada.

Nas xícaras sujas de ontem
o café de cada manhã é servido.
Mas existe uma palavra que não suporto ouvir,
e dela não me conformo.

Eu acredito em tudo,
mas eu quero você agora.

Eu te amo pelas tuas faltas,
pelo teu corpo marcado,
pelas tuas cicatrizes,
pelas tuas loucuras todas, minha vida.

Eu amo as tuas mãos,
mesmo que por causa delas
eu não saiba o que fazer das minhas.

Amo teu jogo triste.

As tuas roupas sujas
é aqui em casa que eu lavo.

Eu amo a tua alegria.

Mesmo fora de si,
eu te amo pela tua essência.
Até pelo que você poderia ter sido,
se a maré das circunstâncias
não tivesse te banhado
nas águas do equívoco.

Eu te amo nas horas infernais
e na vida sem tempo, quando,
sozinha, bordo mais uma toalha
de fim de semana.

Eu te amo pelas crianças e futuras rugas.

Eu te amo pelas tuas ilusões perdidas
e pelos teus sonhos inúteis.

Amo teu sistema de vida e morte.

Eu te amo pelo que se repete
e que nunca é igual.

Eu te amo pelas tuas entradas,
saídas e bandeiras.

Eu te amo desde os teus pés
até o que te escapa.

Eu te amo de alma para alma.
E mais que as palavras,
ainda que seja através delas
que eu me defenda,
quando digo que te amo
mais que o silêncio dos momentos difíceis,
quando o próprio amor
vacila.

Take Care.
Love,
Birdie

Friday, November 26, 2010

Aprovado!

No meio de muita contestação, discussão, manifestção, greves, capas de jornais, resmas de entrevistas e "especiais" na Televisão, muitas conversas de café animadas por um pastel de nata, uma bola de berlim com creme ou um tradicional palmiére recheado - embora eu seja é fã das bolachinhas húngaras recheadas de marmelada e com as pontinhas embebidas em chocolate - e ainda, depois de muita especulação, apelos, alertas, "puxadas de orelha de Bruxelas", algumas fotografias de telemóvel, muitos posts em blogs e partilhas de links no Facebook, muitas tricas e trocas de "galhardetes" nos corredores da Assembleia, muitos directos de TV, alguns discursos inflamados e outros... insuflados, eis que hoje, senhoras e senhores, Portuguesas e Portugueses... o orgulho nacional impôs-se! Foi finalmente aprovado o Orçamento do Estado para 2011!

Vamos sair para a rua e comemorar esta data histórica! A data em que o Desemprego em Portugal bate records, em que o número de empresas a falir se agrava, o dia em que sabemos (e não era preciso ser bruxo para saber) que os preços dos bens e serviços em 2011, em geral, vão subir, e em que... faz um frio enorme devido a uma vaga de frio polar. Estamos a congelar, a bater o dente, literalmente.
Mas hoje, é dia de celebrar! Foi aprovado o Orçamento de Estado que salva a Economia do País, salva os trabalhadores e a população de uma enorme crise internacional, e que é a chave para a resolução dos problemas dos Portugueses e Portgueses, neste Portugal em que até existem Funcionários Públicos de 1ª e de 2ª categoria.

Não sei se é do frio ou de tanto bater o dente. A verdade é que nada disto parece bater certo, e muito menos fazer sentido. O que me parece que é estamos a perder o sentido de orientação e a entrar em rota de colisão. Salve-nos a Estrela de Natal que, caso a crise deixe, deve estar para chegar. Talvez nos conduza a outros caminhos, mais lúcidos, mais claros, e acima de tudo, mais justos... para todos e não só para alguns.

Take Care.
Love, 
Birdie

Saturday, November 13, 2010

Home, Sweet Home.

Embora possa existir uma certa nostalgia, a verdade é que o regressar a casa depois de uma viagem é como tomar um bom duche quente e comer uma refeição caseira depois de um dia passado no frio das montanhas, por exemplo. É, no mínimo, retemperador.

Confesso que não tive muito tempo para sentir nostalgia. Vinha com os horários totalmente trocados e sei que quando cheguei vagueei pela casa, meio eléctrica, porque era de madrugada e não tinha sono. Andei de um lado para o outro a tirar coisas das malas, separar roupas para lavar, pequenas recordações da estadia, postais, livros, o tapete de yoga e meditação que a Tia me ofereceu, os chás que insiste que eu tome... Já tenho saudades dela.


De facto, esta viagem trouxe-me muitas coisas boas. Entre elas, a minha Tia, que se revelou uma luminosa surpresa.
Um pouco louca, mas simplesmehte adorável.
Tem perto de 65 anos, mas parece bem mais nova.

Foi para o Vietname ainda muito jovem. É irmã do meu pai, por isso, do lado sicíliano da famiglia. :)) Viajou para lá com a família com quem foi viver desde os 11 anos, estava o meu pai já em Lisboa. E nunca mais voltou. Por opção. 

Conheceu o meu Tio por lá. Ele já faleceu. Pertencia ao grupo de diplomatas americanos que estavam na Embaixada dos EUA, em Hanói. Estavam do lado oposto das trincheiras da guerra. Conheceram-se quando a minha Tia liderava um grupo de activistas a favor da Paz, chegando a estar presa por diversas vezes. Tem inúmeras histórias para contar sobre a Guerra...

Quando terminou o conflito, participou na reconstrução do Vietname e não assumiu nunca nenhum cargo oficial porque não quis envolver-se em Política, de forma activa. Preferiu o caminho das Artes, uma grande paixão que cultivou sempre, principalmente, no que respeita a pintura. A tia promoveu o desenvolvimento da arte - em particular das artes plásticas - no Vietname, fundamentalmente em Hanói. Com a ajuda do meu Tio - também ele um fascinado pelas artes plásticas e coleccionador de carros antigos - abriu uma série de galerias, promoveu inúmeras conferências, workshops e participou na criação de cursos universitários, estimulando sempre uma forte interacção entre artistas e movimentos artísticos ocidentais e orientais.


Nunca tiveram filhos, pelo que eu diria que a Arte é, sem dúvida, a minha prima. :))

Hoje, detém uma das principais e mais reputadas galerias de arte em Hanói, ainda promove muitos encontros entre artistas e é respnsável por grandes eventos culturais na Cidade. O Tio morreu há cerca de 2 anos...


Ela tem uma vida muito activa. Mas fiquei fascinada por ela porque, além de uma enorme capacidade de se dedidcar aos outros, tem também uma extraordinária capacidade de facilmente entrar na nossa cabeça e saber exactamente o que estamos a pensar, se estamos tristes, felizes, agitados, apáticos, etc. Além disto, adora receber em casa os amigos, mas também tem uma vida social fora de casa muito agitada, embora esteja a reduzir o número de eventos e festas onde vai, porque começa a ficar muito saturada desta agitação. É muito acarinhada por todos devido às suas posições sempre muito frontais, mas também muito dedicadas e genuínas nos laços que estabelece com o seu círculo de amigos mais íntimos. 
Esta Tia é um Mundo, um ser humano precioso, raro e tão clarividente na forma como gere a sua vida que me inspirou, de alguma forma, a mudar muitas coisas na minha vida.



Regresso a casa, diferente. Diria até que... muito diferente da pessoa que era antes de a conhecer e viver durante um mês com esta senhora. 
Será sempre um marco na minha vida. A partir de agora, vamos estar muito mais em contacto. Prometeu-me que este ano viria a passar o Natal connosco. Será a primeira vez, desde que partiu. Um acontecimento único e a família cá está a adorar a ideia. 
E prometeu-me que em breve me "rapta" para estar com ela em N.Y. durante o período da exposição que vai levar para lá em Abril do próximo ano! Se assim fôr... vai ser terrific!! ;)
No entanto, o melhor de tudo é esta ligação que se estabeleceu entre nós, e que não será facilmente quebrada. Nem pela distância... 
Acredito que a distância funciona apenas como desculpa nas relações que pura e simplesmente não teriam qualquer futuro, mesmo que essa mesma distância não fosse uma barreira. Por vezes estamos tão perto de amigos / familiares, que mal sabem quem somos, o que queremos e para onde vamos.


Take Care.
Love,
Birdie

Thursday, November 11, 2010

Preparing to go Home...

Today, it's my last day in Hanoi...
Sim, ao fim de 4 semanas - a caminho da 5ª - é tempo de voltar a casa.

Escrevo a alta velocidade nas teclas gastas do portátil que me escreve, lê, corrige, e me conhece há anos. Tinha saudades da escrita, destes momentos de solidão tão importantes para conquistar solidez de alma. Revemos os momentos que, colados uns aos outros, vão fazendo acontecer os nossos dias e pensar... Escrever é estar comigo, de uma forma intensa e em estado meditativo, na qual apenas existe o meu mundo. O resto, só o que faz parte deste "meu" mundo conta.

São 3:30 da manhã. Não tenho sono e o meu voo é daqui a 5 horas. Restam-me mais umas 2 a 3 horas neste quarto que foi meu durante 4 semanas. Um quarto onde dificilmente voltarei, mas que fará sempre parte de mim. Um quarto onde, agora, escrevo sentada na cama.

Resta-me uma mala por fechar. Tende em me contrariar, alertando-me para o excesso de volume face à escassa elasticidade do fecho de correr. A Mochila parece um ovo de Dinossauro. Não sei como me vou equilibrar com aquilo às costas. Porque será que no início da jornada, as malas parecem mais arrumadinhas e menos volumosas do que no regresso a casa? Mesmo sem ter comprado... muita coisa... Hummmm.... pois, não foram assim tão poucas, mas... Mesmo assim! Quase sempre acontece isto. Talvez por sabermos que vamos para casa e que já não interessa tanto se a roupa vai sair toda amarrotada ou não, pois provavelmente, vai toda para a máquina de lavar.

Enfim, são quase 4 da manhã e eu aqui a "lavar roupa". Como é possível que ao fim de 4 semanas em Hanoi eu esteja aqui a "vegetar" acerca das malas e da roupa e de tudo menos do que é importante partilhar?! Desculpem, devem ser mesmo os meus neurónios que fundiram de vez e só sobrou o surfista, mesmo... Estão a vê-lo, de prancha, a correr praia fora e a atirar-se ao mar? Ele quer lá saber. Ele quer é ONDAS sem mais confusões!!!

Sem mais ondas... devo confessar que estas foram 4 das melhores semanas da minha vida. Por tudo, claro. Pelo Viagem, mas acima de tudo pela descoberta e pela auto-descoberta.
Descoberta de uma pessoa brilhante, fantástica, e genuinamente encantadora, pela minha própria viagem interior - que creio que todos fazemos quando nos atiramos para "novos mares e novas ondas" :) - , e por Hanói, claro.

Destruída pela guerra do Vietname, este é um verdadeiro exemplo de persistência, humildade, preserverança, paciência e foco. Reconstruiu-se aos poucos, mas de forma sólida e distinta.

Vejo-a como uma fulgurante borboleta saída da sua crisálida silenciosa e cinzenta, pronta a voar e a encantar os que têm a oportunidade de a vislumbrar... e se deslumbrar.
Com mais de 6,5 milhões de habitantes esta é a capital e a segunda maior cidade do Vietname que comemorou oficialmente os 1000 anos - como cidade - em Outubro deste ano, pelo que se tornou numa das principais rotas "in" a visitar, durante 2010.
A Vida pulsa em Hanói! Manifesta-se na malha gigantesca de bicicletas que, cedo, iniciam a jornada por toda a metrópole. Mas as motos são de facto o meio preferencial de transporte e não se "vive" sem uma! Fazem as delícias de todos os vietnamitas, de qualquer faixa etária.

Há restaurantes de todo o tipo de comida e preço que possam imaginar: Vegi, Vietnamita, Japonês, Chinês, Tailandês, Ocidental, hamburgerias Viets, enfim, uma panóplia para todos os gosto! E claro, a acompanhar qualquer prato, a cerveja! Sempre a jorrar... e muuuito barata! Mesmo... :)
Fiquei espantada com a diversidade de mercados de peixe fresco, mas acima de tudo de como TUDO - literalmente - se vende nas ruas: comida pronta - uns rolinhos de vegetais e a sopa tradicional (Pöh, com vaca ou porco) - que se vende em cada esquina (lá não existe uma ASAE!) :)) Experimentei tudo e aguentei-me! ;)


A noite é incrivelmente animada. O clima é muito quente e húmido. E as noites são longas.
O ponto de encontro da esmagadora maioria dos jovens, e não só, é junto ao lago Hoan Kiem - o maior de todos os lagos da cidade, no Old Quarter - e que ao seu largo aglomera restaurantes de todo o género, discos, clubs, bares com e sem música ao vivo, tudo o que possam imaginar e até o inimaginável em Hanói: um bar onde só se escutam os melhores músicos de Jazz Vietnamitas ao vivo, que tocam os maiores sucessos da Blue Note label.

Não esperava que a cidade fosse tão... cosmopolita e trendy! De facto, há locais fantásticos: bares, restaurantes, lojas, e uma brutal proliferação de Galerias de Arte! Aliás, Hanói converteu-se à Cultura, por excelência, e é actualmente uma das cidades do mundo onde começam a surgir os novos grandes nomes das Artes Plásticas, bem como as obras de arte mais desejadas. Não queiram saber de que valores estamos a falar.... :)
Há também espaços que constituem um misto de galeria de arte e bar, frequentados por intelectuais locais e estrangeiros, jornalistas, poetas, escritores e artistas plásticos.

Conheci este tipo de locais pela "mão" da Tia! Ela foi uma constante surpresa e uma descoberta absolutamente incrível, que me vai marcar para a vida. :)
Mas dela, vou falar-vos no meu próximo post. Está na hora de levantar e preparar para a longa maratona de vôos que tenho pela frente!
Até já! ;)

Take Care.
Love,
Birdie

(que saudades de vos escrever!...)


Stress and the City, no YouTube

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