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Thursday, September 30, 2010

Do Tamanho da Paz...

Written on the 3rd of August 2008 (Sunday)
Still, updated... two years later.


Sinto-me um "guichê" de reclamações...
Amigos que nunca me vêem e reclamam a minha presença. Em jantares onde nunca consigo estar, saídas divertidas nas quais nunca chego a aparecer, e nem para um simples café com um amigo novo que gostaria de estar mais tempo comigo...
Em momentos breves de fim-de-semana, a família reclama a minha atenção em conversas triviais e a presença à mesa onde o almoço é sempre mais longo aos Domingos...

Estou cansada das reclamações! Mas pior que isso... estou saturada das minhas "desculpas" de sempre, que me forçam a não estar presente... e que originam as "reclamações". Estou cansada de estar cansada de mim.

Sinto a Vida a passar ao lado... Literalmente! Acho sempre que é uma questão de tempo... Tempo... E vou adiando o Tempo para estar comigo, o Tempo para me dar aos outros, mas principalmente, o Tempo para usufruir de mim e ser Feliz.
O Tempo que passa sem que eu dê por isso, sem que eu perceba que vou perdendo dias, momentos especiais e com tudo isto... pessoas que me são queridas, pessoas que não conheço e que poderia conhecer porque nunca estou, nunca vou, nunca saio... porque estou sem paciência, porque estou farta de me ver desta forma e prefiro nem me dar a conhecer.

Engolida pela vertigem dos dias, que me corta a respiração, me prende a Alma e me amarra a dias automatizados - todos iguais... esta é uma vertigem que me suga as emoções, a energia anímica e tudo o que me preenche os Sonhos.
Apago a "luz" interior para me aguentar meses e meses consecutivos sem permitir que o meu "eu" se faça ouvir. Calo-o com uma "mordaça" e fecho-o no escuro para não o escutar e muito menos sentir aquilo que ele me tenta fazer recordar e a pedir: deixar tudo e todos e partir!

O meu "guichê" de reclamações acumula pilhas e pilhas de queixas, de pressões por "resolver", de pedidos para "acender a Luz" que faça regressar a Birdie que muitos conheceram e que apenas eu reconhecerei se voltar a sentir aquele pulsar pela Vida.
Os que não conhecem, nem entendem...
Diz o ditado que "Água Mole em pedra Dura, tanto Bate até que Fura". 
Olho para a linha do horizonte que beija o Mar e revejo-me em múltiplos sonhos que vou adiando como adio o Tempo que quero para mim... Tenho uma Caixa cheia de Sonhos por desembrulhar e abrir. Já passou tempo demais.
Estou cansada de tanto esperar e ainda mais das minhas desculpas de sempre.

O Sol diz-me adeus e deixa-me envolvida em tons de pastel, antecipando a escuridão do meu "Buncker". A brisa fresca sussura-me que vem aí mais um Outono e que o Tempo não espera por mim...
Tento respirar fundo, mas não consigo porque o Coração está demasiado duro e amarrado para me sentir.
O Sol desapareceu e a Lua chega a tempo de testemunhar duas lágrimas que se soltam dos meus olhos fixos no Tempo que não consegue agarrar e que me grita das entranhas para agarrar na mochila e me fazer à estrada, em busca de Vida, em busca de mim.


Não quero voltar para os meus dias escuros e automatizados. Apenas quero estar onde possa ficar do tamanho da paz e tenha somente a certeza dos limites do Corpo, do equilíbrio da Alma e... nada mais.

Love, 
Take Care.
Hoje... Namastè
Birdie

Wednesday, September 29, 2010

In the Mood for This!

Today I feel like this... Going away NOT for a week but for the rest of my life! :)) This sounds... challenging enough for me.

I am A-BSO-LU-TELY fascinated with this spot! 
Sorry about being just a TV commercial. It's a shame!
It's so beautiful and delightful that it should turn into a story for a film...

Love, 
Take Care, as always.
Birdie


Tuesday, September 28, 2010

Insónia Sábia

Acordei cedo... muito cedo, até. Às 4 da manhã deixei de ter sono e fui invadida por mil pensamentos confusos e dispersos.
Por vezes tentamos entender coisas que não estão ao nosso alcance. Faltam ingredientes em acontecimentos incoerentes, em restos de conversas, em histórias inacabadas ou mal contadas, em dúvidas prementes que não podem ser confrontadas àquela hora em que o nosso espírito se inquieta...

Às 4 da manhã eu queria entender o meu mundo e o dos outros. Tarefa dura para realizar de madrugada ou a qualquer outra hora... Uma missão impossível quando, entendedo aos poucos o que se passa no nosso pequeno mundo, necessitamos de respostas mais completas para tomar decisões importantes, respostas essas que estão em outros mundos... inacessíveis.

Cansada de estar deitada sem dormir, sentei-me na cama e recostei-me nas almofadas, enquanto olhava para o meu quarto e depois para os meus braços e mãos, sentido, talvez a necessidade de me sentir real, eu mesma, de carne e osso e não apenas um novelo de pensamentos que me percorriam a alta velocidade...
Respirei fundo ao mesmo tempo que senti o prazer e reconheci os motivos que me levaram a ter sempre várias e grandes almofadas na cama. Gosto efectivamente de almofadas. Amparam as nossas quedas, são boas conselheiras, excelentes para uma pequena "guerra" de almofadas em que tudo acaba bem e também porque nos aconchegam quando - no meio do turbilhão - precisamos de um abraço, apenas, e não o temos em nenhum armário da casa. Infelizmente ou felizmente, ainda não se encontram à venda nas lojas de Conveniência, abertas 24 horas por dia.

Ao aconchegar-me nas almofadas e sentido o toque macio e limpo no meu corpo, entornei-me numa sensação de tranquilidade e paz, apesar dos pensamentos intensos. Agarrei no livro que estou a ler e abri na página onde está o marcador vermelho. Não li. Olhei para as palavras sem as ver. Queria um ponto de focagem e só o encontrei ali. Olhei para a página e nada li. Pensei apenas, focada na página em si e soltando aos poucos os intrusos que me invadiram a meio da noite. Aos poucos, fui libertando um a um e meditando um pouco desliguei de todos eles porque deixaram de ser importantes naquele momento. O foco era a página do livro, era eu mesma. Porque a ansiedade estava em mim, necessitava de a libertar. TInha passado uma hora e meia. Coloquei o livro de lado, enrrosquei-me numa das almofadas, apaguei a luz e deixei-me ficar... serena, segura, cansada, mas em paz comigo.

Há coisas que, provavelmente, nunca iremos entender. E nesse caso, o melhor que há a fazer é deixá-las partir em paz. Acredito que o Universo é sábio, mas também acredito profundamente que somos nós que escolhemos o nosso caminho e ditamos, hoje, o nosso amanhã. Não podemos mudar os outros, somente a nós mesmos.
Quando já nos conhecemos um pouco melhor e sabemos o que queremos - mas acima de tudo, o que não queremos - a decisão de nos libertar de certos pensamentos, pessoas, coisas, momentos ocorre de forma lenta, mas tranquila. O caminho não é fácil e é lento. Mas sabemos que Hoje estamos a dar novas oportunidades ao nosso Amanhã, caminhando no sentido do que queremos e ambicionamos para a nossa Vida.
Estou no meu caminho, segura, serena, e no mesmo sítio de sempre, onde permanecerei enquanto me conhecer assim: consciente e fiel a mim mesma, tentando sempre dar o meu melhor em tudo o que me é querido e importante. Só isto importa...
Entrelaçada na almofada, senti-me pousar lentamente nos braços de Morfeu...

"One Needs to be Slow to form Convictions..." - Mahatma Gandhi

Love,
Take Care.
Birdie

Monday, September 27, 2010

A Cocoon Day Trip!

Ouço ao fundo um barulho intermitente, miudinho e irritante que lentamente me desperta o nível do Consciente da mente adormecida. Não quero acreditar... Amanheceu! Ou melhor, o Sol está quase a rebentar no horizonte. Vislumbro a linha do Tejo de forma pouco nítida... Mal consigo abrir os olhos.
Não é possível que a noite já tenha passado!?!

Dirijo-me para o Despertador nº2 - um daqueles despertadores antigos mini-size, verde-alface, tão pequeno que ainda me faz pensar como é possível que consiga reproduir aquele som estridente e terrível. Deixo-o afastado da cama de propósito, porque só assim me consigo levantar...
Que alívio! Desliguei o Verme, olhei bem para os ponteiros e definitivamente: não havia engano. Estava na hora de me levantar...

Pensei que só mais uns 15 minutos não iriam afectar o meu ritual matinal se... não fosse o facto de em vez de 15 terem passado quase 45 minutos...
Acordei de repente com o barulho de trânsito tardio. Quando olhei para o telemóvel perto da cama, saltei apressada e... fiquei mais verde que o meu pequeno Verme nº2!
Voeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeei!!!! Literalmente!

Duche
à velocidade de chuva intensa, vestir várias peças de roupa em simultâneo, ao mesmo tempo que vou andando pela casa para tentar chegar ao estúdio
(não aconselho a experiência, é devastadora...), onde ainda cumprimento o Looney - o meu peixe Telescópio - e lhe dou a primeira paparoca do dia.
Corro para cozinha onde, num movimento rápido - mas pouco sexy :) - abro e fecho o frigorífico para levar a dose de fruta do dia, enquanto engulo apressadamente o chá verde e uma fatia de pão de sementes Prokorn.

Detesto começar o dia a correr, quando ainda mal abri os olhos. Detesto acordar assim, com a sensação de que o Tempo me escorre pelos dedos como a areia da praia! Detesto! E fico mal disposta!! Sim, fico! Com mau-feitio, chata e é um daqueles dias de "não me digam nada!".

Ok, finalmente, não sei como, consegui! Só estou 20 minutos
atrasada , recuperei algum tempo, mas... a sensação de "Urgência - Red Alert - SOS!" não diminuiu.
Despeço-me do Looney em voz alta - como se ele me conseguisse ouvir do fundo do aquário... - e saio porta-fora onde entre as duas voltas da chave na porta e o colocar os plásticos no Eco-Ponto do piso (hoje é o dia de Plásticos), chamo o elevador para não desperdiçar mais tempo.

Entro
, e desço a uma velocidade ligeira onde só falta a colectânea de musiquinha irritante com canções do Stevie Wonder, melodiosamente tocadas por um computador descaracterizado, sem voz, que reproduz o estilo Easy-Listening... Defendo-me desta "imagem sonora" (ou pavorosa) e puxo do meu iPod.
Saio do elevador já a debitar uma das minhas playlists favoritas. A corrida recomeça!
É ele!!
É ele!! Já lá vem!! Corro, corro, corro e lá consigo entrar no 28 completamente atolado - porque já é mais tarde. Está a rebentar pelas costuras, mas entrei! Vou completamente esmagada contra a porta, mas consegui!! Vitória!! Yeeeeeeesssssss!!

Comecei a dissecar um pouco melhor o lugar onde me encontrava. Espera lá: estas portas abrem para dentro... para onde vou ser "atirada" na próxima paragem?????!!!!!!! AAARRRGH!!!!
Comecei a sentir falta de ar, estava quase a sufocar! Porque raio não abrem uma única janela no autocarro???? Além da mescla de cheiros, falta-me o ar!!! Há gente a mais para tão pouco ar!!! SOCORRO!! Tirem-me deste filme!
Foi neste momento que o autocarro fez uma travagem brusca! Senti um forte embate de costas na dita porta do autocarro, ao mesmo tempo que fui projectada para cima de um monte de gente, que em jeito de dominó, ia sofrendo compulsivos embates fortes. Resultado: muitos gritos, muitos pisões, uma zaragata entre duas senhoras ao fundo, e... mais espaço!!!! YEEEAAAAHHHH!!!
Depois disto, tirei as primeiras conclusões interessantes da manhã: nem todos os acontecimentos menos bons resultam em algo totalmente desastroso...
No entanto... relembrei os motivos pelos quais não gosto de andar de autocarro...

Finalmente, o Metro!

Num instante estava em frente ao meu computador a trabalhar...
Fui buscar o primeiro café do dia para abrir a pestana.
Mal me levantei da cadeira, arrastei uma pilha de papéis que tinha acabado de ordenar para o chão, aos quais se seguiram umas canetas...
Apanhei tudo, respirei fundo, contei até 3 e lá fui buscar o café... Cheguei e o telefone tocava incessantemente. Corro para apanhar a chamada, tropeço num fio e entorno o café pela mesa! Fantástico!
Perdi a chamada, só tive tempo de levantar o portátil para que no meio de tanto caos não o acabasse por fritar em café...
OK, vejamos a coisa pela positiva mais uma vez: muitas das folhas ficaram ensopadas em cafeína! O trabalho vai concerteza ser MUITO mais produtivo! Quero acreditar nesta Tese, para contrariar a Antítese do meu dia...

Passados 15 guardanapos e 4 lenços de papel, acrescidos de uma limpeza ligeira com um pano húmido, tudo parecia voltar ao normal... Parecia...
A tarde já se aproximava do fim e o sono foi uma constante no dia ("tal como o Sonho é uma constante na Vida... "). Quando me preparava para desaparecer, soou mais um alarme... o IRS!!!! Damn!!!
O IRS!!!!! Deu erro.... E tenho de voltar a tentar submeter o ficheiro que entretanto gravei...
Não acredito... Tavez seja um problema do Mozilla vou tentar com o Explorer! A esperança voltou, e lá voltei ao computador...
Só mais 15 minutos quem sabe, e resolvo isto! Pois... começava a ser um Dejá-Vù... Passaram 45 minutos, e o filme da manhã regressára ao meu écran mental...

A noite já ia longa quando cheguei a casa... depois do atraso matinal, da corrida e do autocarro, do Metro, do café entornado, das folhas com cafeína, do IRS, e ainda o workshop de Make-up, o supermercado, e uma passagem no Casino a caminho de casa para ver uns amigos, estava outra vez pronta para adormecer...
Que dia...

Não sei o que passou mais depressa: se a noite anterior ou o dia que estava a terminar..

Love, 
Take Care.
Birdie.

Sunday, September 26, 2010

Why do I Feel Stupid and Wierdly Smilling after a Simple Coffee?

Depois da viagem alucinante entre a Negação e a Aceitação de que uma relação terminou, seguido do fim de uma travessia pelo Luto... podemos sentir-nos predispostos a entrar noutra relação ou nem sequer pensar nisso tão cedo, de forma mais ou menos consciente. 

No meu caso, por exemplo, não procurei nada, ninguém. Continuei a trabalhar em mim, no meu auto-conhecimento e desenvolvimento pessoal - para também melhor entender os outros - e a focar-me mais na minha força anímica e energia para retomar a minha vida profissional, social, familiar, novos interesses, entre muitas outras coisas. Creio que na maior parte dos casos funciona assim... Mas há sempre os que estão pressionados - quer por eles mesmos, quer pela família e/amigos - para encontrar novamente alguém o quanto antes, com receio que "fique para Tio/a"!. Esta é uma das expressões mais idiotas que alguma vez ouvi, mas existe e continua a ser uma constante dos encontros familiares... 

Creio que concordarão comigo: quando menos se espera, surge alguém que nos desperta o interesse, a curiosidade, que queremos conhecer melhor e que, quando menos se espera, alguém com quem estamos a combinar pequenos programas quase todos os dias. Muitas vezes surge um/a bom/a amigo/a, outras, algo mais, que pode ou não conduzir a uma relação sólida e que preencha cada um das partes.

Voltamos a uma nova relação em que a Paixão incita a que se queira conhecer melhor o outro e a retomar a esperança de que "aquele/a" pode ser "o tal"!
Sim, de facto pode. Mas pode ser mais um testezinho maroto do Dr. Cupido que, desta forma, está a testar o que supostamente aprendemos com a/s relação/ões anteriores. Por isso, seja cauteloso/a, não mergulhe de cabeça porque o mar pode ser mais raso do que aquilo que pensamos e vai doer muito novamente... 
Deixe-se ir, claro, deixe fluir, mas com calma, ou como diria o nosso amigo Paulo Bento - com muita tranquilidade! :) O Mundo não acaba amanhã e se tiver que acontecer algo de bom, it will come.

Algumas dicas
 - Não faça comparações. 
Quem ficou para trás, ficou! Por isso, a fase do luto é um processo de reciclagem emocional obrigatório, seja qual for o formato. Senão, vai entrar numa nova relação com o fantasma do outro/a;

- Carências e certezas do fim do Luto.
É muitas vezes nas situações em que nos deparamos com outra pessoa que "mexe" um nadinha com o nosso ritmo cardíaco - depois de tanto tempo sem sequer querer saber que existia um mundo lá fora - que... somos confrontados com uma enorme carência afectiva e/ou que afinal... ainda pensamos imenso na outra pessoa que supostamente estava para trás. Então, neste último caso, o Luto não acabou... A outra pessoa ainda não lhe é indiferente - nem um bocadinho ou o suficiente para que não dê por si a cair, novamente, numa enorme nostalgia apática e letárgica. Neste caso, pare! 
Pense no que realmente é importante para si, para a sua vida, e se quer continuar a pensar em alguém que não está muito preocupado consigo, alguém que o/a manipulou(a), alguém que não sabe o que quer há demasiado tempo... no fundo que lhe fez/faz mal, de alguma forma.
Por isso, é importante que no rescaldo do Luto - quando já conseguimos raciocinar melhor e tudo está mais nítido - se faça aquilo a que Nuno Amado chamou de "Autópsia da Relação". E o que é isto? É isto mesmo! Em detalhe, procurar numa relação já morta quais os orgãos, os sintomas, as perturbações que levaram ao seu fim.
Estas são as 5 áreas em que o autor dividiu esta autópsia:

1. Breve Descrição do Parceiro
Como é a sua maneira de ser, que tipo de pessoa é, que interesses tem, qualidades e defeitos?

2. Características do Parceiros que Motivaram a Atracção
Personalidade, Inteligência? Beleza? Atracção física? Forma semelhante de ver o Mundo e a Vida? Sensibilidade, prazer em passar tempo juntos? O à-vontade nas conversas?

3. Início da Relação
Como iniciou? Quem tomou a iniciativa? Como se deu a "dança" da sedução? Onde ocorreu o primeiro encontro? Quando aconteceu o primeiro beijo? Quanto tempo desde que se conheceram até estar oficialmente numa relação?

4. Evolução da Relação
Como evolui esta?
4.1. História da Relação: momentos mais felizes e mais infelizes. Como evoluiu a intimidade, a paixão, o compromisso. Ocorreram episódios de traição? Quando e porque motivos? Aconteceu alguma separação temporária? Se sim, porquê e durou quanto tempo?
4.2. Principais Características da Relação: com que frequência se viam? De que falavam? Como era o contacto físico? Como era a vida social? Como era vivido o ciúme na relação? Como eram vividas as discussões? Até que ponto cada membro do casal estava satisfeito com os diferentes aspectos da relação?
4.3. Mudanças no Casal: a percepção das caractísticas do parceiro alterou-se com o tempo? Em que sentido? Que qualidades ou defeitos foram sendo revelados? Algum dos dois mudou como pessoas?

5. Fim da Relação
Como terminou? Quem terminou? Como foi sentida essa ruptura por ambos? Que reacções teve cada um? Ficaram amigos? Ainda se falam? Houve vinganças?
Arrependimentos: actualmente teria procedido de forma diferente em algum aspecto da relação? Ficaram "coisas" por dizer?

 - A solidão involuntária...
seja qual fôr o motivo, é - contudo - um excelente momento para que um desenvolvimento interior mais profundo aconteça. Pode até ser um ponto de partida em que surgem novos hobbies - ou um maior empenho nos que já existem - , bem como criar e desenvolver novos interesses. 
Ao mesmo tempo, estará a processar novas emoções dentro de si que o farão reflectir no que é importante - e não tanto no acessório: o que deseja conquistar num próximo relacionamento.

 - Com base nas suas experiências anteriores...
...no que aprendeu, nos seus pontos fracos, das relações que teve... tente perceber quem é mesmo a outra pessoa que acabou de conhecer e o que pretende para si. No início queremos todos mostrar o nosso melhor e é tudo maravilhoso. Mas é em situações de maior contacto e rotina que começamos a conhecer, de facto, o outro. Por isso, o Tempo é também um bom aliado. Pratique bastante a amizade e os afectos para que se possam conhecer bem, mutuamente;

 - Não magoe, nem se deixe magoar. 
Se sentir que a relação está a ir longe demais e não tem certezas do que sente/quer, etc... Converse com a outra parte e decidam o que fazer em conjunto. Ou, se já tomou uma decisão, avance com o que sente que tem de fazer. Faça-se respeitar, mas respeite também o outro. É preferível ganhar um bom amigo/a, pelo medo de arriscar perder um/a mau/a companheiro/a, sem que reste mais nada.

 - Escute a opinião dos seus amigos mais íntimos 
...dos que o conhecem melhor e querem que seja mesmo feliz. Fale com eles sobre o que sente (ou não sente), se possível. Abra-se sobre a relação anterior e ouça a opinião deles, se ainda florescerem dúvidas.
Se enveredar por uma nova relação - perfeitamente resolvido/a - dê a conhecer aos amigos mais íntimos a outra pessoa, passado algum tempo. Organize um jantar ou uma bebida de final de tarde para que exista contacto e o mínimo de conversação entre os seus amigos e o outro. Desta forma, talvez tenha um feedback mais exacto de outras pessoas que serão bem mais isentas do que você, mas que no limite, querem o melhor para si. :)

 - A importância de um Companheiro/a, não de uma Companhia...
Tanto a mulher, como o homem, quando inteiros, podem escolher ter um companheiro de jornada autêntico, que não esteja envolvido numa linha cruzada de projeções recíprocas, reflectidas nas necessidades pessoais de cada um.


Se tiver mais sugestões, envie! :)
É sempre bom ouvir outras opiniões, aprendemos sempre algo de novo com as experiências dos outros.
E com este artigo, termino a semana dedicada ao Amor e aos relacionamentos... :)
O Amor é a essência da Vida. Por isso, não deixe de viver sem ele, mas não se magoe nos espinhos da mais bela e perfumada Rosa. Amar sim, mas com respeito por si e pelo outro. Isso sim, é Amor. Seja uma amizade seja uma relação de companheirismo romântico. E tenha em mente que... tal como a Rosa, mesmo a melhor das relações tem espinhos. É importante comunicar - sempre! -, evitar mal-entendidos e equilíbrar as coisas quando os nervos se mostram à flôr da pele...


Love, 
Take Care.
Birdie :)

Saturday, September 25, 2010

The Wall Street Crash is Nothing Compared to This! - Dicas

Com base na minha experiência, deixo algumas dicas que me foram muito úteis durante um dos processos de luto mais duros que atravessei. Serão apenas conselhos vindos de uma hippie-chic, lembrem-se. :) Não há receitas! Depende muito da vossa personalidade, forma de estar na vida, maturidade emocional... são muitas as vogais e consoantes que ditam as "regras" de cada um.

Mas estes, são os "meus" conselhos, os que "resultaram comigo".

O Primeiro Passo
observar o quanto de si mesmo estava no parceiro e aos poucos ir resgatando pedaços cedidos. Simultaneamente, parar para refletir sobre o quanto vivia em função da relação. Por fim, buscar conhecer sua própria identidade que, por certo, torna-se dependente de qualquer relacionamento. Essa jornada interior requer cuidado especial e amorosidade consigo mesmo, nunca pena.
Pesquisar gostos pessoais pode ser o prenúncio de um bom começo. 

1. Lá fora, a rua, os ambientes, etc
Evitar entrar nos locais que costumava frequentar com a outra pessoa, se isso incomodar ou, no mínimo, lhe causar náuseas:

Restaurantes, Esplanadas, Cafés, entre outros do género
Uma boa desculpa para descobrir novos sítios, não lhe parece bem? Procure na Net ou registe-se em sites como o LifeCooler ou a revista mais "in" online Le Cool. Vai fica surpreendido/a com a quantidade e qualidade de espaços e ambientes novos que ainda não conhece!
Jardins
Vá lá! Vem aí o Inverno, vai fazer o quê para os jardins?! Quer correr, caminhar? Beira rio! Mas há muitos outros sítios. Se fôr no Verão, mais uma vez, uma excelente oportunidade para descobrir novos espaços, até fora da sua cidade/aldeia. Parta à descoberta com um amigo/a;

Lojas
Vá a outra e não à mesma, ou da mesma cadeia, mas noutro local! Visite Mercados, vá Feiras e Feirinhas, Feiras de Artesanato, Exposições! Há tanta coisa a acontecer na cidade! A Le Cool dá imensas dicas! Para comprar roupa, acessórios, produtos alimentares e não só! Mas acima e tudo, veja outros cenários, areje a cabeça! ;)



2. Você, aí dentro e em Casa
Não é fácil esta travessia do Deserto onde, durante a viagem e devido à exaustão da perda, vemos inúmeras miragens. Mas elas irão ficando cada vez mais esbatidas. Mais uma vez, depende da REAL vontade de cada um em querer mesmo avançar e seguir um novo rumo na sua vida com o Coração resolvido e pronto para respirar fundo, bem como a Alma renovada e mais forte, para que possa ver de forma nítida e ainda mais colorida tudo e todos os que o rodeiam.

Estas experiências são marcantes e quando conseguimos sair deste Deserto, aprendemos a olhar mais para os outros, tornando-nos mais sensíveis aos seus problemas, depois de tanto tempo enrolados no nosso umbigo.
São momentos duros, mas de grande aprendizagem e auto-conhecimento.
É importante não temer ou evitar o luto - seja qual for a forma como escolha vivê-lo. Encare de frente e permita-se... o tempo que sentir que é necessário. Não há timings marcados, regras, nem tempos médios estimados.

Em casa
Sim, aquela era a almofada onde ele/a se enrroscava quando viam um filme juntos. Credo, e a cozinha parece agora um inferno ao Sábado de manhã quando se lembra de como ficavam horas a preparar e a picar o pequeno-almoço antes de saírem para o primeiro café do dia.
Sim, é verdade... Tendemos a olhar para todos os pormenores que nos relembram o outro e a colocá-los quase num pedestal junto ao qual nos desfazemos em lágrimas. NADA DISSO! Se for preciso, arrume a almofada, esconda-a! Mude alguns móveis em casa. Além de trazer boa energia, altera o ambiente e a predisposição fatal da mente para colocar imagens antigas no cenário. Há que trocar as voltas ao inconsciente... ;)
Se puder, compre aquela estante que tanto queria e termine de organizar o escritório. Compre uma fonte com água, se fôr o seu género. Mas por favor: não aquelas que têm Budas com bolas que mudam de côr.... Demasiado Kitsch! Use incenso para criar novos cheiros no quarto ou aromoterapia: uns frasquinhos com óleos com "efeito/poderes" variados, de acordo com o que queira mudar em si ou na casa. Velas com cheiros também são excelentes companhias, principalmente nas noites frias de Inverno. Para quem não tem lareira, tornam a casa mais cosy... :)
Dê-se ao luxo de comprar um ou outro CD que andava desejoso/a por ouvir. :) Seja no leitor de CD's ou no iPod. Se PODe, AJA! ;)
Se há roupa ou tralhas do outro... coloque tudo numa caixa e tente que a venham buscar o mais rapidamente possível.

Agora, algumas dicas mais específicas

Música
Esqueça as músicas que faziam parte do Universo dos dois. Lembre-se: isso acabou! Nem que fique um mês inteiro a ouvir a mesma playlist, mesmo que só ouça música de chorar "baba e ranho", faça-o! Mas não ouse ouvir o CD duplo do Billy Joel, aquele que ouviram durante toda a viagem que fizeram no fim-de-semana romântico na Praia Verde.
Quando começar a sair da fase menos caótica, organize uma playlist com música cheia de energia que o fará levantar-se de manhã e avançar para o trabalho e para a vida à velocidade de um Lamborghini vermelho! ;) Vrrrummmmmmm!
Um site onde pode facilmente criar playlists de acordo com a sua mood: o StereoMood, claro! ;) Quem é amiga, quem é?... ;)

Filmes
É um dèja-vú, certo? Até uma criança de 4 anos sabe isto, mas... nunca é demais lembrar: não veja filmes lamechas ou comédias românticas, e por favor: os filmes fantásticos que viram juntos no cinema ou no seu sofá SÃO tão PROIBITIVOS como uma plantaçao de Cannabis aí em casa.... Ok, são AINDA MAIS PROIBITIVOS que isso. (guarde lá o vaso, se faz favor!)
Corpo e Mente
Pois... a vontade de ficar na cama a chorar, a ruminar, dormir, ou a criar raizes, é melhor do que enfrentar o mundo lá fora. Somos os seres mais horrendos da galáxia, temos os olhos inchados de não dormir e de tanto chorar, estamos flácidos por ter emagrecido ou por se ter engordado com doces e goluseimas de compensação, que até temos medo de olhar para o espelho. Também não queremos ser presos por ferir a susceptibilidade dos outros e por manchar a nossa imagem lá no bairro. :(
Nada disso! Mas esqueça os peixes e os gatos para fazer companhia. Uns morrem facilmente e não fazem mais nada senão abrir e fechar a sua boca redonda, olhando-nos como se fossemos nós o bicho estranho noutro aquário maior que o deles (é verdade, mas nós não queremos que seja um peixe e dizer-nos isso, pois nao??); e os outros não querem saber de nós ao fim do 3º dia e iremos sentir rejeição! Também não vai querer experimentar isso quando já se sente demasiado no fundo do poço, certo?! Se não puder ter cães, "cace com ratos"! Vista as calças de jogging um casaco de treino, calce os ténis e vá dar uma volta a pé. Se preferir corra! OBRIGATÓRIO: óculos escuros. Irão ajudá-lo a sentir-se no seu mundo sem que os outros invadam as suas olheiras e inchaços... e algumas lágrimas que brotem pelo caminho. Leve o iPod consigo. É um bom amigo.
Se isto não o motivar o suficiente, tente outras coisas: Bicicleta, Natação, Yoga, Pilatos, Dança do Ventre, Flamenco, Tango, ou algo mais radical como o Surf, Patins em Linha, whatever! Pessoalmente não sou adepta de Ginásios, mas se preferir... use e abuse. Mas mexa-se, por favor! O exercício físico liberta Endorfinas - substâncias naturalmente produzidas pelo cérebro em resposta à actividade física, com vista a relaxar e preservar-nos da dor - o que origina um enorme prazer, despertando uma sensação de euforia, ajudando a atingir melhores nívels de humor e bem-estar.
Move it, move it!

Viagens
Se tem essa disponibilidade financeira e de tempo, pegue em si - sozinho/a ou num bom amigo/a e vá passar um fim-de-semana fora do local onde habita. Ou faça uma escapadela a uma capital europeia que não conheça ou que já não visite há muito tempo e queira recordar e ver o que há de novo! Desperte a mente para o novo, o desconhecido e verá como é uma benção...

Livros
Se gosta de ler, aproveite. Conheça-se melhor... e aos outros. Entre numa livraria e procure um título que o faça sentir curiosidade em ler esse livro. E deixe-se ir...Quer seja para melhorar aspectos que pretende mudar em si, quer seja para saber mais sobre a vida de alguém ou simplesmente inspirar-se num bom policial, em viagens ou culinária, divirta-se e cultive-se. Mantenha a mente sabiamente ocupada e interessada. ;)
Os livros podem ser grandes amigos...

Água
Beba muitos líquidos, seja água, chás naturais, quentes ou gelados. Nestes momentos de maior ansiedade e de ligeira depressão, em que o nosso metabolismo fica por vezes mais lento, é aconselhável beber líquidos para se manter hidratado/a. Procure, também, algo natural para tomar enquanto as insónias persistirem... É importante regularizar o sono para melhorar a sua energia anímica e humor.

O Telemóvel, os SMS's, Emails e Fotografias digitais:
Sim, já sei que no início, não vai conseguir apagar todas as fotos e muito menos as mensagens enviadas - emails ou SMS's. Agora, por favor... ESQUEÇA! Não se marterize à procura de pistas, desculpas, tudo o que possa minimizar, perpetuar ou criar novas esperanças relativamente ao fim que se impôs à relação.
Sempre que se sentir tentado a enviar um email, um SMS, ou telefonar, faça-o! Mas a um/a grande amigo/a! Tente outro/a, caso esse/a não atenda. Senão, tente arejar, ir buscar um café, ou enfiar-se em trabalho, pesquisar um filme para ver quando sair do trabalho. Se estiver em casa leia, saia, vá ao cinema, ou caminhar... Faça qualquer coisa menos contactar o outro... Vai ser difícil, é como deixar uma droga pesada. Os sintomas não andam longe. Mas acredite: I've been there, I've done that and believe me... it worked! :)
As fotografias são mais difíceis de largar... Mas, por muito que custe, não entre nesse ficheiro, nem procure esse álbum na sala. Arrume-o longe, enquanto o coração não estiver mais apaziguado.
Deixo ainda uma dica que me foi muito útil. Eu sei que não se consegue apagar o contacto do outro no telemóvel. Mas altere o nome de forma a que quando procure outro número, não veja o nome do outro por mero acaso. A mim, ajudou muito. Chame-lhe Etelvina ou Leopoldina! Ou Cristóvão, Antero ou Abelardo! Também pode recorrer a nomes mais ridículos como: Pãp sem Sal, Insonso/a, Sonso/a, Idiota, etc. A imaginação é o limite! :))

O Facebook!
Eis um "espaço" que se tornou quase numa extensão da nossa sala de estar, do nosso computador e onde a Web está praticamente já toda agregada. Ninguém "existe" se não tiver um perfil no Facebook. É como não ter BI ou Cartão de Cidadão... Para o Bem e para o Mal.
Confesso que, para me proteger, tomei decisões drásticas e parece-me, a esta distância, que foi a melhor coisa que fiz, ainda na fase terrível entre a Negação e a
Aceitação que já nada mais havia a fazer. Foi a minha forma de me proteger. Acreditem: resultou muito bem.
Deixe de se torturar. Para quê ir ao perfil do outro para perscrutar cada passo que dá? Vai dar consigo a pensar em coisas como: quem será aquele/a que adicionou, o que quer dizer este vídeo, porque fez um like na foto daquele/a parvo/a?! Quando atingir o nível máximo da angústia, desespero e chegarem as lágrimas, vai perceber que mergulhou numa expiral sem fim... E para quê? Para "interpretar" o que o/a outro/a faz, pensa, sente e por quem?! Faça a si mesmo/a um favor: não entre nessa página. Entre directamente no seu perfil. E retire-o/a do seu live feed para não levar com as actualizações do outro quando menos espera. Se conseguir... afaste-se do Facebook por uns tempos... Acredite: ajuda muito! Afinal, há que desligar a ficha daquela tomada. A Energia está em si, seja emocionalmente ecológico e torne-se num consumidor de energia renovável e sustentável! ;)

O Mar, As Estrelas e a Lua
Relembro - tudo o que tenho estado a escrever resultou comigo. Adapte, se não for o seu estilo. Inspire-se, crie o seu próprio guião de dicas. Para além dos livros, o Mar foi um dos factores mais importantes na minha travessia de solidão. Um bom amigo, conselheiro, com quem partilhei muitas lágrimas, risos, sorrisos, e mil pensamentos - bons e maus.
Se puder, dê um passeio a pé pela praia, mesmo de Inverno. Sobretudo no Outono e no Inverno... O cheiro a maresia purifica o corpo e a alma. Abranda o coração e os pensamentos mais alvoraçados.
As Estrelas e a Lua são outras fontes de boa energia. Tente ficar sozinho/a com elas numa noite de céu limpo... Vai perceber que é tudo tão vasto perante a sua pequenez que, daqui a uns meses, tudo isto que agora sente não irá passar de uma experiência que lhe trouxe mais sabedoria e que concerteza tem uma explicação que - tal como o Amor - a Razão desconhece.
As ondas vão e voltam, sempre diferentes. As marés mudam e há imensas correntes. Nascem e morrem estrelas a cada segundo... E a Lua muda de face todos os dias, mostrando todos os aspectos da sua luz mágica e magnetizante.
Nós também somos assim. Estamos sempre em mudança, mesmo quando achamos que não mudou nada em nós num ano ou em seis meses. Mudou. Muda todos os dias. Viva preparado para isso. :) E fascine-se! 

Este, foi o meu percurso, contado em modo Fast-Foward. Foi a minha experiência. Escreva a sua... E se desejar, envie e partilhe comigo.
Não há receitas únicas...

Love,
Take Care,
Birdie

Thursday, September 23, 2010

The Wall Street Crash is Nothing Compared to This!

Acabou! Nada mais importa... Não respiro, não durmo e o apetite ficou esquecido. Perdeu-se no éter da angústia. No estômago, resta um enorme buraco onde reside uma dor terrível, angustiante e onde nenhum grão de comida entra... Apenas água ou outro líquido para me matar... a sede que se insurge contra a gigantesca ansiedade que os múltiplos pontos de interrogação, exclamação e demasiada confusão, polulam nas bolhas do pensamento, como as da Banda Desenhada, mas em modo loop. E ainda revejo tudo ao pormenor no ecrã de alta definição da(e)mente, através de imagens vivas, revividas e já tão gastas de tanto as rever.


Nada faz sentido. E tudo deixou de existir... O burburinho alheio não me interessa, mesmo que alguém grite ou me ofereça um jornal. Quero gritar e chorar a minha dor, será que ninguém percebe isto?! Será que são todos felizes menos eu?! Não entendem que não vos quero ver, oh insensíveis desconhecidos?!
Desliguei a antena... os rostos da multidão são apenas meros vultos que por muitos encontrões me dêem, não me afectam nem arrancam o tormento e o choro sofrido que sinto por dentro. Quero morrer!!
Odeio as gargalhadas dos adolescentes parvos - como eu já fui (ok, e ainda sou, muitas vezes). Vingo-me ao pensar em como eles não imaginam o que lhes espera na Vida e consigo até sentir uma pontinha de felicidade cáustica, naquele momento. Pura e doce maldade. Aproveitem, porque nunca mais se vão rir assim na Vida, que nem idiotas! Não percebem que é uma afronta ao meu problema?! À minha "coisa" apertada e vazia, aqui dentro?
Porque faz Sol hoje se eu sinto frio e me chove em cima?!! O Mundo inteiro está a conspirar contra a minha dor e ninguém quer saber... Estou a sufocar!
Os amigos tentam ajudar, mas com frases feitas que não queremos ouvir e abraços e palmadinhas nas costas e alguns, passando horas a ouvir-nos e a dar-nos Kleenexes de 2 em 2 minutos. Mas a vida deles continua bem e só eu me sinto miserável!
Porque aconteceu assim?! Estava tudo tão bem... Eu gosto tanto, mas tanto dele/a?! Como vou conseguir viver os meus dias, daqui para a frente?...

De repente o mundo perdeu as cores e a música animada é apenas um ruído absurdo e ensurdecedor!
Caminho pelas vielas do abandono e da solidão, pelas avenidas largas que vão da raiva até à tristeza... Todos os lugares me parecem desinteressantes e vazios...
Ah! O restaurante onde jantámos pela primeira vez. Que "seca"! Porque vim aqui parar, logo hoje?! Mais dois passos de desventura e vejo-te na esplanada onde nos encontrávamos para beber café e aos domingos degustávamos, num compasso slow, o brunch de que tu tanto gostavas... Mas não és tu quem está lá sentado. Alguém que tem o cabelo parecido com o teu, só o vi de costas. Ai, como doí!

Vou para a FNAC, ver se me distraio com livros ou filmes que não o meu... Subo as escadas rolantes e o Shopping está a passar aquela música que cantávamos milhões de vezes no gozo, quando viajávamos de carro... Não é possível!! O mundo inteiro está a dar comigo em louca!
Alheada de tudo, vagueio pelos livros. Não me apetece ir para casa. Preciso ver gente que não me veja e não me pergunte como estou e se está tudo bem...
Saio com 4 livros sobre Psicologia, Sociologia, Jornalismo e Política e ainda um manual de Astrologia... Sinto-me culpada porque tenho pilhas de livros por ler em casa, mas vou precisar... Nestes momentos, os livros são os meus melhores amigos, conheço-me bem. Eles, a música e a escrita. Nunca deixaram de o ser, mas agora são os únicos que não me dizem o que eu já sei e desejava não saber... São desconhecidos que se vão desvendar e tornar amigos com o passar das páginas. Às páginas tantas, são amigos que descobrem coisas novas em mim, que me invadem e me questionam. Claro, vou querer por vezes o ombro dos amigos de todas as horas, mas esses são poucos e nem sempre podem, por muito que "estejam" connosco. E também porque já me cansei de lhes contar vezes sem conta todos os detalhes da minha história... e faltam-me forças para as tentativas de me animarem com saídas, gargalhadas, piadas, e outras conversas que em certos dias resultam, mas muito raramente...


Agora preciso de ficar comigo... e com os meus novos amigos-desconhecidos...
Cheguei a casa. A casa é o melhor sítio do mundo, a gruta-refúgio onde não há ninguém a pedir para atender o telefone, responder aos emails ou a perguntar pela apresentação sobre a Análise do Investimento no Perú de 1990 a 2010 e as previsões de crescimento até 2012!
Em casa posso derramar toda a minha dor, gigante e insuportavelmente minha! Não me interessa a dor da Luísa que o Manel deixou, nem a do Vasco que foi traído pela Rute. Nada supera a minha dor. Ao fim de cinco minutos de SIC Notícias desligo a televisão, depois de um zapping ligeiro. Não me interessa o Défice, o PEC, a estreia do filme com a Angelina Jolie, e muito menos o jantar marcado há um mês com amigos... NADA! Vou colocar uma tabuleta na porta, deixar mensagem no atendedor de chamadas e alterar o status no Facebook a indicar: NOT AVAILABLE! DON'T LEAVE ANY MESSAGE! I'll BE BACK SOMETIME...

Perder a pessoa que amamos - ou julgamos, muitas vezes, amar - leva-nos ao extremo das piores sensações e emoções que a espécie humana pode sentir. A ferida não se vê mas dói muito mais do que qualquer outra ferida de chaga aberta no nosso corpo.
A Dor da Alma abala-nos como nenhuma outra e pode causar muitos danos na nossa Vida, a começar pela nossa saúde: física e mental.
Geralmente perde-se ou ganha-se peso, desregula-se o sono, perde-se concentração, foco e tudo nos remete para a pessoa que assumidamente se sabe que perdemos e não vamos recuperar.


Creio que já todos passámos por momentos destes, vividos das mais diversas formas.
Faz parte das experiências que vamos tendo ao longo da vida. Dada a nossa necessidade de vinculação a outro - proveniente da primeira relação que estabelecemos na vida, com a nossa mãe - tendemos muitas vezes a procurar/encontrar alguém que, na relação, proporcione muitas das experiências que marcaram a nossa relação com nossa mãe. Quando nos vinculamos a alguém - necessidade humana inconsciente - vem a Idealização do parceiro. Projectamos muitos dos nossos traços no outro e idealizamos uma certa pessoa que, muitas vezes, cai no exagero (no pedestal onde a colocamos) e não corresponde ao real. O tempo vai passando e podem acontecer duas coisas: ou começamos a ver também os defeitos do outro e a aceitá-los (ou não) e a ter uma visão mais real da pessoa com quem escolhemos estar e a relação progride ou não; ou, permanecemos na fase da idealização, desculpando os "defeitos" com argumentos em defesa da "perfeição" do parceiro e caímos na ilusão dessa projecção elevada ao exagero que nos cega por completo e que nos leva a amar demais alguém - que na maior parte dos casos - não nos merece.
Se as coisas correm bem, a relação tende a ganhar maturidade e a tornar-se sólida, transitando do Amor Apaixonado para o Amor Companheiro. Se as coisas correm mal, mas nenhuma das partes está iludida em relação ao outro, a relação termina, da pior ou melhor forma. No entanto, se uma das partes está na posição do que idealiza e é manipulado pelo outro... então temos alguém que se vai magoar muito. Alguém que acredita até ao fim que é amado sem qualquer tipo de interesses em contrapartidas, acredita que não há traição, mas foi apenas um mal-entendido ou algo que até se desculpa porque o parceiro até se mostra arrependido e nos ilude com uma viagem a Roma, enfim... poderiamos continuar com mais exemplos. Importa referir que, nestes casos, só quando se entra na fase de Aceitação - aquela em que se aceita que se facto estamos a ser alvo de manipulação de alguém que não é consistente nem coerente entre o que diz e o que pratica. Chegar a esta fase demora tempo, depende de cada um de nós, mas quando se atinge, é o princípio para se preparar para iniciar a última e não menos dolorosa fase: o Luto.
Mas  - de forma muito resumida - estas, são as diferentes etapas que as relações podem atravessar...

Não há poções ou elixíres mágicos para nos ajudar a resolver e a ultrapassar estas situações. Resta-nos procurar dentro de nós essa vontade, força e essa luz, recorrendo a algum apoio externo como amigos intímos, familiares próximos e outro tipo de apoios, se necessário, para mantermos os "mínimos olímpicos" dos nossos dias.

Há pequenas coisas que, por muito dolorosas que possam parecer, devemos começar a fazer na fase de luto... A "viagem pelo deserto" que inicia é algo solitária, única e as fórmulas ideais para "sobreviver" virão de si. Mas deixo algumas dicas no artigo seguinte, nas quais se poderá rever, ganhar novas ideias ou simplesmente inspirar-se para o seu percurso...
Respire fundo e... May the Force be with You! ;)

Love,
Take Care,
Birdie

Wednesday, September 22, 2010

Cupid Arrows - The Lost, the Waste and the Wrong Timing

Começa a ser difícil escrever sobre este tema neste formato tão... teórico. Não que não seja interessante ou que faltem temas. Muito pelo contrário. Mas não é de todo o meu género. Gosto de contar histórias - verdadeiras ou sonhadas - inspiradas por tudo o que me rodeia.
Mas seria difícil transmitir tanto sumo do que caracteriza o Amor e as suas nuances sem uma teorização do que, na realidade, é mais importante viver, acima de tudo. :)

Faltam dois dias! E apesar de todos estes conceitos também ficarem mais presentes no meu consciente - e espero que no vosso - ,gostaria mesmo de deixar claro que, mais importante do que simplesmente ler livros, frequentar seminários, ou observar e ouvir o bom e o mau das relações de outros, é fundamental vivenciarmos as nossas próprias experiências. Como em tudo na vida, nesta matéria é fundamental, para crescer, avançar e evoluir. Como Pessoa, como ser humano, como homem/mulher.

Faltam dois dias, sim. Mas há temas obrigatórios que estou a deixar para o fim porque faz mais sentido assim... e dos quais destaco: 
- Wall Street Crash is Nothing Compared to This! - quando uma relação termina...
- Ooops! Why do I Feel Stupid and Wierdly Smilling after a Simple Coffee? - quando sentimos que nos podemos estar a apaixonar novamente por alguém e não sabemos porquê e se devemos.

E é precisamente este o tema de hoje. Quais os factores que nos levam a gostar daquele/a e não do outro/a?
Quantas vezes já sentiu que tudo parece estar errado? Que preferia estar apaixonado/a por A em vez de B, porque B afinal ama C e o A está a sofrer como tudo porque você está perdido por B! Parece que o Cupido prega das suas e por vezes nos faz pensar que o Amor é Louco e não se consegue explicar... A bem da verdade, não. Mas há pequenos aspectos que nos ajudam a entender um pouco melhor porque razão gostamos mesmo de A em vez de B e que podem ser úteis para contextualizar o que está a sentir num dado momento.

O que nos leva a sentir atracção por alguém e querer conhecê-lo/a melhor?
Vou tentar exemplificar com a história de um amigo a quem vou chamar de Pedro.
Encontrei-me com ele para conversarmos. Somos bons amigos de longa data e contamos quase tudo um ao outro, como irmãos. Ele é como uma melhor "amiga"!
O Pedro telefonou e fomos para a praia aproveitar o Sol de uma tarde de Domingo. Parecia alegremente ansioso e feliz. Há duas semanas atrás tinha estado no casamento de um colega de trabalho onde conheceu uma mulher que lhe despertou muito a atenção. Não se tratou de uma "mera" atenção/atracção como quando alguém que passa por nós na rua e nos rouba sem perceber uma curiosidade de um olhar - em particular os homens. Neste caso, alguém lhe tinha roubado as poucas horas de sono da noite desse casamento e das restantes noites da semana seguinte. Não parava de pensar nem de falar nela... a Marta.
Contou-me que se conheceram no casamento, claro. Amiga da noiva. Reparou nela ainda durante a cerimónia na Igreja e por grande coincidência (ou não), ficaram na mesma mesa, onde não pararam de trocar olhares e acabaram por conversar um pouco.
Na semana seguinte foram tomar um café, e nos dias imediatamente seguintes tinham sempre planos para um cinema, conversar numa esplanada, jantares... e ao fim de duas semanas surge o primeiro beijo.
Conheço bem o Pedro, de imediato percebi que estava caidinho pela Marta, ou seja, prestes a apaixonar-se (ou já apaixonado).
Passei a tarde a ouvi-lo com muita curiosidade sobre como ela era, o que ele sentia e como as coisas estavam a correr. Queria a minha opinião de mulher, os meus conselhos... enfim, o Pedro queria quase que eu fizesse uma análise cirúrgica à sua recente relação para determinar se estava no caminho certo, se era a pessoa certa, etc, etc, etc, como se eu fosse uma Cardiologista das Emoções. Uuuf... Though!  :)

Depois de ouvir o princípio da história do meu amigo Pedro e já com algum distanciamento, pude perceber afinal que, muitos dos livros que já li e com base da minha própria experiência... há contextos/momentos mais propícios a este "envolvimento", à ocorrência desta atracção. Geralmente, momentos especiais como festas, férias, actividades radicais, desportivas em grupo, todo o tipo de actividades / vivências em que o ritmo do nosso coração geralmente bate mais apressado porque é uma novidade, porque nunca estivemos ali antes e porque o ambiente também remete para tudo isto, o nosso cérebro gera a maravilhosa Dopamina (eu prometi falar sobre ela, e vou fazer só um especial com esta e mais dois amigos: Testosterona e Oxitacina).
A dopamina permite aumentar a nossa excitação e estimula zonas do nosso cérebro que nos criam sensações de bem-estar.
Para além de aspectos de contexto, inconscientes - como a questão da Evolução Biológica -, há coisas mais óbvias que conseguimos identificar e que explicam essa atracção: 
  - a Beleza - instantâneamente avaliada, muito primeiro do que a Inteligência ou integridade, claro;
 - os Genes - existe atracção por genes idênticos (escondidos pela Beleza), cuja escolha tende a ser a que se considera melhor para constituir família, por exemplo;
 - o Cheiro - este parece-me demasiado óbvio;
 - o Toque - suavidade da pele, a temperatura, o que disperta em cada um esse toque;
 - a Pose - a forma de estar da pessoa que passam por aspectos como a voz, a forma de estar sentado, de caminhar, de olhar, de comer, entre muitos outros;
Mas será que tanto a Marta como o Pedro estão prontos para iniciar uma relação?... 
Com todos os detalhes que o Pedro me forneceu... ocorram-me várias questões: 
1. existe reciprocidade de intenções? Sim! Ambos se sentem atraídos um pelo outro e respondem aos estímulos mais inconscientes como olhares, gestos, toques de mão, enfim, os sinais que se trocam/comunicam indicando interesse um pelo outro na mesma sintonia de intenções ou não.
2. existe proximidade e similaridade? estão suficientemente perto um do outro? moram na mesma região/cidade/País? Sim. Vivem muito afastados? Vêem-se com regularidade (efeito exposição repetida, tornando-se mais faniliares entre si) sem grandes complicações em termos de viagens entre ambos? Também.
Até aqui tudo bem. Aparentemente sim, e dei a minha opinião ao Pedro. 
Mas, com alguns detalhes - poucos - que me contou acerca de Marta, fiquei com uma dúvida...
3. seria o Timing certo? Este é outro aspecto fundamental antes de se afundar numa relação sem perceber se está predisposto/a ou não a explorar e a dedicar-se inteiramente a essa pessoa, sem fantasmas a tocar-lhe no ombro e a invadi-lo/a durante a noite.

Ontem estive com o Pedro... Fomos beber um café. Vinha triste, meio apático e com a energia em baixo. Em jeito de desabafo, o meu amigo disse que não sabia o que fazer com a Marta. Enquanto que o meu querido amigo já há algum tempo que tinha efectivamente feito o chamado "luto" da sua relação anterior (que durou 3 anos) e estava realmente disponível sem no entanto andar específicamente à procura de alguém - muito focado na carreira e nos amigos -percebeu, ao fim de três semanas, que a Marta estava ainda longe de ter "processado" o fim recente da relação anterior. Ela não estava, efectivamente, preparada - por muito interesse e vontade que realmente pudesse ter em estar com o Pedro.
Contrariado mas tendo noção de que seria melhor para ambos, o meu amigo decidiu afastar-se de Marta, pelo menos, durante o tempo que para ele seria o suficiente para apagar aqueles breves momentos de encantamento que viveu com Marta e, eventualmente, voltar a estar com ela noutro registo... noutra sintonia. 
Ele chegou à conclusão de que o "investimento" na relação mais séria "a fundo perdido" não tinha, logo à partida, muitas "garantias", dado que nunca saberia se a Marta realmente quereria estar com ele depois de ultrapassar o seu período de luto e de carência.


A Importância do Luto
Quem já não viveu momentos destes? Quer tenha sido o outro a terminar ou nós? 
A rejeição é sempre muito mais dolorosa, mas não se pense que a outra parte - quando honesta e frontal - também não sofre por saber que está a magoar alguém com quem até imaginou um futuro a dois.
E como sabemos, este momento é fundamental para começar - de forma saudável - outra relação, não importa quando. 
Há excepções, sim. Há de facto relações que se iniciam durante um momento de luto e resultam. Mas - como aconteceu uma grande amiga minha - quando se "investe" quase dois anos numa relação com uma pessoa que está em luto e acaba por ser traída quando o outro saiu "oficialmente" desse luto, sabe que é muito doloroso e arriscado embarcar numa situação destas.
O meu amigo Pedro fez o melhor para ele... por muitas dúvidas que residam, bem como triste e dividido que possa estar. 
É nestas situações que se vislumbra também o índice de auto-estima da pessoa e a sua estrutura emocional. O Pedro também gosta muito dele e precisa de si para viver a sua vida feliz, e não em permanente desconfiança e numa montanha russa. 
Fiquei orgulhosa por ver o meu amigo transmitir segurança e coragem para ser capaz de tomar decisões extremamente difíceis, embora estivesse a torcer pelos dois...


Por ser um tema tão delicado e sensível, com padrões de comportamento muito variáveis de pessoa para pessoa, deixei o Luto para o próximo artigo.




Love, 
Take Care, 
Birdie

Tuesday, September 21, 2010

Amor ao Microscópio - Parte 2

Depois de termos "sobrevoado" algumas das mais importantes Teorias acerca do Amor - o que é e porque razão amamos - poderiamos resumir que, com mais ou menos deduções, com diferentes nomes atribuídos a estados e formas de sentir, podemos então concluir que de facto a Evolução Biológica é um dos motivos mais intrínsecos a esta questão porque reside nas nossas células, no nosso inconsciente colectivo referido por Jung, que acumula todas as vivências e evoluções ao longo dos séculos, por parte dos nossos antepassados. 

Quanto à forma como amamos, também se conclui que há indivíduos mais dependentes do sucesso da relação do que outros, mais ou menos controladores e manipuladores, os que amam demais e os mais equilibrados que sabem dosear o Sal e a Pimenta nas relações, nas quantidades que, para o seu gosto, são o apropriado.

No entanto, creio que se sente aqui um gap entre a Teoria da Evolução Biológica, inerente à especie humana, e os tipos de relações mais ou menos equilibradas. Falta compreender porque amamos ou como chegamos ao ponto de sentir algo tão forte como o tal Amor... seja demais, ou "demenos", mais ou menos distante, ou porque tendemos a cair nos mesmos padrões de relacionamentos que só nos trazem caos e infelicidade, relação após relação.

É aqui que entra o meu especialista preferido - Sternberg - e também Helen Fischer, sendo que Sternberg consegue ser mais completo e consistente nos seus estudos e conslusões. Sternberg criou a Teoria Triangular do Amor. Parece um modelo demasiado matemático, mas... não é bem assim. :)
Nesta Teoria, refere-se que o Amor pode ser compreendido (e empreendido) por três componentes: Paixão, Intimidade e Compromisso. Estas, compõem um triângulo com a seguinte disposição:




Muito rapidamente, gostaria apenas de resumir o que se entende por Paixão, Intimidade e Compromisso, porque tendemos a confundir estes conceitos.
De acordo com Sternberg, a Paixão é um conjunto de impulsos que conduzem à atracção física, ao romance e à consumação sexual. Envolve elementos como o desejo, o pensamento único naquela pessoa, a idealização e adoração. Mas a Paixão vai além do aspecto carnal. Envolve elementos como a auto-estima, a dominação ou submissão, ou ainda a vinculação.
No que respeita à intimidade, esta refere-se ao sentimento de ligação estreita, próxima e conexção existente numa relação, permitindo experienciar proximidade e o privilégio naquela relação. Dar e receber apoio emocional, estimar e valorizar a pessoa amada, sentir-se feliz com esta e querer promover o seu bem-estar, sentir que ambos comunicam e se compreendem e sentem o desejo de partilha. Grandes e pequenos gestos, conversas mundanas e trocas de segredos, são alguns dos elementos que compõem a Intimidade. Exige mais tempo, não surge à primeira-vista, e geralmente implica passar tempo com o outro. Aos poucos, esse outro, deixa de ser um estranho e passa a ser muito familiar, fazendo parte dos nossos dias e da nossa vida. A Intimidade requer interacções frequentes e acima de tudo, confiança e respeito.
No que toca à Decisão/Compromisso, Sternberg refere-se que a curto-prazo surge a decisão de que se ama um outro e a longo-prazo, o compromisso de manter esse amor. Estes dois aspectos não surgem, necessariamente, juntos.


Bom, voltando ao nosso Triângulo... Imaginem agora misturar estas três componentes e analisarmos os vários tipos de amor que surgem deste mix (que por sua vez, têm a sua explicação com as descrições acima referidas). Sternberg, propõe assim oito tipos de Amor, num triângulo de variantes emocionais:



Para começar por um dos extremos... se não existe Paixão, nem Intimidade, nem Compromisso, não existe Amor. Sternberg chama-lhe o Não-Amor.
Se existe apenas Paixão, trata-se de uma Paixoneta: nada sabemos sobre a pessoa, mas a atracção é forte e não pensamos noutra coisa.
Se é Intimidade que existe: gosta-se. Existe afinidade, o prazer de passar o tempo na companhia dessa pessoa acompanhada da sensação de que ambos se conhecem bem. Passeia-se, vai-se ao cinema e toma-se café sem nunca haver o impulso para um beijo. É uma amizade, simplesmente.
Se apenas existe Compromisso: estamos na presença de um Amor Vazio. Já não existe - ou nunca existiu - afinidade e/ou paixão. O típico casamento de fachada.
Entre outros tipos de amor que cruzam estas componentes, vamos passar ao extremo- oposto do Não-Amor: a beleza do Amor Consumado, no qual existe Paixão, Intimidade e Compromisso. Deseja-se, conhece-se e quere-se viver com aquela pessoa.
E este é o quadro de Sternberg que permite conjugar todos estes aspectos para perceber que tipo de relação queremos, temos ou na qual nos estamos a envolver:

 

Se perspectivarmos as coisas no Tempo - e uma vez que as relações estão em constante mutação, como tudo na vida - as formas do triângulo de cada um vão alterando, em função de dois aspectos: Quantidade e Equilíbro de Amor.
Diferenças na Quantidade traduzem-se na dimensão do Triângulo, enquanto o Equilíbrio é representado por diferentes formas do Triângulo.

Para terminar, o psicólogo Nuno Amado concorda com estas Teorias, e é também um adepto de Sternberg, mas sugere uma subdivisão da Paixão que me parece fazer todo o sentido. Defende que a Paixão pode ter resultados distintos: o Desejo e o Fascínio. E vai mais longe, fazendo uma analogia muito interessante entre os quatro Elementos propostos pelso Gregos e estes quatro aspectos: o Desejo equivale ao Fogo, o Fascínio ao Vento, a Intimidade à Água e o Compromisso à Terra. 
Para quem estuda Astrologia, isto fará muito sentido. :) Mas este tema, daria um outro artigo... 
E é desta forma que Nuno Amado - e eu, humildemente, subscrevo - propõe que pense sobre estes quatro aspectos para compreender a sua presença numa relação:

Fascínio: Até que ponto estou encantado/a por..............?
Desejo: Até qu eponto sinto atracção por.....................?
Intimidade: Até que ponto me sinto que conheço...............e ele/a me conhece?
Compromisso: Até que ponto sinto dedicação a................e à nossa relação?

Acredito que a visão de Sternberg contribuiu para um maior entendimento - pelo menos da minha parte - dos motivos e aspectos do Amor. Todavia, não responde a tudo porque o Amor será sempre um grande mistério...

Love, 
Take Care, 
Birdie

Stress and the City, no YouTube

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